![]()
Autora: Leandra Dias, Product Owner RH na Cegid
O cliente atual não é o mesmo de há 10 anos. Também os processos negociais, de vendas, de Marketing e de produção sofreram alterações profundas e exigem uma constante adaptação para que as empresas continuem a ser competitivas. Tudo isto leva ao tema da transformação digital e do que isso significa para a produtividade e competitividade do tecido empresarial.
O impacto da transformação digital nas empresas e nos colaboradores
Esta transformação tem sido sentida em várias profissões e várias áreas têm visto uma aproximação cada vez maior à Inteligência Artificial, fazendo com que as tarefas repetitivas e padronizadas passem a ser executadas por bots ou sistemas inteligentes.
Por outro lado, estas alterações têm sido igualmente impactantes nos colaboradores, que já não são apenas fornecedores de mão-de-obra, mas verdadeiros fornecedores de competências, que querem sentir-se ouvidos, parte integrante da organização, contribuir para o seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, já não veem o seu trabalho apenas como fonte de rendimento, mas de concretização pessoal e profissional, de desafio e aprendizagem, de novas experiências.
Em paralelo, as organizações são cada vez mais desafiadas nos processos de captação e de retenção de talentos, devido à cada vez mais evidente escassez de recursos e às dificuldades sentidas na geração de comprometimento dos colaboradores para com a organização. Os colaboradores desafiam mais as organizações e são mais exigentes do que o eram as gerações anteriores. Por isso, o foco tem de estar no colaborador e na experiência que se cria com ele.
Os desafios colocam-se ainda aos gestores, que têm de tomar mais decisões, de forma mais rápida e mais sustentada com uma cada vez menor margem de erro.
O mundo está diferente, a área de Payroll e de gestão de pessoas mais desafiante e as empresas têm de agir e não apenas reagir.
A transformação digital na área de Recursos Humanos
É inegável que a transformação digital na área de Recursos Humanos, ou seja, no contexto de gestão de pessoas e de todos os processos associados (recrutamento, onboarding, execução contratual, processamento salarial, offboarding, gestão de carreira, etc.), têm de estar no centro das prioridades de planeamento das empresas sob pena de não serem atrativas e perderem produtividade e competitividade.
Diria que a transformação digital na área de Recursos Humanos e gestão de pessoas assenta em três pilares fundamentais: automatização de processos, foco na experiência do colaborador e recurso ao People Analytics.
Automatização de processos e tarefas repetitivas
Todos os processos e todas as tarefas repetitivas e padronizáveis devem ser automatizados e executados por bots ou sitemas inteligentes. Falamos de tarefas que não trazem valor acrescentado, que ocupam pessoas e consomem recursos preciosos, necessários para fazer a diferença em áreas que realmente podem trazer mais-valias.
Automatizando processos, aumentamos a disponibilidade dos nossos melhores talentos para se focarem em tarefas diferenciadoras e que trarão ganhos efetivos para o próprio colaborador e para a organização. O colaborador vai sentir-se mais desafiado, mais integrado na organização, sentirá que entrega resultados que realmente fazem a diferença. Já a organização terá ganhos de produtividade, eficiência, redução de custos administrativos, entregas diferenciadoras em áreas chave e colaboradores mais felizes.
Por outro lado, este é um pilar essencial para se executar o segundo pilar – libertar tempo precioso do departamento de RH e gestão de pessoas (anteriormente gasto em tarefas repetitivas) para que se possam focar na experiência do colaborador.
Foco no Employee Experience
Uma grande tendência na área de gestão de pessoas é o foco na experiência do colaborador e a relação que este constrói com a organização, que começa mesmo antes da chegada à empresa. A relação começa a construir-se logo no processo de recrutamento e no onboarding e sabemos que o acolhimento e integração dados ao colaborador são decisivos para a sua retenção. É importante que o colaborador se sinta acolhido, valorizado, que tem margem de progressão, que tem oportunidades e desafios. Estes aspetos são ainda mais valorizados pelas gerações mais jovens.
Então, é essencial este primeiro impacto com o colaborador, mas é necessário manter essa experiência ao longo da relação e isso pode traduzir-se em disponibilizar os recursos necessários aos colaboradores (formações, instrumentos de trabalho adequados, integração em equipas colaborativas e dar autonomia e responsabilidade no trabalho). Criar mecanismos para que os colaboradores possam expor as suas ideias e opiniões com vista a melhorar o funcionamento da empresa; criar planos de desenvolvimento profissional e gestão de carreira, assim como oferecer feedback contínuo e promover interações entre os colaboradores, fazendo-os sentir-se continuamente acompanhados.
Outro aspeto é avaliar quais os benefícios mais valorizados pelos colaboradores e criar políticas salariais e de benefícios extrassalariais atrativos, por exemplo, trabalho híbrido, horários flexíveis, apoios pré-natais e de casamento ou prémios de desempenho, e criar condições para uma harmonização entre vida profissional e pessoal.
Neste sentido, as organizações devem apoiar-se na tecnologia, nomeadamente em plataformas colaborativas de gestão de pessoas, para melhorar o bem-estar dos colaboradores e promover a integração, a colaboração e a transparência em toda a organização.
People Analytics: um aliado na gestão de pessoas
Com o objetivo de otimizar a gestão de pessoas avaliando o comprometimento, a produtividade e a satisfação dos colaboradores, apontando caminhos e apoiando a tomada de decisões e o planeamento estratégico das organizações, o People Analitics é algo que pode revelar-se decisivo para os gestores da atualidade.
Esta é uma área em clara expansão e, numa época em que na tomada de decisão cada minuto faz a diferença e em que os custos associados a uma má decisão ou uma decisão não sustentada são enormes, as mais-valias que estes indicadores trazem são diferenciadoras.
Todos estes pilares são essenciais para uma transformação digital na área dos Recursos Humanos e, para acelerar esse processo, é essencial aliar-se ao melhor parceiro tecnológico.
Atualmente, existem várias soluções cloud colaborativas de gestão de pessoas disponíveis para apoiar as empresas na implementação destes três pilares: automatizar processos eliminando o trabalho repetitivo, permitir o foco nas pessoas e construir uma experiência de utilizador forte e consistente, que permite às empresas tornarem-se em organizações People-first. Ao mesmo tempo, estas plataformas disponibilizam indicadores relevantes para apoiar o processo de tomada de decisão relacionadas com o ativo principal das empresas: as pessoas.