Com o tema da saúde mental bem presente, realizou-se esta semana um novo webinar do IIRH que promoveu a discussão do tema com dados do estudo “Saúde Mental no Local de Trabalho 2023”.
O “RHtalks” de dia 25 de outubro, com o tema “O que o RH precisa saber sobre a saúde mental nas empresas portuguesas”, focou-se na apresentação dos resultados do estudo desenvolvido pelo IIRH, com o apoio da Workplace Options.
O impacto do bem-estar na saúde mental dos colaboradores é um tema que tem suscitado investigação académica e a preocupação de grandes organizações. Esta perspetiva levou ao desenvolvimento de um estudo que analisou quais são os desafios enfrentados pelos colaboradores em termos de bem-estar físico e saúde mental, que consequências podem advir dos desafios de saúde mental nas organizações ou quais as faixas etárias que mais evidenciam sintomas de algum desequilíbrio do foro psicológico.
De acordo com o estudo, stress e pressão no trabalho, dificuldades no equilíbrio da vida pessoal e profissional e ansiedade são os principais desafios enfrentados pelos colaboradores em termos de bem-estar e saúde mental. “6% das empresas identificam o suicídio como um dos temas, ou incidentes, com o impacto muito forte junto dos colaboradores”, enfatiza Ricardo Sousa, Director of Business Solutions Iberia da Workplace Options, ao falar sobre os incidentes graves ocorridos nas empresas inquiridas.
Uma das soluções mais implementada pelos inquiridos foram os apoios para os colaboradores em risco de burnout. E, na pergunta relacionada com a importância de existir programas globais e holísticos nas estruturas, quase 95% das empresas dizem que é importante.
Após uma apresentação dos resultados, Ricardo Sousa, Director of Business Solutions Iberia da Workplace Options, moderou um debate que comentou os resultados do estudo e aquilo que o estudo pode revelar a diretores de Recursos Humanos.
Para comentar os resultados, foram convidados Claúdia de Lemos Silveira, Head of Engagement and Wellbeing na Jerónimo Martins, Pedro Magarreiro, HR Director da Galp, Filipa Alves Rocha, Área Manager Occupational Health da MC Sonae, e Isabel Viegas, Chief People Officer da Semapa.
As principais conclusões dos oradores foram que o tema da saúde mental já está presente em diferentes aspetos das empresas há muito tempo ou a necessidade de uma liderança cuidadora.
“Os líderes cuidadores são aqueles que conhecem si próprios muito bem e, ao mesmo tempo, dão espaço e tempo às equipas. Cabe a eles identificar situações e problemas de saúde mental”, afirmou Claúdia de Lemos Silveira, Head of Engagement and Wellbeing na Jerónimo Martins.
Pedro Magarreiro, durante a sua intervenção, sublinhou que o tema do stress e da pressão agrega duas perspetivas: a organização e a cultura de trabalho. “Organizações que olhem para a sua organização e cultura de trabalho com este cuidado de promover o espírito colaborativo, clarificar propósito é fundamental”, explica.
Já Isabel Viegas, Chief People Officer da Semapa, indica que existem três coisas fundamentais para pôr a saúde mental no radar: colocar o tema nos programas de formação das lideranças; trazer para dentro da empresa práticas de outras empresas; e pôr a saúde mental nos orçamentos anuais. “Do ponto de vista prático, implementamos na Semapa consultas de psicologias e do ponto de vista económico, por exemplo”, conclui.