ARTIGO 1 (de 3)
Burnout
Conhecido como síndrome do esgotamento profissional, o burnout (BO) entrou oficialmente, a 25 de maio deste ano, na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema associado ao emprego. É definido como “uma síndrome que resulta de um stress crónico no local de trabalho que não foi bem gerido.”
O BO tinha já sido incluído no capítulo “fatores que influenciam o estado da saúde ou o contacto com os serviços de saúde que não são considerados doenças”. A CID-11 redefine-o: “O burnout refere-se especificamente a fenómenos no contexto profissional e não deve ser aplicado para descrever experiências noutras áreas.”
Já em 2016, o Barómetro de Gestão de Pessoas e Competências (Portugal Continental) publica que “82% dos inquiridos apresentavam risco de burn out, estando 37% diagnosticados”. Não é por acaso que em Portugal se verificou um aumento de 76% no consumo de antidepressivos, 69% no de ansiolíticos e 85% no de analgésicos entre 2008 e 2016. Não sendo o BO a única causa, existe uma relação estatística significativa entre os dois fatores.
De acordo com os dados da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, 60% é a percentagem de dias de trabalho perdidos anualmente devido ao stress associado à atividade profissional.
Em Portugal os últimos dados do “Relatório de Avaliação de Perfil de Risco Psicossocial – Pessoas e Organizações Saudáveis” classifica-o como “um problema de saúde pública”, sendo que, “os professores destacam-se nestes resultados, logo atrás do pessoal médico”.
Para a esmagadora maioria das Organizações privadas e públicas, a despesa com recursos humanos concentra-se na área da saúde e no absentismo. A esta realidade não é alheia uma produtividade baseada na eficácia, que apenas considera os resultados em termos de produção, e não na eficiência que contempla o volume de energia gasto. Abre-se espaço para o aparecimento de toda a classe de sintomas — sensação de sobrecarga, compulsão, incapacidade na realização das tarefas, ansiedade, doenças músculo-esqueléticas — que podem culminar no burnout.
Os níveis de stress no trabalho são reconhecidos pela OMS como um dos maiores desafios à saúde em contexto empresarial, tendo consequências importantes na produtividade e na competitividade das organizações. “É reconhecido que os trabalhadores com elevados níveis de stress são mais vulneráveis ao aparecimento de certas doenças e menos produtivos, assim como se mostram menos motivados e seguros relativamente ao seu trabalho” (WHO, 2018).
Um recente estudo sueco, abrangendo 1,3 milhões de pessoas com mais de 27 anos, demonstra que alguém com transtorno de stress diagnosticado, é 37% mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares.
Estão disponíveis inúmeros estudos que demonstram a relação dos níveis de saúde e bem-estar em contexto de trabalho e a incidência de stress, ansiedade, burnout, depressão, hipertensão ou dependência de substâncias. É um transtorno que se desenvolve gradualmente por conta de desajustes entre o trabalho e o indivíduo. Em conformidade com a OMS, há 4 elementos comuns nas situações de BO:
- a predominância de sintomas relacionados com a exaustão mental e emocional, a fadiga e a depressão (ou sinais depressivos);
- a ênfase nos sintomas comportamentais para além dos de natureza física;
- a ausência de antecedentes psicopatológicos;
- a diminuição de eficácia e desempenho no trabalho.
Mencionamos apenas alguns dos estudos que demonstram de forma inequívoca a real gravidade do Problema Social:
– O World Economic Forum estima que as principais doenças crónicas associadas ao trabalho resultarão num total de 47 triliões US$ em perdas da produção económica mundial de 2011 a 2030. «Esta estimativa tem em conta as despesas médicas diretas, as perdas de produtividade e as altíssimas taxas de disengagement».
– De acordo com dados da OMS as perdas de produtividade devido à má saúde são ainda maiores do que os custos diretos do tratamento médico. Problemas de saúde relacionados com o trabalho são responsáveis por perdas económicas de 4 a 6% do PIB global a cada ano. Além deste ónus económico, há um sofrimento humano inquantificável e uma carga insustentável nos sistemas de saúde em todo o mundo.
Iremos procurar partilhar, nas próximas edições, algumas das medidas adotadas por diferentes empresas, em todo o Mundo, como forma de fazer face ao stress crónico em contexto de trabalho e ao burnout. Deixo apenas mais um quadro que creio representativo da dimensão deste problema social.
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Autora:
Maria Helena Casanova – Health & Wellness specialist coach, trainer e RH Consultant
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