A Projeção para a Criação Líquida de Emprego é de +37%, ampliando em 29 pontos percentuais a tendência positiva do último trimestre e em 32 pontos percentuais as perspectivas avançadas no período homólogo de 2021.
Com 52% dos empregadores nacionais a prever um aumento nas suas contratações, durante os próximos três meses, e 34% a optar por manter os números atuais, o ano de 2022 arranca com perspetivas muito otimistas relativamente à criação de emprego, reforçando assim de forma acentuada a tendência já verificada nos trimestres anteriores. A previsão é do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, que comunica uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +37%, para o período de janeiro a março do próximo ano, naquela que é a estimativa mais elevada, desde que o estudo foi lançado em Portugal, no ano 2016.
O estudo do ManpowerGroup apresenta dados ajustados sazonalmente e revela as conclusões das entrevistas realizadas a 504 empregadores durante o mês de outubro. A Projeção anunciada reflete uma subida de 29 e de 32 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e ao período homólogo de 2021, traduzindo assim uma previsão de forte aceleração na tendência de contratação do mercado nacional.
“Os dados deste último ManpowerGroup Employment Outlook Survey, mostram uma forte tendência de aumento das contratações e um mercado de trabalho muito robusto no início de 2022. São dados alinhados com o que observamos no mercado, com a taxa de desemprego a situar-se já em valores pré-pandemia no terceiro trimestre deste ano, ao atingir os 6,1%, e a taxa de emprego em níveis que não se registavam desde 2008. Este otimismo é, no entanto, moderado por níveis de escassez de talento que estão também em máximos históricos, com 62% dos empregadores nacionais a afirmar ter dificuldade em contratar o talento de que necessitam.” afirma Rui Teixeira, Chief Operations Officer do ManpowerGroup Portugal.
“Este não é um fenómeno novo. A falta de talento fazia-se já sentir em anos anteriores, mas a pandemia e as transformações no mundo do trabalho exacerbaram-na, com as empresas a enfrentar hoje novos desafios empresariais, que exigem competências técnicas e humanas cada vez mais especializadas e difíceis de encontrar. Acreditamos que a resposta a este desencontro de talento está numa mudança de paradigma e no desenvolvimento de estratégias de “construção” de talento. Um esforço alargado de formação e requalificação dos trabalhadores é a alavanca que permitirá às empresas aceder ao talento que necessitam para concretizar os seus objetivos de desenvolvimento.”, conclui.
Tecnologias de Informação, Telecomunicações, Comunicação e Media, Banca, Finanças, Seguros e Imobiliário são os setores que apresentam as intenções de contratação mais ambiciosas
Os empregadores dos onze setores de atividade analisados preveem um forte crescimento do mercado de trabalho durante os próximos três meses. O setor das Tecnologias de Informação, Telecomunicações, Comunicação e Media, é o que apresenta os planos mais otimistas, com uma Projeção +49%. Seguem-se os setores da Banca, Finanças, Seguros e Imobiliário, com uma Projeção de +48%, e em crescimento de 43 pontos percentuais face ao período homólogo de 2021, e do Comércio Grossista e Retalhista, com +46%, e um crescimento de 50 pontos percentuais.
A Hotelaria e Restauração destaca-se também, ao apresentar o maior crescimento com respeito às perspetivas anunciadas no período homólogo de 2021. Os empregadores deste setor avançam uma Projeção de +39%, numa evolução de 56 pontos percentuais. O setor de Outras Atividades de Produção e o setor da Construção antecipam igualmente mercados de trabalho muito dinâmicos, com Projeções de +39% e +32% respetivamente.
O setor Industrial apresenta também perspetivas animadoras de crescimento nas contratações, com os empregadores a avançar uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +24%, em crescimento de 12 e 27 pontos percentuais face ao trimestre anterior e ao primeiro trimestre de 2021, respetivamente. Os mesmos 24% são também projetados pelo setor de Outras Atividades de Serviços.
Ainda que avancem intenções de crescimento das contratações, os setores da Educação, Saúde, Trabalho Social e Governamental e das Atividades de Produção Primária são os mais conservadores e preveem um ritmo de contratação não tão acentuado. Nestes casos, avançam Projeções para a Criação Líquida de Emprego de +13% e +16%, respetivamente, em crescimento de 3 e 5 pontos percentuais com respeito ao mesmo período de 2021.
A região Norte apresenta as previsões de contratação mais fortes
Apesar de se prever um reforço nas contratações em todas as regiões de Portugal, durante os próximos três meses, é a região Norte que regista a Projeção para a Criação Líquida de Emprego mais otimista, alcançando os +41%. Segue-se a região da Grande Lisboa, com uma Projeção de +34%, enquanto no Grande Porto as perspetivas situam-se nos +26%. No Centro e a Sul, a perspetivas de contratação fixam-se nos+17% e +20%, respetivamente.
