Autor: Carla Carvalho Dias, International Public Speaker, Consultant e Trainer.
Se começar por dizer que, para 2023, as ricas e as calças largas são essenciais, corro o risco de desistirem da leitura e terei que fazer um paralelo dessa moda à cultura ou forma de atuar das organizações, o que , tendo em conta o exemplo redutor das ricas e das calças, não será muito fácil! Por outro lado, é interessante pensar ou refletir que uma tendência – quando falamos em workforce – vai muito para além de uma moda de calças, camisolas, botas ou sapatos!
Se até na moda a tendência está a ir muito para além do bonito ou fashion – e começam a ser mais valorizados parâmetros como a sustentabilidade, a responsabilidade social, a não utilização de peles animais, entre outros -, também nas empresas aquilo que satisfazia os colaboradores deve ser visto muito para além dos benefícios que durante anos nos habituamos a propor para angariar ou reter pessoas.
Há tendências e há constatações de facto. Um salário justo ou ser tratado com respeito e consideração nunca sairá de “moda”. Quanto à restante lista, ela é cada vez mais flexível e adaptável aos tempos.
Na era dot-com os matraquilhos ou ping-pong eram cobiçados, já uma década antes um PPR era um must.
Promover o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. 61% dos colaboradores colocam uma enorme ênfase neste aspecto.
A força de trabalho está a evoluir com a geração Z, que hoje representa cerca de 32% da população do planeta e que pensa de forma francamente diferente da geração Millenial ou da geração Baby Boomers. Estejamos conscientes de que o salário será sempre importante.
As pessoas apreciarão ter um maior controlo sobre as horas que trabalham, transformando a lógica de obsessão por horários em foco nos objetivos (Goal Oriented).
Porém, de acordo com um estudo de Harvard Business Review (HBR) à justiça e equidade serão temas decisores. Sabemos que a flexibilidade continua no topo da lista. Se as empresas conseguiram trabalhar durante a pandemia com trabalho remoto, não há razão para que isso não continue a acontecer, ainda que parcialmente. Adivinha-se, porém, que a tendência será cada vez mais a flexibilização do “quando” e não tanto a do “onde”. Por outras palavras, as pessoas apreciarão ter um maior controlo sobre as horas que trabalham, transformando a lógica de obsessão por horários em foco nos objetivos (goal oriented).
Tudo indica, assim, que a aposta assenta, maioritariamente, em dois fatores:
1. Promover o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
61% dos colaboradores colocam uma enorme ênfase neste aspeto (Gallup Organization). Planos que apoiem a saúde mental e que não penalizem os colaboradores que ficam em casa quando estão doentes. Tirar um dia, pontualmente, para carregar baterias é encorajado e bem aceite pela empresa, etc..
2. Diminuir a “semana de trabalho” em detrimento de aumento de salário.
As tendências são o que são. De umas gostamos mais, de outras gostamos menos, mas, ao contrário da moda de calças e camisolas, estas podem representar a maior ou menor felicidade das pessoas que produzem, ou não, os resultados nas empresas.
Artigo de opinião publicado na edição 143 da RHmagazine, referente aos meses de novembro/dezembro 2022
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