Àmedida que a tecnologia acelera e redefine, quase diariamente, a forma como trabalhamos, aumenta também a urgência de perceber o que mantém as organizações verdadeiramente humanas. Foi neste contexto que a RHmagazine, em parceria com a CoachHub, reuniu recentemente no InterContinental Lisbon um grupo exclusivo de profissionais de RH para uma conversa inadiável.
O desafio era claro, embora tudo menos simples: entender como o coaching e a IA podem coexistir para impulsionar organizações mais ágeis e preparadas para a mudança. A sessão de abertura ficou a cargo de Bruna Silva, Enterprise Account Executive da CoachHub para a Iberia & LatAm, que definiu o tom do encontro e apresentou a dimensão global da plataforma. “Somos uma plataforma de coaching digital com presença global, que ajuda os clientes no desenho e implementação de programas de coaching das mais diversas formas”, afirmou, realçando ainda os “mais de quatro mil coaches certificados pela ICF, em seis continentes, 90 países e 83 idiomas”.
Reforçou também que a missão da CoachHub é tornar o coaching acessível e relevante para diferentes níveis e realidades dentro das empresas, lembrando que a plataforma já apoiou “mais de mil clientes e 60 mil coaches”.
O primeiro momento de reflexão do dia chegou com o painel “Histórias que Transformam: O Coaching como Motor do Crescimento Organizacional”, moderado por Cristina Martins de Barros, Diretora da RHmagazine, e por Bruna Silva. Contou com os contributos de Madalena Carvalho, Professional Certified Coach e Presidente da ICF Portugal, José Tomás Ruano, Diretor de Talento, Desenvolvimento e Cultura do Santander Portugal, e Cristina Mateus, Diretora de Desenvolvimento e Talento da Auchan Retail Portugal.
Mentoring vs. coaching
Do lado da ICF Portugal, Madalena Carvalho começou por clarificar o que distingue o coaching de outras práticas. Recorrendo à definição oficial da ICF, descreveu o processo como “uma parceria em que o cliente é estimulado para uma ação e uma reflexão sobre a situação em que está”.
Destacou também a diferença face ao mentoring, onde “o mentor tem um conhecimento e uma experiência superior”. No coaching, reforçou, “não existe essa diferenciação – não há qualquer elevação do coach em relação ao cliente”.
Já José Tomás Ruano, do Santander Portugal, chamou a atenção para a diferença entre trabalhar com um coach interno ou externo, lembrando que, quando o processo acontece dentro da organização, podem surgir receios associados à confidencialidade. Confirmou explicou, vão ser faladas “coisas que podem ser sensíveis, de pontos de melhoria que, muitas vezes, não partilha com ninguém – apenas com o coach”.
Da Auchan Retail Portugal, Cristina Mateus evidenciou a confiança como a base de qualquer processo de coaching. “Esta relação de confiança é o pilar para que o processo e a dialética entre coach e coachee sejam verdadeiramente positivas”, disse, frisando que os resultados têm impacto “não só no próprio, mas também na equipa e na organização”.
Acrescentou ainda que, sendo um processo dinâmico, o coaching exige estrutura, “objetivos muito claros” e alinhamento com o momento de desenvolvimento de cada colaborador – seja “um jovem talento a acelerar a carreira” ou “um líder mais maduro que está a transitar para outra missão”.
AIMY: tecnologia com propósito
A manhã avançou com a apresentação “AI + Human Expertise: O Futuro do Coaching com AIMY”, conduzida por Hilary Aylesworth, Chief Product and Technology Officer da CoachHub. A responsável detalhou o papel crescente da IA no desenvolvimento humano e explicou como a plataforma cruza algoritmos avançados com a experiência de coaches certificados para criar programas mais personalizados, eficazes e escaláveis. Demonstrou ainda de que forma a AIMY – a solução de IA da CoachHub – está a ajudar organizações a construir jornadas de aprendizagem contínua, mantendo sempre o elemento humano no centro do processo.
Hilary Aylesworth fez questão de frisar que a tecnologia não substitui o papel do coach, mas amplia o seu alcance. “A IA permite identificar padrões e necessidades de desenvolvimento de forma mais rápida e precisa”, referiu, apontando que o objetivo é “libertar tempo para que o coach possa focar-se no que realmente importa: a profundidade da conversa humana”. A responsável destacou também a importância da ética na utilização destes sistemas, dizendo que “transparência, consentimento e confiança são princípios inegociáveis em qualquer solução que envolva pessoas e dados”.
As reflexões reunidas ao longo deste pequeno-almoço serão agora desenvolvidas num dossier especial da edição 162 da RHmagazine, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2026.
Espreite abaixo algumas das imagens do encontro:
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