A multinacional francesa recebeu, ontem, nas suas instalações, em Lisboa, 120 estudantes de Engenharia Informática e Telecomunicações, para que, através de uma iniciativa “inédita”, conhecessem a empresa e os projetos que desenvolve.
A Altran abriu, ontem, as portas de casa, em Lisboa, a 120 estudantes e recém-licenciados em Engenharia Informática e Telecomunicações, do Instituto Superior Técnico, Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, ISCTE, da Nova Information Management School, Universidade Lusófona de Lisboa, do Instituto Politécnico de Leiria, Instituto Politécnico de Castelo Branco e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A iniciativa é inédita, dá pelo nome de Ignition Day e pretende dar a conhecer aos jovens a multinacional francesa, que, no próximo ano, ambiciona empregar 2500 colaboradores. É uma meta que, para ser alcançada, requer os “melhores profissionais”, porque a Altran não se preocupa só com o volume. “Estamos muito preocupados com a qualidade que nos diferencia no mercado”, disse Alexandre Ruas, diretor de telecom & media, ao InfoRH, que o entrevistou à margem do evento, que contou com a presença de Zé Pedro Cobra, advogado, orador e humorista, de profissionais da Altran, que partilharam com os jovens talentos a sua experiência em telecomunicações, com uma exposição da Fundação Portuguesa de Telecomunicações e com o Model S da Tesla.
A Altran tem vindo a desenvolver algumas iniciativas que pretendem dar a conhecer a empresa aos jovens talentos. Que estratégia está por detrás desses eventos?
Nós temos tentado fazer uma série de iniciativas que visam, sobretudo, atingir os jovens que vão iniciar a sua atividade profissional, quer sejam engenheiros, quer venham de cursos técnicos profissionalizantes, porque a verdade é que já temos cursos técnicos muito bem pensados e que, de alguma forma, respondem às necessidades do mercado. O mercado académico é, de alguma forma, reduzido para a procura que necessitamos neste momento. A Altran é uma empresa que atua na área de engenharia e inovação e, nos últimos três anos, tem vindo a crescer rapidamente e de uma forma muito substancial, porque também nos posicionamos, na minha opinião, inteligentemente, no mercado de exportação dos nossos serviços. Até há bem pouco tempo, não trabalhávamos o nosso brand awareness e, portanto, como atuamos no setor B2B, não havia muita gente que nos conhecesse a não ser que estivesse no nosso meio. Aquilo que estamos a tentar fazer é abrir as portas da nossa casa, literalmente, e dar a oportunidade a que alunos e formandos que frequentam diferentes cursos tecnológicos conheçam aquilo que, na nossa opinião, é o melhor que se faz em engenharia, em Portugal. Hoje, somos uma empresa de dois mil colaboradores, em Portugal, e temos uma expectativa muita elevada de virmos a ser 2500 no próximo ano, mas para conseguirmos alcançar este objetivo precisamos de ter os melhores profissionais do nosso lado, porque não estamos só preocupados com o volume. Estamos muito preocupados com a qualidade que nos diferencia no mercado. Até agora tem sido esse o fator que nos posiciona onde nos encontramos globalmente. Importa recordar que a Altran está em 40 países e trabalhamos para eles desde Portugal, o que é uma bandeira e um marco muito importante para o país. É uma forma de nos mostrarmos lá fora e de mostrarmos o que os nossos recursos mais valiosos, as pessoas, de uma forma organizada e estruturada, com uma visão e estratégia, têm oportunidade de fazer.
E como é que surgiu o Ignition Day?
O Ignition Day é inédito. Estamos a ser arrojados e decidimos que, se queremos que as pessoas nos conheçam, e considerando que os nossos produtos e serviços não se encontram numa prateleira de supermercado, as iríamos trazer para dentro da nossa casa, porque não conseguimos ter, com elas, um contacto directo, porque o nosso mercado é o empresarial. Desta vez houve um fator que nos diferenciou e que nos permitiu ter aqui 120 alunos. Decidimos, pela primeira vez, estabelecer parcerias. Achamos que o futuro vai ser muito dado a crescimento alavancado em parcerias. Muito dificilmente uma empresa sozinha sobrevive e nós sabemos disso e quisemos inovar desse ponto de vista. Trouxemos a Tesla, que é também líder em inovação no setor automóvel, trouxemos a Have a Nice Day, que é uma empresa de comunicação e que sabe perfeitamente como lidar com jovens e como criar uma visão do que queremos comunicar e partilhar, e a Fundação Portuguesa das Telecomunicação, que nos cedeu uma exposição acerca da história e evolução das telecomunicações em Portugal. Trouxemos para dentro de nossa casa o Zé Pedro Cobra, com uma razão muito específica. É um excelente orador, sabe desafiar possíveis e futuros colaboradores da empresa com um humor muito inteligente, mas o que mais me cativou, e que está alinhado com a estratégia da Altran, foi o seu projeto de responsabilidade social. O valor que vai receber por estar aqui será revertido a 100% para uma associação e, portanto, até com este tipo de iniciativas, muito corporativas, podemos ajudar quem mais precisa. É muito reconfortante sentir que todos responderam ao nosso pedido. O elo entre o Governo, empresas públicas, privadas e universidades é a chave para o sucesso do país. Só por essa razão é que aqui temos 120 alunos.
