A Manpower alerta que o mercado de trabalho enfrenta uma escassez de talento histórica (77% a nível mundial e 84% em Portugal), a mais elevada dos últimos 17 anos a nível global.
De acordo com as conclusões do grupo, resultado do estudo “O Futuro do Trabalho tem huManpower”, as empresas estão cada vez mais abertas a reverem as suas estratégias de talento, abrindo oportunidades a candidatos não tradicionais ou com interrupções no seu percurso de carreira.
Criar oportunidades para trabalhadores senióres, com experiências de trabalho e de vida inestimáveis, assim como para pessoas com um perfil de competências adquirido de forma não tradicional, como por exemplo através do gaming.
“O futuro do trabalho revela-se humano, verde e mais tecnológico, sendo muito importante que tanto as empresas como os profissionais se consigam adaptar rápida e agilmente a estas transformações, que devemos encarar como oportunidades para um futuro ainda mais promissor”, explica Daniela Lourenço, Brand Leader da Manpower.
Neste sentido, o estudo da Manpower “O Futuro do Trabalho tem huManpower”, destaca as nove principais tendências que as empresas deverão ter em conta para responder aos desafios e mudanças constantes no mundo do trabalho:
Escassez de talento e excesso de procura
A escassez de talento continua a representar um desafio para as empresas que revelam não conseguem encontrar os profissionais com as competências de que necessitam.
Como explica a Manpower, a aposta na capacitação das equipas – através de programas de upskilling e reskilling – tem ganho força como estratégia para responder ao atual desencontro de competências.
Segundo dados do Talent Shortage Survey 2023, desenvolvido pelo ManpowerGroup, 76% dos empregadores afirmam planear investir na formação das suas equipas, para que os profissionais consigam desenvolver as competências necessárias para responder aos desafios emergentes.
A vantagem das soft skills
Encontrar talento com a formação técnica adequada tornou-se uma das principais preocupações para quem contrata.
Ainda assim, emerge cada vez mais a procura por candidatos que se destaquem pelas suas competências humanas – as chamadas soft skills ou human skills – em praticamente todos os setores.
Competências como a Comunicação, a Colaboração e o Trabalho em Equipa são, segundo a Manpower, as soft skills mais valorizadas, com 46% dos empregadores a referir que estes são os atributos mais importantes a considerar durante o processo de recrutamento.
Além destes, destacam-se ainda competências como o Raciocínio e a Resolução de Problemas, fundamentais para 34% das empresas, e a Resiliência e Adaptabilidade, referidas por 32% dos empregadores.
Tendência 3: Explorar novas bases de talento
O desafio da escassez de talento a nível global tem vindo a incentivar as empresas a apostar em candidatos ‘não tradicionais’, explorando novas bases de talento.
“Os empregadores têm vindo a revelar-se mais dispostos a apostar em candidatos sénior e candidatos com percursos profissionais com interrupções, que podem ser requalificados e trazer competências diferenciadas para desempenhar as funções necessárias”, sublinha a Manpower no estudo.
De facto, 35% das empresas inquiridas afirma estar hoje mais disposta a contratar talento sénior.
Tendência 4: Equilíbrio, clareza e carreiras – As chaves para a produtividade
O fim da pandemia abriu portas ao regresso ao trabalho presencial enquanto estratégia para aumentar a produtividade dos colaboradores.
Contudo, apenas 20% dos empregadores do estudo acreditam que a colaboração presencial é um dos principais impulsionadores da produtividade, face aos 46% que consideram que promover o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o mais importante fator gerador de maior produtividade.
A par deste elemento de conciliação, o desenvolvimento profissional e a criação de objetivos e metas claros são considerados pela Manpower como os elementos mais importantes para promover um ambiente de trabalho produtivo e motivador, com 44% e 38% dos empregadores a destacar estas medidas, respetivamente.
Tendência 5: A nova força de trabalho “verde”
A urgência global no combate às alterações climáticas, aliada à maior procura por produtos sustentáveis, aos incentivos governamentais e às expectativas dos clientes, está a acelerar a transição para uma economia e modelos de negócio verdes.
