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Celeste Whatley, Transearch: “Um CEO nunca está sozinho, tem sempre a sua equipa”

Celeste Whatley, CEO da Transearch, falou sobre os desafios da liderança, principalmente enquanto mulher, partilhando dicas sobre como ser melhor líder, em entrevista à RHmagazine.

IIRH Por IIRH
20 de Novembro, 2024
em DESTAQUES, PESSOAS
0
Celeste Whatley, Transearch: “Um CEO nunca está sozinho, tem sempre a sua equipa”
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De que forma encara a liderança atual, num mundo em rápida evolução, especialmente no que à digitalização diz respeito?

Eu acho que o elemento humano da liderança se vai tornar mais importante. Tudo o que pode ser digitalizado vai ser digitalizado, naturalmente, mas a interação humana não. Por isso, vai ser cada vez mais importante. A forma como nos relacionamos, a nossa autenticidade, a nossa ambição de sermos a melhor versão de nós mesmos são muito relevantes.

Para além disso, eu também acho que, com a digitalização, não sabemos o que vai acontecer. Não fazemos ideia. Mas penso que serão desenvolvidas novas competências para interagirmos e nos relacionarmos, até porque, sem elas, perderemos o sentido da humanidade.

Como CEO, de que forma lida com os momentos de incerteza na tomada de decisões críticas?

Eu demoro muito tempo a refletir. Dependendo da situação, ou penso rápido e atuo rápido, ou penso lentamente e atuo rápido. Esta é a minha filosofia: tudo depende da situação. Eu preciso do máximo de informação possível antes de tomar uma decisão e não me esqueço de que tenho pessoas à minha volta. Pergunto-lhes se estou a pensar corretamente, ou não.

Mas em situações de crise, não faço nada disto porque, nestes casos, é preciso uma ação muito, muito rápida. E tenho de ser decisiva. Claro, depois reflito e penso no que poderia ter feito melhor, se dei o meu melhor. Portanto, eu tento sempre refletir, antes de tomar uma decisão. E oiço as pessoas à minha volta, para ter a certeza de que não estou numa câmara de eco. Isso é o mais importante. Um CEO nunca está sozinho, tem sempre a sua equipa, que apoia, confia e partilha o mesmo esforço.

 

Houve algum momento na sua carreira que a tenha feito alterar a filosofia de liderança?

Eu sou uma pessoa que sempre lutou pelas minorias, por isso, sempre as defendi e ajudei, para ter a certeza de que estamos todos em “pé de igualdade”. Isto é muito importante para mim e sempre foi, desde que eu era pequena. Já na escola, eu era líder, portanto já faz parte de mim. Eu sinto que tenho de promover tudo e ajudar todos, mesmo que isso implique que eu me prejudique. E mesmo quando não concordam comigo, eu avanço.

Tento sempre fazer o que está certo e acho que me ajudou eu ter crescido num ambiente de sociedade desigual, porque eu cresci na África do Sul e as consequências disso são profundas. E sim, eu sou privilegiada, sei disso, mas ver que nem todos são e que as desigualdades mudam países e culturas, impactou-me bastante. Ou seja, as minhas opiniões, mesmo nessa época, já eram polémicas e eu nunca as mudei por isso. Sempre quis dar voz a quem não a tinha.

De que forma garante o equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional, tendo em conta que trabalha numa organização internacional? Que estratégias recomenda a outros líderes?

É muito difícil para mim encontrar esse equilíbrio. A estrutura ajuda, absolutamente, e ser bastante disciplinada com o meu tempo também. Em alturas de crise, já me aconteceu ficar a trabalhar até às 22h, por causa dos diferentes fusos horários. Eu não seria capaz de ficar descansada, enquanto está a haver um problema na empresa nos E.U.A., por exemplo. Claro que, mais uma vez, tenho uma ótima equipa, sempre disposta a ajudar. Como conselho, diria para serem disciplinados convosco próprios.

 

Que sugestões pode deixar a uma jovem mulher que pretende ser líder?

Ela tem de ser curiosa. E sim, é fácil dizer, mas tem de ser. Mesmo que tenha medo, deve seguir em frente. O que eu quero dizer com isto da curiosidade é estar com vontade de aprender, porque essa é a melhor forma de compreender o mundo. Para além disto, deve ser capaz de fazer o seu próprio caminho para atingir a posição de liderança. Eu estou sempre curiosa, faço tantas perguntas que sei que chego a irritar as pessoas, porque pergunto coisas às quais elas não querem responder.

Mas é fascinante, para mim, perceber como as coisas funcionam, como as pessoas pensam, o que as motiva. É absolutamente fascinante, porque é diferente. Nós somos todos diferentes. Então, eu diria, para a jovem mulher ser curiosa e crescer para ser resiliente. Ninguém nasce com resiliência, mas é possível desenvolver essa característica. Até porque as coisas nem sempre vão ser fáceis, logo, o importante é nunca desistir do foco.

Há algum traço que defina a liderança feminina dos dias de hoje?

Eu diria que há autenticidade e valores. É interessante, porque quando falamos em pesquisa executiva e eu oiço os meus colegas homens, uma das coisas que eles dizem é que é difícil encontrar líderes mulheres, porque elas chegam a um ponto em que dizem: “Bem, eu não quero falar de política”; “Eu não quero fazer isto ou aquilo”; “Eu quero mudar de vida”; ou “Isto vai contra os meus valores, então eu não vou fazer”. Por isso, pode ser desafiante.

Outras vezes, há umas que se integram muito facilmente, até com colegas homens, e a adaptação torna-se mais fácil. Mas nós somos diferentes, nós somos quase uma espécie diferente, no entanto eu não quero ser um homem. Eu sou muito feliz, adoro ser mulher e acho que devemos todas celebrar o facto de o sermos. Portanto, eu acho que o que define as líderes mulheres é a empatia e a lealdade aos valores. É preciso sermos autênticas, sermos nós mesmas.


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