Depois de uma manhã rica em ideias e debates, a Sala Workplace Options manteve o ritmo acelerado durante a tarde do Fórum RH, onde o tema das competências continuou em foco, mas com um olhar mais prático e virado para o futuro: da formação interna à inteligência artificial, passando pelas ferramentas digitais e os novos paradigmas da gestão de benefícios.
Quando o talento não existe… forma-se!
O regresso do almoço trouxe uma mesa redonda que tocou num dos temas mais prementes para as organizações: “Não consigo ter na empresa os talentos e competências que preciso… e nem existem no mercado…” A solução? Formar internamente.
Rita Rodrigues, da Lisnave, falou com clareza da experiência de décadas em que formar dentro de portas não é exceção, mas regra. Já Catarina Pinto, da Leroy Merlin, explicou como a criação de academias internas se tornou um instrumento estratégico, não apenas de capacitação mas também de retenção. Délio Pescada, da Câmara de Albufeira, deu voz ao setor público, salientando que mesmo nas autarquias é possível apostar em planos de formação ajustados às realidades locais. Margarida Segard, do ISQ, foi perentória: “as empresas já são, de facto, Business Partners de formação – falta agora assumirem esse papel com mais ambição e planeamento”.
RH digitalizados: escolha ou inevitabilidade?
A mesa seguinte mergulhou numa das grandes encruzilhadas da função RH: quanto investir em tecnologia e onde investir primeiro? Ana Pinto (IIRH) lançou a provocação: “Estamos a digitalizar por convicção ou por moda?”. Rui Mendes da Costa, das Águas de Portugal, foi pragmático ao explicar que a prioridade deve ser a automatização de tarefas repetitivas para libertar tempo para a gestão humana.
Donato Mingarelli (Cezanne) apontou que a questão já não é se digitalizar, mas como. Um sistema único ou várias ferramentas especializadas? Inês de Castro, da Worten, respondeu com equilíbrio: “não existe uma fórmula mágica – é preciso adaptar as soluções à realidade de cada empresa e à maturidade digital da equipa”. A mesa deixou claro que a tecnologia deve ser aliada, não protagonista.
Benefícios e bem-estar: sim, há uma app para isso
A palestra seguinte trouxe a palco os especialistas da WTW. Ana Amado e José Marques apresentaram uma visão inovadora sobre como a tecnologia pode transformar a forma como gerimos benefícios flexíveis e promovemos o bem-estar financeiro dos colaboradores. Com dados de benchmark internacionais e casos práticos, demonstraram que a digitalização dos benefícios permite maior personalização, transparência e, acima de tudo, maior envolvimento. O destaque foi para a importância de educar financeiramente os colaboradores, uma área ainda pouco explorada em Portugal.
“Stop Hiring Humans”: provocação com propósito
E como fechar uma tarde intensa? Com uma palestra provocadora e visionária de Rogério Canhoto. O título já prometia: “Stop Hiring Humans”. Numa intervenção dinâmica e bem-humorada, Canhoto desafiou a audiência a abandonar a visão romântica da gestão de talentos e abraçar os novos paradigmas da era digital. “Não estamos a contratar pessoas – estamos a desenhar experiências de talento onde a IA é uma protagonista”, afirmou.
Com referências a projetos reais e reflexões sobre o impacto da IA na liderança, na cultura organizacional e no papel dos RH, Canhoto deixou claro que os profissionais de Recursos Humanos não vão ser substituídos pela tecnologia – mas serão superados por quem souber usá-la estrategicamente.
Um encerramento com impacto
Pelas 18h00, a sala fechava com muitos dos participantes ainda a conversar em pequenos grupos, partilhando ideias, contactos e inquietações. A Sala Workplace Options ofereceu, ao longo do dia, uma visão multifacetada do que significa gerir talento em 2025: é preciso formar, adaptar, digitalizar, cuidar e, acima de tudo, ousar pensar diferente.
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