Quando, em 2014, o horizonte de crise se adensava sobre Angola, Gilda Pereira, uma licenciada em Direito que estava em Luanda há seis anos como consultora de negócios (ajudando empresas e as pessoas que com elas vinham a fixarem-se em Angola), percebeu que a melhor opção seria regressar a Portugal. Porém, com 33 anos, desligada de uma carreira na sua área de formação académica (apesar de já admitida na Ordem dos Advogados) e habituada a uma autonomia e raio de ação elevados, temeu por aquilo que o mercado de trabalho português lhe poderia reservar.
Num país na encruzilhada entre os estrangeiros que queriam viver, cá, mais horas de sol e uma geração qualificada que procurava, lá fora, melhores condições, a solução de Gilda foi criar o seu próprio projeto empresarial, baseada no conhecimento que acumulara nas funções que desempenhara em Angola. O nome dizia tudo: Ei! Assessoria Migratória.
Nestes 10 anos de percurso, a adaptação às mutações da realidade migratória tem sido um dos traços (e ingredientes de sucesso) da Ei!. Quer nos fluxos (imigração ou emigração), quer no perfil dos potenciais clientes (tipo, nacionalidade e finalidade).
Com efeito, os serviços prestados pela empresa de Gilda Pereira em 2016 eram quase exclusivamente prestados a futuros emigrantes portugueses. No final desse ano, a tendência começou a inverter-se (clientes imigrantes) e, em 2018, as empresas começam a ser em muito maior número que os clientes particulares, designadamente da área das Tecnologias da Informação (TI), que recrutavam talento estrangeiro para colmatar a lacuna existente em Portugal.
No presente, e sem recusar ou descurar clientes individuais, a Ei! continua a ter nas empresas o seu core, mas agora já não somente as TI (embora ainda liderem na procura), uma vez que setores como turismo, imobiliário, desporto, educação e distribuição moderna assumiram também o protagonismo no recrutamento de trabalhadores estrangeiros.
Assim, prestar serviços às empresas que pretendem contratar talento global é a sua missão, o que significa, em primeira instância, fornecer uma consultoria técnica especializada sobre a contratação de recursos humanos estrangeiros. Após as empresas identificarem os colaboradores para contratação, a Ei! faz uma avaliação do tipo de visto a solicitar, de acordo com diversos fatores. Seguidamente, emitido o visto que permite o exercício de atividade remunerada em Portugal, trata de todos os serviços necessários para que os novos colaboradores se estabeleçam em Portugal sem sobressaltos, numa lógica de “one stop shop”: obtenção de NIF, abertura de conta bancária, procura de casa, solicitação de número de utente, entre outros.
Sem papel e com flexibilidade
A operar num setor onde a capacidade de ouvir, entender e acompanhar o interlocutor é vital, a Ei! aplica os mesmos preceitos na sua casa.
Desde logo em algumas práticas de governance que, sob a matriz da transparência, fomentam a identificação dos profissionais com o espírito e metas da empresa. O melhor exemplo dessa estratégia é o acesso à faturação da empresa proporcionado a cada colaborador, de forma a incentivá-lo a atingir os objetivos comerciais, sejam eles individuais ou coletivos, determinantes para a posterior avaliação de desempenho.
A pertença à organização é procurada com a sessão de brainstorming geral realizada a cada 15 dias – onde todos contribuem com ideias ou expõem os seus problemas para serem solucionados em conjunto – e com a realização de, pelo menos, um evento de team building (que pode ocorrer em Portugal ou no estrangeiro) e ainda a obrigatoriedade de duas vezes por semana todos coincidirem no escritório (reforça o espírito de equipa).
O conforto dos “Ei!” é uma das prioridades da Gestão de RH da empresa, estruturado em dois eixos, ligados de forma estreita: bem-estar e flexibilidade. As medidas mais emblemáticas são os três dias extra de férias (25 ao todo) e o dia de aniversário livre (com gozo transferido para a semana, quando ocorre no fim de semana): versatilidade de horário (desde que cumpridas as oito horas de trabalho e compatibilizadas com o funcionamento dos serviços públicos, o início e fim específico da jornada de
trabalho é definida pelo próprio) e modelo de trabalho híbrido (dois dias de home office).
Já quanto ao plano das regalias puras, a Ei! oferece aos seus 20 colaboradores seguro de saúde, que é extensível ao agregado familiar. Na área da sustentabilidade, a eliminação do papel é o grande marco do progresso na Ei!. Desde 2023, através do desenvolvimento e aplicação de um programa informático
(Migration Track), os processos passaram a ser tratados digitalmente, com os clientes a poderem descarregar os seus documentos e acompanharem a sua evolução em tempo real. O programa permite ainda aos colaboradores terem acesso à faturação da empresa em tempo real e assegurar o workflow de todos os seus dossiês profissionais e tarefas.
A diversidade e inclusão são intrínsecas à atividade da Ei! e, até por necessidade (relativa à fluência em vários idiomas), repercutem-se na própria equipa, que é multicultural. E alarga-se ao espetro etário dos colaboradores, que é bastante amplo (26 aos 63 anos).
Artigo publicado na edição 155 da RHmagazine, referente aos meses de novembro e dezembro de 2024
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