Autora: Carla Carvalho Dias, International public speaker, consultant e trainer
A economia de serviço irá expandir-se, cada vez mais, na vertente soft e, cada vez menos, na vertente hard ou racional.
Falar em soft skills numa era em que a inteligência artificial (IA) domina quase todas as temáticas é incontornável. A inteligência artificial trouxe, e irá continuar a trazer, mais eficácia e eficiência, eliminando alguns trabalhos até agora realizados apenas pelo ser humano. Eis uma razão mais do que suficiente para reforçar a necessidade de o ser humano desenvolver competências que os robots nunca terão. Mais do que nunca, desenvolver fortes competências emocionais e de relacionamento interpessoal é um fator-chave de sucesso em qualquer organização.
António Damásio afirma, no livro “O Erro de Descartes” (1994), que o nosso conjunto de escolhas pode ser moldado pela racionalidade, mas é a emoção que nos liga à ação. Numa outra linha de pensamento e investigação, Roland T. Rust e Ming-Hui Huang, no livro “The Feeling Economy” (2021), deixam clara esta necessidade, ao escreverem sobre “como a inteligência artificial está a criar a era da empatia”.
A era da feeling economy é caracterizada pelo regresso dos seres humanos à sua natureza… humana. Dar mais importância aos sentimentos (soft skills), em vez de treinar para pensar como máquinas. Quanto mais avançadas são as máquinas em racionalidade, mais o ser humano tem de desenvolver soft skills no trabalho e na vida. Tendo em conta que a IA será cada vez mais madura, assumindo tarefas racionais, é evidente que teremos de nos focar na vertente do sentir, nas competências soft.
“Quanto mais avançadas são as máquinas em racionalidade, mais o ser humano tem de desenvolver soft skills no trabalho e na vida”
Não só as tarefas associadas às soft skills estão a tornar-se cada vez mais importantes, como assistimos ao domínio dos setores “feeling oriented”. Afirmam os autores que a “feeling economy” será uma economia de serviço, porém dominada por aquilo que designam de “soft service” — saúde, liderança, cuidado pessoal —, por oposição ao “hard service” — computação, engenharia, direito —, que domina a era do pensamento.
Em suma, todas as linhas de investigação e desenvolvimento levam a concluir que estamos numa era em que a IA trata de pensar e nós de sentir: “AI will do the thinking and humans will do the feeling” (Brend Scmitt, Columbia University).
Deixemos, pois, que as máquinas nos libertem tempo e disponibilidade mental para nos dedicarmos ao desenvolvimento das competências soft nas nossas equipas.
Votos de bom serviço, com muito sentimento!