A Brand Finance, empresa de consultoria de avaliação de marcas, divulgou o seu mais recente ranking anual “Brand Finance Global 500”, onde elenca as 500 marcas mais valiosas do mundo. Como já era de esperar, a Apple ocupa o topo da tabela, com uma valorização recorde de mais de 355 mil milhões de dólares. O setor tecnológico continua a ser o mais valioso e a indústria farmacêutica regista o crescimento mais rápido dos últimos dois anos. A Mercedes-Benz é a marca mais valiosa a nível europeu.
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nualmente, a Brand Finance – empresa de consultoria de avaliação de marcas – analisa 5.000 das maiores marcas e publica perto de 100 relatórios, classificando as marcas em todos os setores e países. As 500 marcas mais valiosas do mundo estão incluídas no ranking anual “Brand Finance Global 500”. Tecnologia, retalho, indústria farmacêutica, turismo… A RHmagazine apresenta-lhe as marcas mais poderosas dos diversos setores.
Tecnologia: A medalha de ouro vai para… Apple!
A Apple, como é já habitual nesta avaliação, manteve o título da marca mais valiosa do mundo, após um aumento de 35% para 355,1 mil milhões de dólares – o maior valor de marca alguma vez registado no ranking “Brand Finance Global 500”.
O iPhone ainda é responsável por cerca de metade das vendas da marca. Contudo, em 2021, a Apple focou as atenções no seu outro conjunto de produtos com uma nova geração de iPads, uma atualização do iMac, e a introdução de AirTags (acessórios que permitem localizar dispositivos ou objetos). A sua gama de serviços, desde Apple Pay à Apple TV, também tem vindo a ganhar força e a tornar-se cada vez mais importante para o sucesso da marca.
Ciente da importância que temas como a privacidade e a sustentabilidade têm ganho, a marca tem apostado numa maior transparência da política de privacidade da App Store e no anúncio de que mais parceiros de fabrico da Apple irão passar a ter 100% de energia renovável, uma vez que a empresa pretende atingir a neutralidade de carbono até 2030.
“A Apple comanda um nível surpreendente de fidelidade à marca, em grande parte graças à sua reputação de qualidade e inovação. Décadas de trabalho árduo no aperfeiçoamento da marca viram a Apple tornar-se um fenómeno cultural, o que lhe permite não só competir, mas também prosperar num enorme número de mercados. Com vários rumores sobre a sua incursão em veículos elétricos e realidade virtual, [a marca] parece estar pronta para um novo salto”, diz David Haigh, Presidente & CEO da Brand Finance.
A Amazon e o Google também registaram bons níveis de crescimento, mantendo ambos os seus lugares no ranking “Brand Finance Global 500” atrás da Apple, no 2.º e 3.º lugar, respetivamente.
A Amazon juntou-se à Apple ao cruzar a marca de 300 mil milhões de dólares com um aumento de 38% para 350,3 mil milhões de dólares. Desde junho de 2021, a empresa contratou 133.000 novos empregados e anunciou recentemente planos para contratar mais 125.000, em antecipação do crescimento contínuo.
Por sua vez, o Google registou um crescimento semelhante de 38% para 263,4 mil milhões de dólares. A marca depende da publicidade para a grande maioria das suas receitas e foi prejudicada no início da pandemia, uma vez que os gastos com publicidade caíram devido à incerteza. No entanto, à medida que o mundo se adaptava ao novo normal, e com as pessoas a passarem cada vez mais tempo online, o negócio da Google recuperou.
O setor tecnológico é mais uma vez o mais valioso no ranking “Brand Finance Global 500”, com um valor acumulado de cerca de 1,3 triliões de dólares, muito motivado pelas três grandes marcas intervenientes: a já referida Apple, a Microsoft (que ocupa o 4.º lugar da classificação) e a Samsung (6.º lugar). As três representam, em conjunto, mais de 50% do valor total do setor.
A Huawei conseguiu recuperar o seu lugar entre as 10 marcas mais valiosas do mundo, após um crescimento de 29% para 71,2 mil milhões de dólares, ocupando a 9.ª posição.
