Há novas expressões a ecoar pelos corredores das empresas. A mais recente é vibe working, importada do mundo da programação e que rapidamente se tornou símbolo de uma cultura empresarial em mutação. Nessa cultura, a inteligência artificial generativa (GenAI) executa o que é técnico e repetitivo, enquanto os humanos ficam encarregues de dar sentido, visão e propósito ao que a máquina produz.
O conceito tornou-se tão popular que algumas empresas começaram a integrá-lo. A Microsoft, por exemplo, lançou recentemente o que chama uma funcionalidade do Word e do Excel que utiliza ferramentas de GenAI para criar textos e folhas de cálculo a partir de instruções simples.
Outras empresas seguiram o mesmo caminho. A aplicação Mea lançou um feed com vídeos gerados por IA, enquanto a plataforma Sora está a dar origem a uma nova figura no ecossistema digital. Chama-se vibe creator e produz conteúdos com recurso à IA.
Em muitas organizações, multiplicam-se ainda os vibe checks, pequenas reuniões destinadas a aferir o “estado de espírito” das equipas. Outras foram mais longe e criaram cargos como Chief Vibe Officer. A Smirnoff chegou a “nomear” o cantor Troye Sivan para o cargo, enquanto a empresa de software Atlassian criou uma versão rotativa da função para fortalecer os laços entre equipas.
Mas o entusiasmo pelo vibe working também expõe uma contradição. De acordo com um relatório da Microsoft, mencionado pelo Business Insider, 71% dos líderes empresariais preferem contratar candidatos com menos experiência, desde que saibam utilizar IA, em vez de profissionais mais experientes sem esse domínio. Contudo, apenas um terço dos trabalhadores recebeu formação formal nesta área, segundo dados da organização Jobs for the Future. O resultado, por vezes, é o workslop, ou seja, trabalho rápido e feito por IA, mas sem rigor ou substância.