Tirando uma breve passagem pela Thomas International, a sua carreira profissional tem sido desenvolvida na Zagope que representa, em Portugal, o Grupo Andrade Gutierres…
Recuando um pouco, houve uma altura na minha vida em que determinei que queria ser uma gestora reconhecida. Anos mais tarde, quando terminei a minha licenciatura em GRH, decidi que iria chegar a uma direção de RH de uma empresa de referência e foi por esse objetivo que lutei e trabalhei sem nunca baixar os braços. A passagem pela consultoria estratégica de RH, como refere, permitiu-me fortalecer competências profissionais que me tornaram uma gestora resiliente, determinada e trabalhadora. A minha experiência profissional em áreas diversificadas contribuiu para alcançar a posição que hoje ocupo na direção de recursos humanos da Zagope. Entrei para a Zagope em 2008, como coordenadora da área de carreiras, quando a empresa já contava com cerca de 5 000 colaboradores. Com este headcount, a área de carreiras ainda não existia e coube-me o desafio de desenhar processos, criar ferramentas, formar as pessoas, «vender» a importância da avaliação de desempenho, da gestão de pessoas e talentos aos líderes. Em abril de 2012, fui promovida ao cargo de diretora de recursos humanos, tendo atualmente a meu cargo os pelouros de recrutamento, remuneração e benefícios, comunicação, formação e carreiras.
Enquanto diretora de recursos humanos quais são as áreas de atuação que considera essenciais e prioritárias?
Sem particularizar uma ou outra área, o que entendo como fundamental é que o nosso planeamento, as nossas políticas e toda a orientação e trabalho da gestão de RH deverão estar alinhados com os propósitos da empresa e dos clientes internos. É fundamental termos a habilidade de transformar o nosso trabalho em valor acrescido para os clientes e em resultado para a empresa. Em determinados momentos da vida da empresa, o recrutamento pode ser mais prioritário se, por exemplo, a empresa estiver a passar por uma fase de estratégia de internacionalização. Noutros momentos poderá ser a área de formação ou carreiras, caso já estejamos instalados no país e queiramos desenvolver colaboradores locais. O importante é saber fazer a leitura do momento da empresa e converter o nosso know-how em ações alinhadas que resultem em retorno para a empresa. Temos um sonho na nossa área de GRH, que espelhámos na visão que definimos para a nossa área: ser reconhecida como área estratégica e provedora de soluções para o negócio, gerando valor para o cliente.
O Grupo Andrade Gutierrez tem um programa de atração, captação e retenção de talentos que é considerado um dos melhores existentes no mercado. Quais são os perfis de competências que privilegiam no programa Trainee AG?
O Trainee AG é um programa internacional de recrutamento de jovens finalistas de mestrado (ou com mestrado concluído até há dois anos) de todas as áreas de especialização, promovido anualmente pelo Grupo AG. Esta é já a 4.ª edição do Trainee AG e o nosso principal objetivo é recrutar jovens de todo o mundo com perfis diversificados. Os requisitos de candidatura passam por ter bons conhecimentos de informática na ótica do utilizador, domínio da língua portuguesa e inglesa, disponibilidade para viajar e a ambição de uma carreira internacional. As inscrições estão abertas entre 1 de julho e 31 de agosto. Para participar, os candidatos devem aceder ao website www.traineeag.com e submeter a sua candidatura online, através do preenchimento de uma ficha de inscrição. O Trainee AG diferencia-se pela enorme aposta que fazemos na integração dos recrutados no nosso ambiente empresarial internacional. Estes jovens vão ter a oportunidade de viajar pelo mundo inteiro para conhecer as diferentes operações do Grupo AG, através daquilo a que chamamos job rotation nos nossos principais mercados (América Latina, Brasil, África, Europa e Ásia). O ciclo do programa Trainee AG desenvolve-se ao longo de 18 meses, contemplando diversas etapas: imersão na Cultura AG (atividades de integração); formação técnica/comportamental; job rotation internacional; coaching e aconselhamento com profissionais da nossa equipa; acompanhamento e feedback de tutores e profissionais da área de gente e gestão; definição da área de negócio a integrar em conjunto com a empresa e entrada em funções do trainee.
