É fantástico e extremamente positivo que Portugal esteja a atrair investimento internacional e a captar as atenções de grandes multinacionais que veem o nosso país como um poço de talento e de boas oportunidades. Mas para as empresas nacionais, é cada vez mais difícil “agarrar” os profissionais portugueses que são permanentemente aliciados por grandes marcas, grandes projetos, grandes pacotes de benefícios, grandes aventuras.
E mesmo quando conseguimos oferecer tudo isso, e combater “mano-a-mano” com as grandes multinacionais, surge outro problema: a fidelização ou retenção dos colaboradores.
Como podemos garantir, a médio e longo prazo, os melhores recursos para projetos e clientes, se manter um colaborador a curto prazo é muitas vezes uma tarefa dantesca e até frustrante?
Os colaboradores já não são o que eram. Existe uma nova vaga de profissionais a desafiar os empregadores a saírem da sua zona de conforto. O emprego para a vida já não move as novas gerações de trabalhadores, que têm motivações e objetivos totalmente diferentes e uma nova perspetiva do que são projetos desafiantes, evolução de carreira, estilos de liderança e benefícios.
Quem procura emprego admite procurar empregadores com excelentes ambientes laborais e fortes culturas empresariais, mas todos já têm a consciência que a empresa perfeita é uma espécie de “Eldorado” do mercado profissional. Esta consciência faz com que permaneçam naquela que lhes oferece estabilidade e conforto? Não. Incentiva a procura contínua por algo melhor.
Então como podemos agradar a uma geração de “permanentes insatisfeitos”, concorrer com os grandes nomes internacionais e assegurar que temos os melhores recursos para cada projeto, cliente ou área de atividade?
Neste contexto de competitividade, os recrutadores procuram ser criativos na abordagem aos candidatos, investir numa marca atrativa e bem cotada perante o mercado de emprego e desenhar os melhores pacotes de benefícios que ajudem a atrair os recursos que precisam para conduzir os seus projetos a bom porto. Mas isto não basta. É preciso investir nas pessoas a vários níveis, nomeadamente numa vertente que nunca antes foi muito explorada, porque simplesmente não havia necessidade – a realização profissional e pessoal. E isto só é possível se existir uma gestão personalizada de cada colaborador.
Todas as pessoas são diferentes – têm diferentes experiências de vida, estágios de maturidade, idade, realidade social e familiar, objetivos, drivers de motivação e resiliência. Logo, não podem ser geridas com “pacotes” estratégicos universais desenhados para gerir toda a gente de forma igual.
E como é que conseguimos manter este relacionamento privilegiado e personalizado, num contexto de trabalho remoto que dificulta o sentimento de pertença, de equipa e de ligação emocional que ajuda a criar uma ligação mais forte entre o empregador e o colaborador?
Com novos modelos de comunicação, de partilha, de trabalho colaborativo e de liderança. Não podemos avançar para ferramentas e técnicas mágicas e milagrosas, que prometem atrair, conquistar e reter, se esta cultura orientada para as pessoas não estiver já entranhada no ADN da empresa.
Porque uma montra bonita, composta por um fantástico pacote de benefícios, pode facilmente atrair o talento, mas o que faz as pessoas ficarem é o que deve compor o tal ADN.
Não sejamos inocentes. A progressão na carreira, a procura por projetos mais interessantes e o pacote salarial continuam a ser dos fatores que mais pesam na hora de procurar emprego. Mas há uma clara tendência de crescimento para valorização do chamado work life balance – com tudo o que este conceito implica.
Então, quem procura emprego o que deve procurar? Como pode perceber se por detrás do atrativo pacote de benefícios está, de facto, uma empresa com uma cultura people driven?
Deve procurar… pessoas. Referências, testemunhos, colaboradores envolvidos, que vestem a camisola, histórias de crescimento, equipas de sucesso, reconhecidas, felizes, motivadas. Esta é a maior prova de que a empresa está a fazer bem o seu trabalho – é isto que as empresas devem mostrar, e é isto que os candidatos devem procurar.
Por: Filipa Lopes – Happiness & Retention Manager – BOOST IT