As preocupações relativas à Segurança e Saúde no Trabalho (SST) desempenham, sem dúvida, um papel imprescindível na proteção do bem-estar e da produtividade das empresas. Porém, para que a implementação destas medidas não se limite a uma mera resposta às imposições legais, é fulcral garantir o envolvimento de todos os trabalhadores. A formação e a liderança em segurança no trabalho revelam-se vitais nesse objetivo basilar.
De acordo com o Institute for an Industrial Safety Culture (ICSI), este conceito pode definir-se brevemente do seguinte modo: “A liderança em segurança no trabalho consiste na capacidade de mobilizar pessoas em torno de desafios relacionados com a SST, influenciando comportamentos no sentido de os tornar mais seguros.”
“A liderança em segurança no trabalho consiste na capacidade de mobilizar pessoas em torno de desafios relacionados com a SST”
Importa frisar, portanto, que as ações de liderança nesta matéria apresentam um impacto direto na perceção interna da SST, nos mais diversos níveis da organização. Esse esforço traduz-se, certamente, num conjunto amplo de benefícios – tanto para os trabalhadores como para a empresa.
A European Agency for Safety & Health at Work (EU-OSHA) destaca, então, algumas das vantagens inerentes a uma boa liderança em segurança no trabalho:
- Prevenção de acidentes de trabalho e doenças profissionais;
- Incremento dos níveis de produtividade e de eficácia;
- Aumento do ânimo, da confiança e da motivação dos trabalhadores;
- Maior capacidade de atração e retenção de talentos e de novos clientes, em virtude do reforço do capital reputacional.
Três princípios-chave de uma efetiva liderança em segurança no trabalho
A promoção proativa de uma cultura de segurança deve alicerçar-se sobre alguns pilares indispensáveis. Para fomentar eficazmente este esforço coletivo – em prol da saúde e da segurança -, importa seguir, então, alguns princípios:
- Envolvimento dos cargos de chefia: É fundamental que os líderes das equipas demonstrem um inequívoco compromisso com estas políticas prioritárias. As boas práticas de SST devem, assim, assumir-se um fator preponderante em todas as tomadas de decisão das empresas.
- Incentivo à participação de todos: As iniciativas de formação e de promoção do diálogo com todos os trabalhadores desempenham, também, um papel insubstituível no que respeita à eficácia e adequação dos papéis de liderança em segurança no trabalho.
- Monitorização regular e criteriosa: A identificação contínua dos riscos profissionais que afetam cada contexto laboral é, igualmente, crucial para assegurar a pertinência (bem como a constante atualização) das políticas de SST.
Que estratégias adotar para cimentar uma cultura de segurança no trabalho?
Como afirma a página da EU-OSHA, uma fraca liderança em segurança no trabalho acarreta, decerto, um conjunto amplo de riscos. Entre eles, podemos destacar os custos humanos e financeiros associados a acidentes, baixas médicas, indemnizações ou, até, a baixos índices de motivação.
Nesse sentido, revela-se essencial que as empresas – começando, naturalmente, pelos seus cargos de liderança – equacionem alguns cuidados estratégicos primordiais. Descubra, então, alguns deles:
- Lidere pelo exemplo: Para que a liderança em segurança no trabalho se demonstre realmente eficaz, não basta exigir o compromisso dos trabalhadores com o quadro regulatório aplicável. Antes de qualquer outra coisa, é fundamental que os cargos de chefia assumam a dianteira na adoção destes comportamentos e, claro, na sua priorização no dia a dia.
Este fator é decisivo para a edificação de uma cultura corporativa que, de facto, valorize a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Para isso, é importante que os líderes invistam, continuamente, na sua própria formação profissional em SST, garantindo assim que os seus comportamentos e atitudes são percecionados, pelas suas equipas, como uma referência. - Encoraje a comunicação aberta: A promoção de um diálogo transparente e honesto é, igualmente, fundamental para uma adequada liderança em segurança no trabalho. Neste âmbito, a assertividade da comunicação é, certamente, um fator relevante. Não obstante, é imprescindível que esta interlocução não assuma, em momento algum, um caráter unidirecional.
Os líderes devem, por isso, investir na criação de um ambiente de confiança mútua, em que a consulta aos trabalhadores na gestão da SST se paute por uma partilha sincera de preocupações, ideias e opiniões. Por conseguinte, pode demonstrar-se útil adotar ferramentas como:- Sistemas de reporte (com possibilidade de anonimização) de incidentes e situações de risco;
- Realização regular de fóruns de discussão sobre esta temática;
- Solicitação frequente de feedback sobre potenciais ameaças, procurando assim prevenir ou minimizar, atempadamente, o seu potencial impacto.
Além disso, é crucial adotar uma abordagem não punitiva relativamente a erros ou incidentes. O foco da liderança em segurança no trabalho deve, sem dúvida, estar na aprendizagem contínua e na promoção de uma partilha inclusiva e regular de experiências (intra ou interempresas), incentivando a disseminação e a implementação de boas práticas.
- Valorize e recompense os comportamentos seguros: O papel de um líder eficaz e assertivo nesta matéria deve, também, passar pelo reconhecimento dos comportamentos seguros e exemplares. O estabelecimento de um sistema de incentivos às melhores práticas – com destaque individual ou de equipa – pode ser uma alavanca central para a concretização de uma cultura de segurança.
- Atualize os recursos de SST: Outra estratégia a equacionar, no quadro da liderança em segurança no trabalho, passa pelo esforço de renovar periodicamente os materiais e a tecnologia. O investimento em dispositivos mais avançados e adequados ao contexto de cada profissional permitirá, certamente, aumentar os níveis de satisfação e conforto dos trabalhadores.
Neste caso, vale a pena considerar a adoção de ferramentas equipadas com inteligência artificial (IA) ou de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) inteligentes, por exemplo. - Aposte na formação contínua dos trabalhadores: Este é, decerto, o alicerce central para a edificação de uma cultura empresarial que priorize a SST, garantindo a efetiva implementação, adequação e atualização das normas, das políticas e dos equipamentos da organização. A formação profissional focalizada nesta área é, pois, uma responsabilidade incontornável para a liderança em segurança no trabalho.
Formação em SST à medida da sua empresa
Como vimos, o proativo envolvimento dos trabalhadores é uma peça fulcral para a adoção de práticas responsáveis no dia a dia. Cabe aos profissionais responsáveis pela liderança em segurança no trabalho garantir essa participação, assim como o compromisso, de todos os profissionais.
O fornecimento regular de informação e formação é um passo indispensável nesse sentido. Neste campo, é aconselhável que se opte por ações de formação com um cariz mais prático, preferencialmente on-the-job. Desse modo, poderá garantir-se a personalização do programa formativo – um fator com um impacto muito considerável no desenvolvimento e aprimoramento de competências e conhecimentos.
Além disso, o foco deve manter-se nas mais-valias, tanto para cada trabalhador como para as equipas e a organização, que decorrem da mudança dos comportamentos e atitudes concernentes à SST.