As soft skills têm uma importância cada vez maior…
Sim, é verdade. Apesar de valorizamos hard skills (competências técnicas), damos grande importância às soft skills porque é fundamental recrutar pessoas com ambição, flexibilidade, criatividade, autonomia e proatividade no nosso ambiente organizacional. O Trainee AG não é exceção: procuramos colaboradores com espírito empreendedor, gosto por novos desafios e vontade de crescer.
Quais são os valores fundamentais do Grupo Andrade Gutierrez? Quantos candidatos esperam atrair na presente edição?
O nosso foco está na captação e retenção de pessoas que se identifiquem com a nossa cultura e por isso não temos um número de vagas definido. A cultura AG está assente numa cultura de verdadeira performance, com a preocupação em ter as melhores equipas e fazer os melhores negócios. A nossa cultura está definida e é orientada por 12 princípios: dedicar-se a pessoas, ser meritocrático, ter espírito de dono, pensar grande, procurar o autodesenvolvimento, fazer e exigir tudo bem feito e com qualidade, trabalhar de forma produtiva, entender o cliente, cultivar relacionamentos de longo prazo, proteger a nossa reputação, lutar por rentabilidade e defender e disseminar a cultura. O balanço do Trainee AG é, desde a sua primeira edição, muito positivo. Este ano a nossa expetativa é, naturalmente, superar o número de inscrições obtidas no ano passado que chegou aos 25 000 inscritos.
Os candidatos selecionados poderão ser colocados em qualquer dos mercados onde o Grupo Andrade Gutierrez atua?
Sim. A Andrade Gutierrez conta com diversas unidades no Brasil, América Latina, Europa, África e Ásia. O trainee será alocado de acordo com a sua área de interesse e a necessidade da empresa.
Quantos colaboradores tem a Zagope em Portugal? Quantos são no conjunto do Grupo Andrade Gutierrez?
O Grupo Andrade Gutierrez começou como uma construtora e hoje está consolidado como um grupo global de investimentos em engenharia e construção, telecomunicações, participações públicas e privadas, logística de saúde, energia e desenvolvimento de novos negócios. Hoje estamos presentes em mais de 40 países. Contamos atualmente com mais de 200 000 colaboradores no Grupo AG. Nos mercados África, Europa e Ásia temos cerca de 5 500 profissionais, dos quais 300 em Portugal.
O planeamento estratégico dos recursos humanos para a operação do Grupo Andrade Gutierrez nos mercados já implementados também é responsabilidade sua?
A minha promoção em 2008 para a DRH coincidiu temporalmente com o início de uma profunda reestruturação do Grupo brasileiro AG ? Andrade Gutierrez ? em que a Zagope se integra e que se vem prolongando até à presente data. A Zagope foi adquirida em 1988 pelo Grupo AG e desenvolvia, de forma bastante independente, a atividade de construção nos mercados europeu, africano e asiático. Todos os processos e atividades aconteciam de forma completamente independente do grupo. Os acionistas determinaram a integração das atividades e equipas da Zagope, numa lógica de grupo empresarial, com vista a possibilitar uma expansão do negócio das duas construtoras do Grupo AG (Construtora Andrade Gutierrez e Zagope) para novos mercados e áreas (energia, oil & gas, private, entre outras). Esta alteração requereu uma uniformização de processos e formas de trabalhar, exigindo um esforço acrescido na harmonização e criação de processos, gestão da mudança, na forma de gestão de pessoas, o que constitui um enorme e ambicioso desafio profissional. Em paralelo, e atendendo às especificidades das realidades onde a Zagope atua (nos mercados África, Europa e Ásia pelos quais sou responsável), em consonância com os objetivos estratégicos de negócio, é desenhado e implementado um plano estratégico de RH com projetos e ações locais em cada país. Por exemplo, temos como objetivo aumentar, desenvolver e formar a mão-de-obra local e, para tal, já implementámos programas de trainees Africanos.
(Entrevista publicada na RH Magazine)