Como define a missão da beBolder?
A minha experiência na consultoria e como diretor comercial de uma multinacional levou-me ao burnout, um colapso que se transformou num despertar. Entendi que não há separação real entre o pessoal e o profissional. Assim nasceu a beBolder: um convite à integração do ser na vida e no trabalho.
Por tudo isto, a nossa missão é despertar consciências e alinhar pessoas, equipas e organizações com a sua essência. Apoiamos culturas conscientes que acolhem a alma de cada colaborador, promovendo bem-estar e propósito coletivo.
Como é que a beBolder integra a espiritualidade nos seus programas e qual tem sido a reação das organizações a esta abordagem?
A espiritualidade ainda é o “elefante na sala” nas organizações. Está presente, mas raramente se fala dela. Muitos profissionais vivem-na em silêncio, com receio do julgamento. Na beBolder, descomplicamos. Espiritualidade é, na sua essência, autoconhecimento. É olhar para dentro, integrar partes e agir com consciência. Usamos ferramentas como constelações sistémicas (que ganham tração na Europa), PNL, reiki organizacional, coaching energético e quociente de adaptabilidade. Não vendemos soluções imediatas, mas criamos espaços de escuta e onde todas as questões são permitidas para que cada um possa (re)descobrir-se.
As reações têm sido de espanto e alívio. Organizações que antes temiam “perder o controlo” ao abrir espaço ao invisível, percebem que é ao acolher a essência de cada um que o sistema se alinha.
A metodologia da beBolder assenta nos 5 C’s (Conceito, Consciência, Capacitação, Cocriação e Construção) e no S de Sistema. De que forma é que estes pilares estruturam a vossa intervenção?
Os 5 C + S estruturam um caminho progressivo e adaptável, desenhado para realidades complexas e humanas. Começa pelo Conceito, fase em que diagnosticamos o sistema com escuta profunda e um olhar integrador, e segue para a Consciência, tornando visíveis padrões, tensões e potenciais ocultos. A Capacitação desenvolve novas práticas, individuais e coletivas, enquanto a Cocriação envolve todos na transformação, porque a mudança não se impõe, convida-se. Na fase de Construção, integramos e ancoramos essas práticas para que a mudança seja duradoura, e o Sistema encerra o processo com uma visão holística, alinhando cultura, estrutura e energia.
Esta abordagem permite ativar uma verdadeira mudança cultural, que respeita o tempo da organização e das suas pessoas. Trabalhamos temas como segurança psicológica, diversidade vibracional, comunicação regenerativa e liderança consciente.
Já as “soft skills” que cultivamos são da nova era: escuta profunda, empatia energética, comunicação consciente, intuição aplicada e coragem de ser. Num mundo incerto, liderar com presença será a verdadeira vantagem competitiva.
O Embrace U é o projeto-chave da beBolder. Em que consiste de que forma pode contribuir para o bem-estar e desempenho dos colaboradores?
O Embrace U é o nosso programa de bem-estar holístico. Atua a nível físico, mental, emocional e energético, combinando sessões individuais e em grupo. Através da desconstrução de crenças e práticas integrativas, potencia-se motivação, clareza, relações saudáveis e autenticidade – pilares de equipas alinhadas e resilientes.
Como vê o papel da liderança consciente na transformação das organizações?
É o novo centro de gravidade. Um líder que se conhece, cuida e inspira torna-se um canal entre o propósito da organização e o bem-estar coletivo. Na beBolder, formamos líderes que respiram com as suas equipas, com alma e visão.
A beBolder tem colaborado com a Rebel Talent em iniciativas ibéricas. Que tipo de trabalho fazem e que resultados destaca dessa parceria?
A colaboração com a Rebel Talent tem sido um laboratório vivo de cocriação ibérica. Facilitamos projetos de transformação cultural em simultâneo, em Portugal e Espanha, com movimentos top-down (liderança estratégica) e bottom-up (voz ativa das equipas) que se encontram num ponto “mágico”: o meio. E é aí que nasce a verdadeira mudança – não imposta, mas integrada.
O nosso trabalho atua em duas dimensões: visão e vibração. Trabalhamos a clareza estratégica e o propósito com equipas de liderança. Ao mesmo tempo, ativamos o sentir, a escuta e a relação entre as equipas operacionais. E sim, existem diferenças culturais – e ainda bem. Em Espanha, há mais energia imediata; em Portugal, mais ponderação reflexiva. Ainda assim, usamos essas nuances a nosso favor.
Quais as prioridades estratégicas da beBolder para os próximos anos e como antecipa a evolução da gestão de RH, especialmente na integração de práticas holísticas e espirituais?
As nossas metas são expandir parcerias alinhadas, normalizar a espiritualidade nas empresas e crescer com terapeutas e consultores vibracionalmente compatíveis. Os RH tornar-se-ão guardiões de cultura e consciência. O futuro será vibracional – ou não será.
beBolder
- Fundação: 2020
- Colaboradores: 1 direto + 7 indiretos
- Serviços: transformação cultural, programas de bem-estar organizacional (Embrace U), retiros e, entre outros, workshops
- Principais clientes: Wizink, Worten, Kiabi e BPI
Artigo publicado na edição 160 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2025
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