Há empresas que oferecem descontos em ginásios ou dias dedicados ao bem-estar. Outras levam uma cadeira de massagem para dentro do escritório e foi a partir dessa ideia de levar o cuidado às pessoas que nasceu o Personal Spa.
Criado no final de 2019 e retomado em janeiro de 2022, depois de uma pausa provocada pela pandemia de Covid-19, o projeto leva massagens a empresas nas regiões de Lisboa, Porto e Algarve. Em quatro anos, já realizou mais de 12 mil massagens e trabalha atualmente com 19 empresas. Daikin, Tivoli, Esri, Engie, Noesis, Herbalife, Lift Consulting e Group Arrow estão entre os clientes.
A ideia nasceu da experiência profissional do próprio fundador. Ao longo de 17 anos como terapeuta, Richard Pinheiro Watson começou a identificar um padrão que se repetia, independentemente das profissões: elevados níveis de stress, tensão muscular e dores associadas a longas horas ao computador, más posturas e ritmos de trabalho exigentes. Foi então que percebeu que aquelas queixas eram uma realidade partilhada por muitos trabalhadores.
Porém, desengane-se quem julga que a ideia de levar massagens ao local de trabalho é nova. O conceito foi desenvolvido nos anos 80 pelo fisioterapeuta norte-americano David Palmer, na Califórnia, depois de perceber que muitos trabalhadores não tinham disponibilidade para se deslocar ao seu consultório. A resposta foi levar o tratamento até às empresas, através de uma cadeira de massagem portátil. Em 1984, a Apple esteve entre as primeiras empresas a adotar este tipo de serviço.
Para Richard Pinheiro Watson, Fundador e CEO do Personal Spa, o objetivo é que estas iniciativas deixem de ser um momento pontual e passem a fazer parte da forma como as empresas cuidam das pessoas. “O indicador mais importante para nós é a continuidade. Muitas empresas começam por experimentar uma única sessão e acabam por aumentar a frequência ou o número de horas disponíveis, muito por iniciativa dos próprios colaboradores”, afirma à RHmagazine.
Ao longo dos últimos anos, Richard Pinheiro Watson diz ter assistido a uma mudança na forma como as empresas olham para o bem-estar dos colaboradores. “Em vez de reagirem apenas quando surgem sinais de desgaste, muitas empresas procuram atuar de forma preventiva, reconhecendo que o stress, o sedentarismo e a fadiga física têm um impacto direto na qualidade de vida das equipas”, constata. “Uma massagem de 15 ou 20 minutos representa muito mais do que um momento de relaxamento. Representa uma pausa que permite recuperar energia, aliviar a tensão e regressar ao trabalho com uma sensação renovada de bem-estar.”
Uma pausa pensada ao detalhe
As sessões podem durar entre 15 minutos, em cadeira, e 60 minutos, em marquesa. Mas a experiência, garante, começa antes da própria massagem. “Começa na forma como cada colaborador é recebido, na atenção às suas necessidades e na criação de um ambiente que lhe permita desligar, ainda que por alguns minutos, da pressão do dia de trabalho”, defende o responsável.
Antes de cada sessão, a equipa procura perceber como a pessoa se sente e quais as zonas de maior tensão, adaptando a experiência às suas necessidades. Há também uma atenção particular ao ambiente e aos estímulos sensoriais, com recurso, por exemplo, a óleos essenciais e música, numa tentativa de criar um momento de desconexão dentro do próprio local de trabalho. O objetivo, como explica Richard Pinheiro Watson, é que “durante aqueles minutos, o colaborador consiga esquecer reuniões, prazos e notificações, concentrando-se apenas em si”.
Para o Fundador e CEO, o potencial destas iniciativas está também na forma como podem ser integradas numa estratégia mais abrangente de recursos humanos. As massagens no local de trabalho são, no seu entender, “uma excelente porta de entrada para uma estratégia de bem-estar, porque têm uma característica muito importante: o impacto é imediato e facilmente percetível pelos colaboradores”.
Nos inquéritos de satisfação realizados pela empresa, 86% dos colaboradores consideram a massagem no local de trabalho “uma iniciativa muito importante ou indispensável”. As principais queixas identificadas estão relacionadas com tensão na zona cervical, lombar e nos ombros.
Do “era mesmo disto que precisava” ao “quando voltam?”
Mas, mais do que os números, Richard Pinheiro Watson destaca a reação das próprias pessoas. “É frequente ouvirmos frases como ‘era mesmo disto que precisava’ ou ‘quando voltam?’. São comentários simples, mas demonstram o impacto que uma pausa de alguns minutos pode ter no dia de uma pessoa”, partilha.
O serviço é procurado tanto para programas regulares como para momentos específicos da vida das empresas. Períodos de maior pressão, entregas de projetos, auditorias ou processos de mudança organizacional estão entre as situações em que as equipas podem estar mais expostas ao stress. O Personal Spa participa também em iniciativas como a Semana da Apreciação do Colaborador, o Dia da Mulher, ações de saúde e bem-estar, aniversários de empresas e outros eventos internos.
“A grande vantagem deste serviço é a sua flexibilidade. Adapta-se facilmente tanto a uma ação especial como a programas regulares, respondendo às necessidades de cada organização”, destaca. Mas é também aqui que Richard Pinheiro Watson identifica um dos erros mais frequentes das empresas: “Um dos principais desafios que observamos é que, por vezes, as iniciativas de bem-estar ainda são encaradas como ações pontuais ou momentos de celebração, em vez de fazerem parte de uma estratégia contínua de cuidado com as pessoas”.
A resposta passa também por ouvir as equipas. “Cada organização tem a sua realidade, diferentes perfis de equipas e diferentes desafios, pelo que é essencial criar ações que tenham significado para quem as recebe”, insiste.
De benefício a rotina
Por isso, a recomendação é começar de forma simples e medir a adesão. Muitas empresas começam com uma sessão mensal e vão aumentando a frequência à medida que percebem o interesse das equipas. Quando os colaboradores começam a perguntar quando será a próxima sessão, esta “deixa de ser vista como um evento isolado e passa a fazer parte da rotina da organização”.
Quanto ao futuro, Richard Pinheiro Watson acredita que o bem-estar nas empresas será cada vez mais personalizado, preventivo e integrado na cultura das organizações. “O bem-estar deixará de ser visto como um benefício adicional e passará a ser uma componente essencial da cultura das organizações, refletindo a forma como estas valorizam e cuidam das suas pessoas.”
“Uma sessão ocasional pode ser uma experiência positiva, mas, quando os colaboradores sabem que existe regularmente um momento reservado para cuidar de si, a mensagem transmitida pela empresa torna-se muito mais forte: o bem-estar das pessoas é uma prioridade contínua e não apenas uma iniciativa pontual.” E, conclui, “por vezes, alguns minutos de pausa durante o dia podem representar uma grande diferença na forma como um colaborador se sente valorizado e cuidado”.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI