A transformação do mercado de trabalho já não é uma hipótese distante – é uma realidade incontornável dos dias de hoje. A inteligência artificial, a digitalização e a transição verde deixaram de ser tendências futuras para se tornarem motores ativos de mudança que exigem ação imediata.
Em Portugal, o desafio é claro: até 2030, 71% dos trabalhadores terão de adquirir novas competências, um valor bastante superior à média global de 58%, segundo o Relatório Future of Jobs 2025 do World Economic Forum. Esta diferença ilustra o nível de pressão acrescido a que estaremos sujeitos em Portugal.
Perante este cenário, a requalificação deixou de ser uma opção estratégica – é uma necessidade imediata para assegurar a competitividade, a inclusão e a capacidade de adaptação dos portugueses num mercado de trabalho em profunda evolução. E este não é apenas um desafio do mercado de trabalho.
É um imperativo social, económico e humano. Não se trata apenas de acompanhar a evolução. Trata-se de liderar a adaptação, apostando desde já na requalificação e no desenvolvimento de novas capacidades.
Num processo de transformação acelerada, em que as competências exigidas pelas empresas evoluem mais rapidamente do que as competências disponíveis na sociedade, é fundamental unir esforços para garantir que ninguém fica para trás.
Estando conscientes e comprometidos com esta missão de não deixar ninguém para trás, era urgente encontrar uma solução que contribuísse para este desafio social, ligando talento, formação e oportunidades de crescimento profissional.
Foi com este espírito que nasceu a New Career Network (NCN): uma plataforma que coloca a tecnologia ao serviço da requalificação e da empregabilidade. A plataforma está presente em Portugal e Espanha, desde outubro de 2024.
Em Portugal, a NCN já reúne mais de 12 mil utilizadores registados, conta com 18 entidades formadoras de referência e disponibiliza 71 cursos em áreas estratégicas como Digital, Saúde, Indústria, Agricultura, Marketing, Turismo, Construção, Educação e Green Jobs.
Recorrendo a inteligência artificial, a NCN propõe percursos formativos personalizados, ajustando a aprendizagem às competências, interesses e experiências de cada pessoa. A plataforma liga os utilizadores a formações reconhecidas pela sua qualidade e elevada taxa de empregabilidade. Todos os cursos disponíveis na NCN garantem uma taxa mínima de empregabilidade de 70%. Isto significa que, em cada formação, pelo menos 70% dos formandos são recrutados pelas empresas, comprovando que a qualidade dos cursos é validada diretamente pelo mercado de trabalho.
Adicionalmente, a plataforma propõe aos utilizadores as vagas de emprego mais ajustadas com o seu perfil e com as suas competências e alinhadas com a nova carreira que pretendem seguir, apoiando uma transição profissional mais rápida e eficaz.
Na NCN, cada profissional é encarado como um potencial agente de mudança. A plataforma não é apenas um catálogo de cursos ou de vagas de emprego: é um ecossistema dinâmico que integra aprendizagem, orientação profissional e ligação ao mercado de trabalho, promovendo percursos de requalificação com impacto real e procurando fomentar a empregabilidade.
Se até há alguns anos aceitávamos que já não existia um emprego para a vida, hoje vivemos um novo paradigma: já não há, sequer, uma carreira para a vida. Mudar de carreira deixou de ser uma exceção para se tornar a regra num mundo em constante transformação.
Quem quiser manter-se relevante não pode ficar parado – será preciso reinventar-se uma, duas, três ou mais vezes ao longo da vida ativa. Esta realidade exige também um novo olhar sobre a educação: não como um momento isolado de partida ou de chegada, mas como um processo contínuo de adaptação e crescimento. O Lifelong Learning (aprendizagem ao longo da vida) deixou de ser uma tendência ou uma escolha; passou a ser uma necessidade.
A experiência mostra-nos que as soluções tradicionais já não são suficientes. Precisamos de percursos de aprendizagem mais flexíveis, acessíveis e relevantes, capazes de preparar a sociedade para as imprevisibilidades do mercado de trabalho. E, acima de tudo, precisamos de devolver às pessoas a confiança de que é possível recomeçar. Mas este desafio não pode ser enfrentado apenas pelos profissionais. As empresas têm de assumir um papel ativo, sob pena de também elas ficarem para trás num mercado em transformação.
As empresas parceiras da NCN reconhecem que investir em profissionais bem preparados é uma alavanca de competitividade e inovação. E queremos ir mais longe. Queremos desafiar todas as empresas, entidades públicas, formadores e cidadãos a juntarem-se a este movimento de transformação positiva.
Vivemos uma mudança profunda no mundo do trabalho, mas também cheia de novas possibilidades. De acordo com o World Economic Forum, até 2030 surgirão 170 milhões de novos empregos – muitos deles em áreas que estão agora a emergir. E o futuro é promissor: o saldo líquido entre os empregos que surgem e os que desaparecem é positivo, estimando-se um ganho global de 78 milhões de postos de trabalho. Para aproveitarmos plenamente este potencial, é essencial começarmos hoje a preparar as pessoas.
Requalificar é valorizar. E valorizar as pessoas é, sempre, o melhor investimento para construir uma sociedade mais justa, dinâmica e sustentável.
O futuro será de quem tiver a coragem de aprender. E de reaprender!
Autora: Carla Sousa, New Career Network (NCN) manager
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