Quando comparadas com o trimestre anterior, as intenções de contratação são reforçadas em todas as regiões. A região Norte e a Grande Lisboa apresentam as melhorias mais significativas, com um aumento de 33 e 23 pontos percentuais, respetivamente.
Quando o termo de comparação é o período homólogo do ano 2021, segue-se o mesmo movimento e a mesma ordem de crescimento. A Norte observamos um crescimento de 37 pontos percentuais, enquanto na Grande Lisboa a evolução é de 36 pontos percentuais. No Grande Porto, este valor situa-se nos 24 pontos percentuais e, nas regiões Centro e Sul, antevê-se um aumento de 10 e 19 pontos percentuais, respetivamente.
Pequenas e Grandes empresas são as que mais esperam contratar
No período de janeiro a março de 2022, todas as organizações, independentemente da sua dimensão, esperam aumentar as suas equipas. As Grandes Empresas são as que preveem um ritmo mais forte na contratação, com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +42%, o que traduz um aumento de 14 e 32 pontos percentuais face ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2021, respetivamente. As Pequenas Empresas seguem um ritmo semelhante, com uma Projeção de +39%, 33 e 43 pontos percentuais acima do valor apresentado para o trimestre anterior e para o período homólogo do ano passado.
As Médias Empresas avançam uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +26%, 25 pontos percentuais acima das previsões do primeiro trimestre de 2021, enquanto que as Micro-empresas antecipam uma Projeção de +16%, o que representa um reforço nas intenções de contratação de 18 pontos percentuais face ao mesmo período.
38% dos empregadores portugueses irão recomendar ou incentivar a vacinação, sem, no entanto, a exigir
Os empregadores foram também questionados sobre os planos que têm com respeito aos requisitos de vacinação no local de trabalho. Desta questão foi possível concluir que 30% dos inquiridos pretendem apelar à vacinação, mas não obrigar os funcionários a recorrer à mesma, ao mesmo tempo que uma percentagem idêntica dos empregadores tem uma posição mais coerciva e afirma que irão solicitar a dupla vacinação e o respetivo comprovativo aos seus colaboradores. Os planos quanto à vacinação incluem ainda alternativas como a exigência de prova de dupla vacinação para algumas funções, mas não para todas, indicada por 11% dos empregadores, ou ainda a aposta em incentivos para encorajar a vacinação, referida por outros 8%.
Finalmente, 20% das empresas indicam ainda não ter nenhum plano para introduzir uma política fixa de vacinação dos seus colaboradores, deixando claro que essa é uma decisão individual, enquanto 7% indicam já vir a requerer prova de dupla vacinação e ainda da dose de reforço.
Modelos de trabalho híbrido e remoto ganham terreno
Relativamente aos modelos de trabalho a adotar para os próximos 3 meses, na maioria das funções os modelos remotos ou híbridos, analisados em conjunto, já representam um peso superior ao dos modelos presenciais.
A exceção a esta regra encontra-se nas funções de produção e indústria, onde 69% dos empregadores afirma que o modelo predominante será o presencial, bem como nas funções de atendimento, vendas e front-office, onde essa percentagem é de 58%. Não obstante, no caso destes últimos, a percentagem que refere o trabalho remoto e híbrido atinge já os 36%.
No extremo oposto encontram-se as funções financeiras e de contabilidade, de recursos humanos e de apoio administrativo, onde a percentagem de trabalho a ser realizado em modo híbrido e remoto representa já 53%, 51% e 50% respetivamente.
As funções de tecnologia são as que apresentam uma maior percentagem de empregadores a preferir o modelo remoto, sendo referido por 14% dos inquiridos. Outros 35% afirmam adotar o modelo híbrido e 45% mantêm a opção pelo modelo presencial.
Perspetivas globais de contratação otimistas
Globalmente, as perspectivas de contratação são também muito otimistas, com o total dos 44 países e territórios em análise no estudo a anunciar reforços nas contratações para os três primeiros meses de 2022.
A lista de Projeções é liderada pelo Perú, Índia e Brasil, com Projeções de +51%, +49% e +47, esta última também o valor da Irlanda. Em oposição estão os empregadores do Japão (+11%), Taiwan (+13%) e Singapura e Républica Checa (+14%).
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou mais de 39.000 empregadores em 40 países e territórios. Consulte aqui, os resultados completos do ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o primeiro trimestre de 2022.
O próximo ManpowerGroup Employment Outlook Survey será divulgado a 8 de março e revelará as perspectivas do mercado de trabalho para o segundo trimestre de 2022.
Notas
A Projeção para a Criação Líquida de Emprego resulta da diferença entre a percentagem de empregadores que planeia aumentar a sua força de trabalho e a percentagem de empregadores que planeia reduzi-la.
Os dados do inquérito foram recolhidos em outubro de 2021, antes do conhecimento da variante Omicron.