A consultora de recrutamento Robert Walters enumerou uma lista com os oito erros mais comuns cometidos pelos candidatos em entrevistas, sugerindo como evitá-los.
Depois da candidatura a uma vaga de emprego, a convocatória para uma entrevista significa que o objetivo inicial está mais próximo. É importante, por isso, saber o que dizer e fazer durante a entrevista. A preparação pode incluir o conhecimento dos erros mais comuns cometidos pelos candidatos para que não se repitam.
A equipa de consultores da Robert Walters enumerou os oitos erros mais comuns em entrevistas, que explica como é possível evitá-los para melhorar as hipóteses de contratação:
1. Não fazer uma boa preparação para a entrevista
Ainda que esteja em vários processos de recrutamento em simultâneo, os candidatos têm de organizar o seu tempo de forma a poderem preparar-se para cada uma das entrevistas. Pesquisar informação sobre a empresa a que se está a candidatar pode levar o seu tempo, mas é essencial para a preparação de uma entrevista. No entanto, ainda existe um número considerável de candidatos que não o faz com a profundidade necessária. Recitar informação encontrada no site corporativo não é suficiente, porque os recruiters procuram profissionais com conhecimentos adicionais às descrições da empresa, que conheçam a sua situação atual e que consigam analisar as tendências gerais de mercado do setor a que a empresa pertence.
Dica: para se destacar dos restantes candidatos, é necessário pesquisar a fundo, incluindo notícias e relatórios sobre a empresa.
2. Dar explicações genéricas ou não saber os motivos pelos quais gosta da empresa
Caso o candidato seja questionado sobre os motivos que o levaram a candidatar-se e a desejar entrar na organização, fornecer apenas explicações genéricas não é uma boa abordagem. Se o fizer, pode parecer que está à procura de qualquer oportunidade na sua área de atuação e que não está assim tão interessado na vaga a que se candidatou. Se não conseguir explicar claramente as razões pelas quais quer assumir a oportunidade de emprego, o recruiter irá, provavelmente, considerar para o cargo outros candidatos que tenham demonstrado mais entusiasmo e objetivos mais definidos.
Dica: referir especificamente as características da organização que considera atraentes, como as principais responsabilidades da oferta e os produtos ou serviços da empresa.
3. Não conhecer o seu CV em detalhe
Do candidato não se espera que decore todas as palavras do seu currículo, mas que saiba falar confortavelmente de todos os projetos em que esteve envolvido e porque razão deseja uma mudança de carreira. Os recruiters podem querer detalhes sobre a experiência do candidato, incluindo as responsabilidades assumidas nos empregos anteriores e os resultados do trabalho desenvolvido. Quando um candidato não consegue falar sobre o conteúdo do seu CV sem olhar para ele, passa uma imagem muito negativa, que se constitui como um dos erros mais frequentes. Ainda que a informação do CV seja verdadeira, é preciso revê-la antes de cada entrevista para refrescar a memória.
Dica: reveja e estude o CV antes da entrevista e pratique as respostas a potenciais perguntas sobre os detalhes destacados no documento. É importante ter a certeza de que consegue justificar os resultados atingidos, relacionando-os com a oportunidade a que se candidata.
4. Ter conversas negativas
Fazer comentários negativos sobre a empresa atual ou anterior é um erro frequente que deve ser evitado. Há candidatos que perdem oportunidades de emprego por fazerem comentários negativos em relação ao seu atual ou antigo chefe e/ou empregos, mesmo depois de terem brilhado na entrevista. É pouco profissional e uma história não tem só uma versão. É importante que o candidato não teça comentários que afetem negativamente a imagem da empresa, cargo ou chefe – anteriores ou atuais –, independente do quão tentador seja fazê-lo.
Dica: procure encontrar os aspetos positivos da sua experiência profissional e concentre-se neles.
Quando perguntarem ao candidato porque motivo quer mudar de emprego, é importante ter cuidado com a resposta. Se não gostar do seu local de trabalho, não seja demasiado honesto. Se disser que está farto, ou que sente que não está a progredir, encontrando-se na empresa há um ano, o recruiter pode considerar alarmante.
