A biologia sintética está a ser a aposta de 96% das empresas. A conclusão é do “Unlocking the power of engineering biology: The time is now”. Este estudo do Research Institute da Capgemini divulgou conclusões sobre bioeconomia. Todos os setores de atividade serão afetados pela biologia sintética, que consiste na aplicação dos princípios da biologia para criar ou reformular sistemas biológicos.
Entre abril e maio de 2024, foram inquiridos 1.100 gestores de topo de organizações de 11 setores de atividade, com receitas anuais superiores a 1.000 milhões de dólares. Foram também inquiridos 500 gestores de topo de startups de engenharia biológica e relacionados. Adicionalmente, foram entrevistados 20 especialistas.
A também denominada engenharia biológica, por usar princípios de engenharia, é conjugada com IA (Inteligência Artificial) e com outras técnicas computacionais. O propósito do investimento nesta área é conseguir vantagens ambientais. Contudo, é igualmente possível melhorar a eficiência dos produtos.
O interesse das empresas na biologia sintética
A sustentabilidade e a otimização dos custos e dos benefícios operacionais estão a incentivar o interesse das empresas pela biologia sintética. 70% dos inquiridos esperam auxílio no cumprimento de objetivos de sustentabilidade. Mas, para isso, é essencial fomentar a sensibilização e a aceitação do mercado, diminuir os elevados custos envolvidos e inverter a insuficiência de profissionais qualificados.
Através do uso da IA e dos princípios da engenharia biológica, é possível potenciar a inovação em todos os setores de atividade. Aumenta-se, assim, a previsibilidade e acelera-se o desenvolvimento. 99% dos inquiridos esperam mudanças radicais nos próximos anos, resultantes da aplicação de engenharia biológica nas suas áreas.
O desenvolvimento tecnológico em síntese, edição e sequenciação do ADN melhorou a conceção dos sistemas biológicos, reduzindo os custos. Também o progresso da IA foi bastante benéfico. A compreensão e a previsão do comportamento de proteínas e estruturas metabólicas foram facilitadas.
96% das empresas já procuram biosoluções, estando 40% em fase exploratória e 56% em fase de experimentação. Esta última integra projetos piloto e projetos de implementação em larga escala. O aumento dos investimentos é indicador da maior aceitação desta técnica no mercado. 68% dos inquiridos garantem que as suas empresas planeiam aumentar os investimentos na área nos próximos anos.
A perspetiva da Capgemini
Roshan Gya, CEO e Membro do Comité Executivo da Capgemini Invent, afirmou: “A bioeconomia está num momento de viragem, com a promessa de oferecer oportunidades ilimitadas às empresas, e os gestores estão atentos a isto. As biosoluções já nos permitem fazer inovações verdadeiramente revolucionárias em todos os setores e com impacto direto em múltiplos aspetos do nosso quotidiano.”
“Por exemplo, é possível o desenvolvimento de organismos que capturam CO2 e de micróbios que purificam a água e a criação de biocombustíveis a partir de resíduos ou de medicamentos de última geração que atuam em perfis específicos de ADN. No entanto, para aproveitarmos esta dinâmica e tornarmos as biosoluções comercialmente viáveis, são precisos mais investimentos.”, continuou.
E concluiu: “Com a IA generativa a aumentar a velocidade e a precisão dos processos de engenharia e a contribuir para reduzir os custos, a engenharia biológica está pronta para reinventar e transformar completamente as empresas nos próximos anos.”
O impacto das biosoluções
As biosoluções devem ser devidamente aproveitadas, de forma a originar os resultados esperados na área da sustentabilidade. A maioria dos inquiridos acreditam no impacto positivo da engenharia biológica ao nível das mudanças climáticas, da poluição atmosférica e da contaminação ambiental causada pelos plásticos.
Ainda assim, os impactos ambientais e sociais das biosoluções devem ser aferidos durante todo o ciclo de vida. Os custos envolvidos e a sua eficiência também deverão ser previamente analisados. Posto isto, estarão reunidas as condições para a adoção massiva.
As empresas acreditam que as biosoluções poderão ajudar na redução da poluição e das emissões, melhorando, igualmente, o desempenho e a segurança dos produtos e reduzindo as possibilidades de interrupções das cadeias de abastecimento.
Os principais desafios associados
O estudo em questão abordou, ainda, os principais desafios à adoção de biosoluções em larga escala. Os inquiridos apontaram a ausência de infraestruturas adequadas, a complexidade envolvida na reconfiguração das cadeias de abastecimento e na evolução dos enquadramentos legais e as barreiras associadas ao próprio uso.
65% das startups de engenharia biológica evidenciaram a falta de literacia na área como um obstáculo. Garantiram que dificulta a capacidade de escalar as biosoluções e que seria necessário fomentar a maior especialização.
A redução de custos, a otimização de bioprocessos, a diminuição do tempo de comercialização das biosoluções e a mitigação dos riscos ambientais e sociais são os principais objetivos do investimento em tecnologias digitais e de engenharia. A IA é considerada a tecnologia mais transformadora ao nível da eficiência de processos. 98% das empresas usam IA para acelerar a adoção de biosoluções.
Outras medidas que permitem reduzir custos e acelerar a adoção em larga escala são a implementação de robótica e de digital twins, por preverem resultados de produção. 70% das organizações preferem, contudo, o uso de IA, face a apenas 20% que opta pela robótica e 11% pelos digital twins.
As condições base
A criação de estratégias bem fundamentadas, a sensibilização do público, a consideração de impactos na sustentabilidade e o desenvolvimento de aspetos ligados à circularidade são alguns dos fatores a ter em conta pelas empresas, perante a adoção de biosoluções.
O empenho das organizações de todos os setores de atividade deve decorrer dentro de um quadro normativo, que seja especialmente concebido para este fim. Deverá ser focado no desenvolvimento e na implementação da bioeconomia. Medidas claras e progressivas devem estar nele incluídas.
A Capgemini, em 2023, investiu num laboratório de biotecnologia, orientado por IA, situado na sede britânica. Alia conhecimentos científicos de vanguarda e tecnologia de IA à experiência de engenharia da empresa. Permite a redução dos custos e a aceleração da comercialização de produtos e serviços de todos os setores. O laboratório está direcionado para os desafios dos clientes e para a inovação.