Cerca de 55,6% dos inquiridos demonstram interesse no aumento da transparência salarial, indica a 3º edição do relatório da Coverflex “O estado da compensação 2023-2024”.
De acordo com o estudo divulgado esta quarta-feira, a transparência salarial é algo valorizado pelos trabalhadores portugueses, no entanto, varia consoante o modelo de trabalho (63,9% em trabalho remoto, face a 55,5% em híbrido e 45,8% em regime presencial).
Em relação à flexibilidade, “são cada vez mais as empresas que falam em modelos de trabalho flexíveis, como forma de atração e fidelização de talento”, segundo o relatório. Os dados mostram que 7 em cada 10 pessoas (71,3%) que trabalham em regime híbrido estão mais satisfeitas com o seu modelo de trabalho, comparativamente a apenas 43,5% das pessoas que trabalham em regime presencial.
Já o modelo da semana de quatro dias de trabalho continua a ser um desejo para mais de 6 em cada 10 participantes (64% do género feminino e 57% do masculino).
“As pessoas querem experimentar quatro dias de trabalho, mas não querem abdicar das 40 horas semanais”, esclarece Mariana Barbosa, Head of PR & Communication da Coverflex, na sessão de apresentação do estudo.
Uma das novidades desta 3ª edição, no âmbito da dimensão de diversidade e inclusão, foram os números relativos à opinião dos participantes sobre a licença menstrual. De acordo com o relatório, “56,7% dos inquiridos defende a implementação de uma política como a que foi implementada em Espanha”. Mas, atenção, a diferença de opiniões entre géneros mantém-se expressiva: 62,3% das mulheres defende a implementação, face a 51,5% dos homens.
A Coverflex aponta que a compensação é “muito mais do que o salário”; pode ir desde a benefícios como terapia, formações profissionais, creche dos filhos, ginásio, seguros, despesas de representação, combustível, entre outros.
Há a destacar ainda o acesso a stock options e “a possibilidade de ter acesso a uma componente de budgets para gastar em determinadas categorias de despesas” como formação profissional (19,6%) e trabalho remoto (11,6%).
Além disso, verifica-se uma dinâmica nos benefícios relacionados com a poupança para a reforma em que mais de 32% dos inquiridos desejam-na, mas apenas 23,36% têm acesso.
Para a 3º edição do estudo “O estado da compensação 2023-2024” participaram 2.247 pessoas e o inquérito foi realizado a partir de um questionário online, de participação livre, que decorreu entre 5 e 21 de setembro de 2023. A maioria dos participantes foram pessoas na faixa etária entre os 25 e os 34 anos (44,3%) provenientes de diferentes regiões do território nacional. Entre os participantes, 1.128 pessoas são do género masculino (50,2%), 1.102 pessoas do género feminino (49%), 4 pessoas não binárias e 13 que preferiram não responder à questão.
“Acima de tudo, queremos construir um estudo cada vez mais desinibido e que acrescente valor às empresas”, sublinha Mariana Barbosa.