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esmagadora maioria dos portugueses reconhece que aprender ao longo da vida é essencial para garantir a empregabilidade. Mas metade admite que o acesso à formação continua limitado pelo custo ou pela falta de tempo. O retrato é traçado pelo relatório “Tomorrow’s Skills”, divulgado pelo Santander Portugal.
O estudo revela que a transformação digital e tecnológica está a redefinir não só o mercado laboral, mas também a forma como os profissionais se preparam para nele permanecer. Em Portugal, a maioria entende que a aprendizagem contínua é fundamental para garantir a empregabilidade, embora persistam preocupações em torno do impacto da IA e das barreiras de acesso à formação.
Entre os mil inquiridos portugueses, 86% valorizam a aprendizagem contínua para o desenvolvimento profissional e 82% consideram-na fundamental para manter a sua relevância no mercado de trabalho. O avanço da IA surge como um fator incontornável: 67% acreditam que o conhecimento nesta área será determinante para a empregabilidade, mas 35% receiam que a tecnologia possa substituir os seus empregos.
Metade dos participantes atribui hoje mais importância às chamadas soft skills – comunicação, liderança, trabalho em equipa – do que às competências técnicas. Ainda assim, 38% sentem que o ensino público não os preparou adequadamente para a realidade do mercado laboral. Quase metade (47%) aponta o custo da formação como a principal barreira ao acesso, seguido da falta de tempo (27%).
Os dados mostram também uma reavaliação de percursos: 36% afirmam que, se pudessem, teriam escolhido uma área de estudo diferente da inicial. Já no que toca à responsabilidade pela formação contínua, 48% entendem que deve ser assegurada pelas empresas, 28% pelo Estado e apenas 23% pelos próprios.
As plataformas digitais de aprendizagem surgem como uma alternativa credível. Mais de metade (57%) avalia de forma positiva o seu impacto e 65% admite disponibilidade para utilizá-las. Para muitos, a flexibilidade e o ritmo personalizado que oferecem representam uma oportunidade real de evolução.
Na apresentação do relatório, em Lisboa, Inês Rocha de Gouveia, Presidente da Fundação Santander Portugal, destacou três mensagens do estudo: a incerteza no mercado de trabalho, a valorização da aprendizagem ao longo da vida e a inovação nos modelos de aprendizagem. Sete em cada 10 pessoas acreditam que a sua profissão vai mudar por causa da IA, duas em cada 10 temem que o seu emprego desapareça e sete em cada 10 admitem que nem sequer conseguem imaginar quais serão as profissões do futuro.
A responsável reforçou ainda que nove em cada 10 pessoas reconhecem que é essencial continuar a aprender e que metade espera que seja a empresa onde trabalham a assegurar essa formação. Quanto às novas formas de aprendizagem, deixou claro o apelo a ambientes menos teóricos e mais práticos, digitais e flexíveis, capazes de conjugar competências socioemocionais e digitais.
O evento prosseguiu com testemunhos em primeira pessoa de quem já viveu de perto o impacto da aprendizagem ao longo da vida. Sara Timóteo, Mariana Pereira e Rúben Teles partilharam experiências pessoais de como a formação lhes abriu novas oportunidades e redefiniu percursos profissionais. A conversa foi conduzida por Isabel Patrício, que destacou a diversidade das histórias e a forma como traduzem, na prática, os números revelados pelo estudo.
O encontro contou ainda com uma conversa dedicada às grandes tendências da aprendizagem ao longo da vida e da atualização de competências. O debate juntou Teresa Moreira, consultora em estratégia e inovação sustentável na área do lifelong learning, Dino D’Santiago, músico e fundador da Associação Mundo Nóbu, Vânia Neto, EMEA Skilling Lead da Microsoft. Três perspetivas distintas – da cultura, tecnologia e educação – que se cruzaram em torno da mesma ideia: a necessidade de preparar pessoas e organizações para um futuro em permanente transformação.

Bolsas Tomorrow’s Skills
No evento foram anunciadas quatro bolsas Tomorrow’s Skills, no valor de 1.500 euros cada, destinadas a apoiar jovens que revelem motivação e apetência nas chamadas competências do futuro, da criatividade ao pensamento crítico, passando pela comunicação e pela colaboração.
O processo de seleção terá um modelo inovador. Mais do que médias altas ou currículos extensos, vão ser valorizadas competências como atitude, motivação, capacidade de análise, comunicação e trabalho em equipa. As candidaturas estão abertas através da Santander Open Academy.
A Fundação destacou também o papel das plataformas Santander Open Academy e Santander X, que já contam com mais de 400 mil utilizadores em Portugal. Juntas, disponibilizam mais de mil cursos (digitais e presenciais) em áreas consideradas críticas para o futuro do trabalho, como comunicação, liderança, criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas e competências digitais.
“A educação é o verdadeiro elevador social”
O encerramento do evennto coube a Miguel Belo de Carvalho, Administrador do Santander Portugal, que sublinhou o papel central da qualificação: “A qualificação e o life long learning são a melhor forma de nos prepararmos para o futuro, são a única forma de nos adaptarmos a um mercado em constante evolução, sendo a inteligência artificial o maior fator de disrupção”.
O responsável garantiu ainda o compromisso da instituição “em oferecer ao maior número de pessoas formações de elevada qualidade e aplicabilidade aos dias de hoje”. Miguel Belo de Carvalho concluiu, salientando que “a educação é o verdadeiro elevador social. É ela que move Portugal, que fortalece a Europa e que nos prepara, a todos, para o futuro”.

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