“Neste sentido, aumenta a necessidade de as empresas encontrarem talento com green skills, capaz de responder aos novos desafios inerentes a praticamente todos os setores – 65% dos empregadores nacionais afirmam estar já a recrutar para funções e competências verdes, ou planeiam fazê-lo futuramente”, acrescenta a Manpower.
Embora esta seja uma tendência verificada em todos os setores a nível global, é na Indústria e Produção (36%) que os empregadores mais procuram profissionais para funções/competências verdes em funções técnicas especializadas, segundo o Green Jobs Report do ManpowerGroup. Segue-se o setor das Operações e Logística, com 31%, e as áreas relacionadas com as Tecnologias da Informação e Data, com 30%.
Tendência 6: Inteligência Artificial e Realidade Virtual no dia-a-dia dos trabalhadores
A disrupção tecnológica tem vindo a moldar fortemente os modelos de negócio, com um aumento das preocupações relativas ao impacto das novas tecnologias no número de empregos.
Ainda assim, 58% dos empregadores revelam-se otimistas em relação ao impacto positivo de tecnologias como a Inteligência Artificial e a Realidade Virtual na criação de emprego, segundo dados do Immersive Tech Report da Experis.
Estas tecnologias já estão, inclusive, a integrar processos de recrutamento, permitindo automatizar as suas etapas iniciais, e dotando as organizações de perfis de candidatos ajustados, mais rapidamente e com mais qualidade.
Para além disso, segundo dados do mesmo estudo, mais de dois terços dos recrutadores acreditam ainda que a introdução da IA nos processos de seleção permitirá remover preconceitos subconscientes na escolha dos candidatos, criando oportunidades que sejam igualmente acessíveis a todos.
Os empregadores acreditam, assim, que estas tecnologias mais avançadas tornar-se-ão parte do dia-a-dia dos trabalhadores, mas que não irão eliminar empregos, mas sim criá-los de forma mais justa.
Tendência 7: Gamers, prontos para jogar?
Áreas como o gaming e os e-sports revelam ser também um ponto a considerar pelos empregadores nos seus processos de atração de talento.
De acordo com um assessement desenvolvido pelo ManpowerGroup – o Gaming Skills Translator –, estes jogos contribuem para o desenvolvimento de competências humanas como a capacidade de aprendizagem, o pensamento crítico, o raciocínio e o trabalho em equipa.
Por este motivo, atualmente, 57% dos empregadores a nível global afirma que consideraria as competências de gaming no processo de recrutamento, e 65% afirma que o fará no futuro.
Tendência 8: Procuram-se Gen Z e Millennials com competências de colaboração
As diferentes gerações têm diferentes características e aportam valores diferentes às suas empresas e funções.
Quando questionados sobre as competências humanas mais importantes para candidatos da Geração Z (pessoas entre os 11 e os 26 anos), 34% dos empregadores identificaram a Aprendizagem Ativa e a Curiosidade como as competências humanas mais importantes.
Skills como a Colaboração e o Trabalho em Equipa, a Originalidade e a Criatividade foram também apontadas como fundamentais para 30% e 24% dos recrutadores, respetivamente.
Já no que respeita aos candidatos Millennial, com idades entre os 27 e os 42 anos, a Colaboração e o Trabalho em Equipa são também muito valorizados, com 29% das empresas a destacar estas competências, a par da Responsabilidade e Fiabilidade, e do Raciocínio e Resolução de Problemas, referidas por 25% dos empregadores.
Tendência 9: Procuram-se formadores da Geração X e Baby Boomers
Nos candidatos e trabalhadores mais velhos são especialmente valorizadas as competências de formação e liderança.
Para a geração compreendida entre os 43 e os 58 anos – a Geração X – a Formação e o Mentoring são as competências humanas mais valorizadas, sendo referidas por 35% dos empregadores. Seguem-se a Liderança e Gestão, mencionadas por 26%, e da Colaboração e Trabalho em Equipa, por 25% das empresas.
Ao mesmo tempo, a Formação e o Mentoring, referidas por 32% dos recrutadores, a Colaboração e Trabalho em Equipa, por 22%, e a Responsabilidade e Fiabilidade, destacadas por 21%, lideram a lista para os Baby Boomers, com idades entre os 59 e os 77 anos.
O estudo completo pode ser consultado a partir deste link.