Asessão, moderada por João Caldeira, Sales Manager Portugal & Account Executive Ibéria da goFLUENT, contou com os contributos de três especialistas do setor bancário: Ana Vala (Novobanco), Teresa Jacinto (Bankinter) e Isabel Laranjeira (BPI). Focou-se, como a própria temática sugere, na otimização dos programas de formação.
Sobre os desafios que se colocam num setor altamente regulado, Ana Vala, Head of Academia do Novobanco, fez saber que um dos principais objetivos é garantir a conformidade legal sem comprometer a inovação. “Os bancos, do ponto de vista da formação, têm de fazer um equilíbrio. Somos um setor altamente regulado. Há que cumprir uma grande parte da formação obrigatória e isso também traz desafios quando queremos modernizar os nossos sistemas e passar a ter um contexto de aprendizagem contínua.”
Para dar resposta a tudo isto, o Novo Banco está focado na implementação de “um ecossistema de aprendizagem” focado nas pessoas, sustentado por tecnologia e alinhado com a sua estratégia. “Somos um banco centrado no cliente, algo que está muito ligado à digitalização e isso faz-se através das pessoas, de uma cultura forte e de forma sustentável.” Para Ana Vala, a formação deve não só garantir que os colaboradores estão aptos a desempenhar as suas funções como prepará-los para a “aceleração rapidíssima que a inteligência artificial vai trazer”.
Teresa Jacinto, Responsável de Formação e Gestão de Talento do Bankinter, destacou o impacto da evolução tecnológica e a necessidade de acelerar a transformação digital para corresponder às expetativas dos clientes e das novas gerações. A responsável explicou que a formação no Bankinter é desenhada com base na estratégia da organização, cujo principal foco é garantir uma experiência de excelência ao cliente “cada vez mais exigente”.
Focando-se na diversidade geracional nas equipas, referiu: “Neste momento, estamos a trabalhar com muitas gerações dentro do banco. Isso faz com que tenhamos pessoas com muito mais avidez para a tecnologia e vontade de absorver todos os conceitos que ela nos traz, mas também aqui uma certa resistência à mudança por outras gerações”.
Por sua vez, Isabel Laranjeira, Gestora Especialista na Área da Aprendizagem do BPI, identificou a literacia digital, a cibersegurança e a data analytics como áreas prioritárias de formação. Conforme esclareceu, o BPI disponibiliza uma plataforma interna de aprendizagem e complementa a oferta com recursos externos, como a GOfluent, para chegar a todos os colaboradores, esbatendo barreiras geográficas e apostando em soluções com inteligência artificial para personalizar a formação.
Apesar de reconhecer que o BPI enfrenta uma “carga de formação normativa”, salientou o esforço que o banco tem feito para equilibrar essa obrigatoriedade com um “conjunto alargado de ofertas” que valorizem o percurso dos colaboradores.
Alinhamento entre equipas e liderança é estratégico
As oradoras foram unânimes em reconhecer a importância do alinhamento entre diferentes departamentos e liderança na criação de ecossistemas de aprendizagem eficazes. “Se tivéssemos de identificar um protagonista, seriam sempre os nossos colaboradores. Mas o envolvimento das lideranças é fundamental. Se não houver um alinhamento estratégico a esse nível até ao topo, será muito difícil conseguirmos ter sucesso na concretização de determinados programas”, reforçou Teresa Jacinto. Já Isabel Laranjeira apontou os formadores como “parceiros estratégicos” e os gestores de formação como “elos de ligação no ecossistema”.
Ana Vala acrescentou que um ecossistema de aprendizagem só funciona verdadeiramente se existir uma colaboração estreita entre todos. “Um ecossistema só vive se efetivamente nós não estivermos fechados num departamento de Recursos Humanos a tentar desenhar o que é que faz sentido para a estratégia”, disse, salientando ainda o potencial que representa o conhecimento interno acumulado, numa organização com uma idade média elevada dos colaboradores, e a importância de integrar novos perfis tecnológicos.
Igualmente importante é, no seu entender, o envolvimento das lideranças, assim como a mudança de mindset. “É muito importante que as lideranças se envolvam, mas também ajudá-las a acompanhar esta mudança de mindset em que o colaborador é o dono da sua carreira e decide as competências que quer trabalhar.”
Quanto aos desafios da digitalização, Ana Vala entende que estão sobretudo relacionados com a “mentalidade de crescimento”. “Estamos a trabalhar muito com as lideranças, porque um dos objetivos da academia nos próximos anos é que a formação e o desenvolvimento sejam encarados como um hábito (…). É aqui que o papel da liderança é muito importante, porque tem que efetivamente criar condições para que no horário de trabalho a formação e o desenvolvimento sejam uma prioridade”, remata.
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