Dizia que o mercado académico é, de alguma forma, reduzido para a procura que necessitam. Há, efetivamente, uma procura que suplanta a oferta?
Sim, é incontornável. O nosso mundo voltou para o digital de uma forma muito abrupta e todo o nosso modelo académico deverá ser posto em causa. Mesmo as atividades que, no passado, eram menos tecnológicas, hoje passaram a usufruir deste domínio e da tecnologia digital no seu dia-a-dia, o que faz, também, mudar o mercado de trabalho. Ou começamos a mudar desde a base, ou vamos ter sempre um problema mais à frente na cadeia, que é a falta de recursos, porque quase toda a nossa atividade, não só aquela que é muito focada no desenvolvimento tecnológico, já está muita assente em domínios como o digital. Se não repensarmos todo o modelo desde o início, considero que vamos continuar a ter dificuldades em ter a oferta necessária do ponto de vista de recursos para colmatar aquilo que será o futuro das necessidades em Portugal.
É isso que fazem com as Academias Altran?
Com a Academia do Código, por exemplo, sim. O que nós queremos é requalificar perfis. Vamos imaginar que estamos numa balança demasiado desequilibrada do ponto de vista da procura e oferta. Procuramos pessoas com uma grande vontade de se envolverem neste mundo, com formação académica em áreas díspares daquelas que necessitamos. O que damos são bases para que as pessoas possam trabalhar e fazer uma reinvenção da sua carreira e, no final do dia, se estamos a dizer que queremos ajudar a Altran a continuar a desenvolver-se, também queremos tornar as pessoas mais felizes e com um futuro, esperamos nós, mais brilhante, porque estamos a dar oportunidades a pessoas que vêm de áreas diferentes, que não têm tanta saída, ou que precisam de se reinventar do ponto de vista profissional por qualquer motivo.
As iniciativas que a Altran tem vindo a desenvolver, como o Ignition Day, terão continuidade?
Sim. Temos toda a nossa organização envolvida em tentar, digamos, ter soluções, que vão desde reuniões de alto nível com a nossa CEO e altos membros do Governo, em pensar em novas formas de estar no mundo académico, até ter um plano de continuidade, portanto não são ações pontuais. Temos uma ambição de poder contribuir para que Portugal continue a ser esta plataforma tecnológica para a Europa e temo-nos afirmado desse ponto de vista. Todos devemos estar orgulhosos do que temos feito no país. Temos, também, algumas iniciativas mais específicas, até do ponto de vista da homogeneidade da empresa. As áreas tecnológicas, hoje, são conhecidas por serem áreas onde o sexo masculino está muito presente. A nossa CEO tem, também, a preocupação de tentar ter níveis de igualdade diferentes dos atuais. É um ponto estratégico e que está no centro da nossa missão. Tudo faremos para ajudar Portugal a preservar esta ligação, a mantê-la e se possível, como plataforma para a Europa, conseguir melhorar ainda mais o seu posicionamento tecnológico.
Atualmente, que tendências caracterizam o mercado das telecomunicações?
Em Portugal, como está a acontecer um pouco pela Europa e pelo mundo, existem algumas tecnologias emergentes e que, de uma forma muito inteligente, estamos a conseguir posicionar-nos para as liderar. Estou a falar de tecnologias como o 5G, e estamos envolvidos num projeto muito grande de investigação em Portugal para tentar construir orquestradores de redes autonómas, estamos a falar de tecnologias como advanced analytics e inteligência artificial, que tipicamente são chavões que toda a gente fala, mas que nós, Altran Portugal, temos provas dadas, soluções construídas e que já agregam um valor enorme aos nossos clientes. Queremos movimentar-nos nestas áreas que são emergentes e é nestas streams que queremos andar, porque acreditamos que vão ser elas que vão revolucionar a forma como iremos estar daqui a 20 anos.