Dica: é importante dar respostas sinceras e que apresentem o seu perfil numa perspetiva positiva. Por exemplo, “estou à procura de uma oportunidade mais desafiante, porque sinto que a minha função atual não me desafia”, ou “uma das coisas que mais me motiva é estar inserido numa equipa dinâmica e, neste momento, a minha função atual não me oferece o que pretendo”.
5. Estar demasiado relaxado ou apático durante a entrevista
Duas formas de estar que o candidato deve evitar: demasiada intimidade ou familiaridade e falta de interesse ou de entusiasmo. É importante ter um posicionamento amigável e envolvente e conseguir demonstrar, ao mesmo tempo, as suas capacidades interpessoais. No entanto, deve sempre ser profissional, mesmo que exista empatia entre o entrevistado e a pessoa que o está a entrevistar. É um equilíbrio difícil de encontrar, mas que com a experiência de várias entrevistas ao longo do tempo se vai tornando mais natural. O recruiter deve guiar a conversa e o tom da entrevista. O candidato não deve ser informal se não houver essa abertura. Se, no final da entrevista, o interlocutor começar a relaxar e a adotar outra postura, o candidato também pode fazê-lo.
Dica: vá analisando o comportamento do recruiter e adeque o seu. A oferta pode não ser entusiasmante, mas na entrevista deve mostrar-se animado desde o início. Imagine que a meio do processo percebe que quer aquele trabalho? Se tiver sido aborrecido ou apático na entrevista, vai ser extremamente difícil dar a volta. Deixe as suas dúvidas de lado e mostre que quer o trabalho. Encare as entrevistas sempre assim.
Finalmente, mesmo que seja muito qualificado para a posição para a qual está a ser entrevistado, é sempre necessário revelar energia e entusiasmo. Se ficar sentado com um ar aborrecido, a sua experiência não o vai salvar. Os clientes gostam de ver que o candidato valoriza a função e que a considera realmente uma boa oportunidade.
6. Falhar na higiene pessoal
Além de ser importante a forma como o candidato se apresenta e se veste para a entrevista, adaptando o seu estilo à cultura da empresa, é igualmente importante considerar a higiene pessoal. Se tiver parado para beber um café antes da entrevista, procure ter um rebuçado ou pastilha de mentol. Por outro lado, usar um perfume demasiado intenso também pode ter um impacto negativo.
Dica: pergunte a alguém de confiança se não exagerou no perfume antes da entrevista e se a sua aparência está bem.
7. Falar demasiado
Se o candidato passou horas a preparar-se, vai ter vontade de demonstrar os seus conhecimentos aquando da entrevista. Mas se falou demasiado, pode cair no erro de não ouvir bem a pergunta. Pode ter excelentes intenções relativamente ao que pretende dizer na entrevista, mas não não deve forçar o discurso se não for natural. É o recruiter quem deve conduzir a conversa. O candidato não deve interromper ou sobrepôr o dicurso e deve evitar fazer várias perguntas antes de sentir que o entrevistador lhe está a dar abertura para isso. Caso contrário, pode parecer presunçoso, demasiado nervoso, ou mal-educado.
Dica: espere pela sua vez para falar. Deve, acima de tudo, ouvir e fazer disso uma prioridade, conseguindo um bom equilíbrio entre a confiança e a humildade. Estes são os candidatos que mais se destacam.
8. Não fazer perguntas
Um dos piores erros de entrevista prende-se com a ausência de perguntas no final. Aos olhos dos entrevistadores, revela uma enorme falta de interesse e iniciativa. Tem alguma pergunta? A resposta deve ser sempre sim e o candidato deve preparar as perguntas que quer fazer da mesma forma que prepara a entrevista.
Dica: procure diferenciar-se, fazendo perguntas que revelem criatividade, demonstrando que realmente se preparou para a entrevista e quer saber mais.