As empresas que estão em processos de transformação têm um efeito negativo nos colaboradores. A conclusão é do estudo “Transformation Fatigue”, realizado pela Emergn, uma empresa global de serviços digitais. Metade dos profissionais inquiridos, líderes e gestores de grandes empresas, tiveram vontade de abandonar o emprego.
Para realizar o estudo, a Emergn recorreu a 702 profissionais, que desempenham cargos de CEO, CTO, COO, gestores de projeto, consultores de transformação e gestores departamentais. Residentes no Reino Unido e nos EUA, as empresas nas quais os inquiridos trabalham têm mais de 1.000 funcionários e uma faturação anual média superior a 500 milhões de dólares.
O desgaste dos colaboradores de empresas em constantes mudanças organizacionais é evidente, principalmente quando estas são mal geridas. 60% dos inquiridos revelaram ter passado por situações de burnout, como consequência das alterações. 58% ficaram desanimados com a ideia de efetuar mudanças na empresa.
Os motivos que levam à insatisfação
O estudo em questão apontou a liderança desconecta, a comunicação deficiente e a falta de programas de aprendizagem eficazes como os principais motivos da fadiga dos colaboradores. As falhas de liderança, nomeadamente no que toca à distância entre as chefias e as preocupações da equipa, são consideradas uma importante causa para a falta de sucesso das transformações.
25% dos colaboradores mostraram insatisfação devido à falta de informação. As falhas na comunicação de objetivos e motivos das mudanças têm um impacto negativo. Ainda assim, 70% dos profissionais admitem que realizar alterações é, muitas vezes, importante para as empresas. Transformações bem-sucedidas incentivam a competitividade no mercado.
Alex Adamopoulos, CEO da Emergn, referiu: “Muitas organizações reconhecem que as transformações, quando bem executadas, são cruciais. No entanto, as iniciativas de transformação precisam de impulso, clareza na mensagem e programas de aprendizagem que mantenham os colaboradores focados em valor e nos resultados. Os líderes têm de conseguir provar por que as empresas devem dar o próximo passo.”
O impacto das consultoras
Metade dos profissionais inquiridos trabalharam com três das maiores consultoras globais e, destes, 87% consideraram a experiência desagradável. Os restantes admitiram que as consultoras apoiaram positivamente as suas organizações. 30% dos inquiridos justificaram os números tanto pela falta de formação e de apoio, como pelas soluções padronizadas. A falta de personalização levou a transformações breves, ao invés de duradouras.
Alex Adamopoulos continuou: “O que temos são exércitos de consultores com malas de executivos, que entram nas organizações e tentam, com confiança, encaixá-las num modelo de estratégia de transformação pré-definido.”
“Mas o que as organizações realmente precisam é de uma solução que funcione no seu contexto específico – precisam de ser donos da sua transformação. O volume elevado de fadiga das transformações mostra que recorrer à solução padrão das grandes consultoras não está a funcionar.”, concluiu.
A Emergn em Portugal
A Emergn já conta com uma equipa de cerca de 80 colaboradores, em Portugal. Sediada no Porto, a empresa tem foco no desenvolvimento de soluções personalizadas. Os produtos devem responder às necessidades dos clientes.
João Ferreira, Portugal Location Lead da Emergn, afirmou: “No nosso hub, temos vindo a criar uma cultura que valoriza a inovação e a adaptação e acredito que este é o tipo de mentalidade que pode ajudar as empresas a evitar a fadiga das transformações mencionada no estudo.”
“A nossa equipa em Portugal está capacitada para oferecer um apoio personalizado que não só ajuda a implementar mudanças, mas também a garantir que estas são sustentáveis e benéficas para todos os envolvidos.”, concluiu.
Os setores público e governamental são os que incluem profissionais com mais sinais de fadiga devido a transformações, segundo o estudo em questão. Nestes, 65% dos colaboradores pretendem deixar os empregos, pelo cansaço e pelo excesso de trabalho. A área de Vendas e Marketing tem cerca de 25% dos projetos de transformação concluídos com sucesso. Já as de Finanças, Jurídica e RH sentem pouco impacto.