Empresas familiares europeias estão confiantes no futuro e a investir em inovação e tecnologia, para cumprirem os seus planos de crescimento, avança o European Family Business Barometer, da KPMG.
O futuro das empresas familiares europeias é encarado, pelos seus executivos, com confiança. Com planos de crescimento em vista, estão a investir no seu core business, em inovação e tecnologia e no recrutamento e formação, já que um dos seus desafios é a disputa pelo talento, avança a KPMG, através do European Family Business Barometer.
De acordo com os resultados obtidos, 73% dos inquiridos estão “confiantes” ou “muito confiantes” nas perspetivas económicas das suas empresas familiares para o próximo ano. Apenas 6% revelam ter “perspetivas negativas” ou “muito negativas” relativamente ao futuro dos seus negócios.
Segundo o barómetro da consultora, aumentar a rentabilidade (49%) e o volume de negócios (38%) e atrair talento (27%) são as três principais prioridades dos gestores de empresas familiares para os próximos dois anos. Já entre os três maiores desafios encontram-se a disputa pelo talento (53%), o aumento do custo da mão de obra (36%) e a incerteza política (36%).
Investir em inovação e talento para impulsionar o crescimento
“As empresas familiares da Europa têm planos para crescer”, lê-se no comunicado. Quase um quarto (23%) dos inquiridos planeia expandir e diversificar os seus produtos para impulsionar o crescimento futuro e mais da metade (54%) perspetiva expandir-se para novos mercados.
“As empresas familiares estão a capitalizar o crescimento e a reinvestir os lucros”. De acordo com o dados do barómetro, 86% estão a investir no seu core business, 83% em inovação e tecnologia e 81% no recrutamento e formação, o que constitui uma “resposta direta a dois dos principais desafios identificados: falta de competências (53%) e aumento do custo do trabalho (36%)”.
As empresas familiares europeias reconhecem a necessidade de novos skills nas suas lideranças. Um terço dos entrevistados está a pensar contratar um CEO externo.
“A um certo ponto, a empresa familiar só consegue crescer mais se enriquecer a capacidade de gestão da empresa. Isto não quer dizer que a família perde poder, antes pelo contrário, ganha dimensão e permite obter colaborações e conselhos de grande valor. Não será para todas, mas se a ambição é tornarem-se empresas da dimensão da Sonae, da Semapa ou da Jerónimo Martins, então é seguir o exemplo destas empresas que se distinguem por terem executivos de muito talento a trabalhar ao lado de membros da família”, afirma Peter Villax, presidente da Associação Portuguesa de Empresas Familiares, citado no comunicado.
Gerir a volatilidade
“Com desafios como o Brexit, o protecionismo e as negociações comerciais complexas no centro do cenário mundial, não surpreende que 36% dos entrevistados considerem a incerteza política uma preocupação”, avança a KPMG. No entanto, “as empresas familiares da Europa estão a adotar uma abordagem de longo prazo e uma postura proativa na aquisição de talento e na tomada de decisão procurando flexibilidade para responder às mudanças em tempo útil”, informa a consultora.
“As empresas familiares continuam a adaptar-se às realidades do mercado para crescerem. Mas o próximo desafio, delicado e crucial, passa por conseguirem dar escala à suas operações. O mundo dos negócios está cada vez mais ligado à escala global, pelo que as empresas familiares precisam de ter em conta o aumento da concorrência global nos seus planos de crescimento e expansão”, refere Vitor Ribeirinho, deputy chairman da KPMG Portugal.
O European Family Business Barometer, desenvolvido pela KPMG, entrevistou 1.576 executivos de empresas familiares em 26 países europeus, incluindo Portugal.