Retalho, o segundo maior setor do ranking
O setor retalhista cimentou a sua posição como o segundo mais valioso no ranking, cruzando pela primeira vez a marca de um trilião de dólares.
Antes da pandemia, o retalho era o terceiro setor mais valioso atrás da banca, mas um “boom” no e-commerce fez com que se destacasse. Ao longo da pandemia, o retalho tem sido a indústria com maior crescimento, com um aumento de 46% – ultrapassando os setores da tecnologia e dos media que cresceram 42% e 33%, respetivamente.
Neste setor, destaca-se a cadeia de lojas Walmart, ocupando o seu lugar no ‘top 5’, após um aumento de 20% no valor da marca para 111,9 mil milhões de dólares.
“Aqueles que demonstraram agilidade na adaptação e utilização da tecnologia impressionaram com ganhos sólidos. A transformação da indústria para satisfazer as necessidades em evolução dos seus clientes lançou as sementes para a prosperidade tanto a curto como a longo prazo”, refere David Haigh, a respeito deste setor.
Olá COVID-19, olá ‘boom’ da indústria farmacêutica
Sem surpresas, o setor farmacêutico tem vivenciado um crescimento mais rápido nos últimos dois anos do que qualquer outro setor. O número de marcas farmacêuticas no ranking duplicou de quatro para oito, com uma valorização de 54,0 mil milhões de dólares (94%).
As marcas que produziram vacinas COVID-19 registaram os maiores aumentos. A Johnson & Johnson continua a ser a mais valiosa, com um aumento do valor de marca de 24% para 13,4 mil milhões de dólares. A AstraZeneca garantiu o título de marca de maior crescimento do setor, com um notável aumento de 77% para 5,6 mil milhões de dólares, seguida pela Pfizer como a segunda marca de maior crescimento.
“A produção de vacinas eficazes tem sido fundamental para a recuperação da economia global. Isto resultou não só num aumento das receitas, mas também numa melhor perceção e reputação global das marcas na indústria farmacêutica, o que levanta questões interessantes sobre a sua potencial aplicabilidade em setores adjacentes”, acrescenta o CEO & Chairman da Brand Finance.
A recuperação gradual do turismo
O valor global de marca da indústria do turismo ainda está em queda quando comparado com as avaliações pré-pandémicas, com o número de marcas representadas no “Brand Finance Global 500” a cair de 15 para nove. No entanto, num sinal promissor de recuperação, todas as marcas da indústria que aparecem no ranking deste ano viram um crescimento positivo.
O setor hoteleiro registou o nível de crescimento mais rápido, com as duas marcas no ranking, Hilton (+58% para 12,0 mil milhões de dólares) e Hyatt (+26% para 5,9 mil milhões de dólares).
As marcas Delta (7,3 mil milhões de dólares), American Airlines (6,3 mil milhões de dólares), United Airlines (5,5 mil milhões de dólares), Emirates (5,0 mil milhões de dólares), e Southwest Airlines (4,9 mil milhões de dólares) viram um aumento no valor da marca à medida que as viagens internacionais e domésticas aumentavam, embora nenhuma tenha ainda recuperado para o seu nível pré-pandémico. A situação é semelhante para a plataforma de reservas online Booking.com (8,7 mil milhões de dólares) e para a empresa de aluguer de automóveis Enterprise (7,1 mil milhões de dólares).
“É um sinal promissor de recuperação no setor do turismo, apesar das restrições intermitentes ainda em vigor em todo o mundo. A recuperação foi sem dúvida dificultada por surtos de variantes, no entanto, à medida que o mundo se adapta à vida com a COVID-19, não há razão para que a indústria do turismo não possa voltar a voar”, conclui David Haigh.
Mercedes-Benz, a marca mais valiosa da Europa
Com uma valorização de 60,7 mil milhões de dólares, a Mercedes-Benz é mais uma vez a marca mais valiosa da Europa. Em 2021, a Mercedes-Benz lançou a sexta geração da série C com um novo design de interiores e está a planear a implementação de características de condução autónoma. Adicionalmente, está a aumentar a tendência de toda a indústria para uma transição para veículos elétricos e uma abordagem sustentável à produção e distribuição. A empresa confirmou que as suas vendas de veículos elétricos registaram um aumento de 90% em 2021.