Mais de um quarto dos empregos em Portugal está em risco de desaparecer devido à automação e à inteligência artificial (IA), segundo um estudo da FFMS, divulgado esta sexta-feira, 30 de janeiro.
De acordo com a investigação, 28,8% dos postos de trabalho apresentam elevada exposição à automação, enquanto mais de um terço dos empregos (cerca de 35%) têm baixa exposição. O restante situa-se numa zona intermédia, onde a tecnologia tende a transformar funções, mais do que a eliminá-las. O impacto não depende tanto do setor de atividade, mas sobretudo do conteúdo das tarefas desempenhadas.
Profissões com risco superior a 70%
Estas profissões concentram, em média, níveis mais baixos de escolaridade, salários inferiores e menor acesso à formação contínua, o que aumenta o risco de exclusão do mercado de trabalho caso não existam políticas eficazes de requalificação.
- Assistentes administrativos e funções de secretariado;
- Empregados de contabilidade básica e processamento de dados;
- Operadores de caixa, bilheteiras e atendimento transacional;
- Trabalhadores não qualificados da indústria;
- Operadores de máquinas e linhas de montagem;
- Algumas funções logísticas e de armazém.
Profissões em transformação
A tecnologia tende a assumir tarefas repetitivas, libertando tempo para funções de análise, tomada de decisão, relação com clientes e resolução de problemas. A empregabilidade passa, assim, a depender diretamente da capacidade de adaptação e atualização de competências.
- Técnicos intermédios;
- Profissionais comerciais e de vendas;
- Funções administrativas especializadas;
- Profissionais do setor financeiro e segurador;
- Técnicos de apoio informático.
Profissões com menor exposição à automação
Nestes casos, a automação e a IA funcionam sobretudo como ferramentas de apoio, aumentando a produtividade, mas sem substituir o julgamento humano.
- Profissionais de saúde;
- Docentes e formadores;
- Gestores e quadros superiores;
- Engenheiros, cientistas e profissionais de tecnologias de informação;
- Profissões criativas;
- Trabalhadores de cuidados pessoais.
O estudo mostra também que o impacto da automação e da IA varia significativamente consoante a região. As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto apresentam, em média, menor exposição ao risco, devido à maior concentração de empregos qualificados e intensivos em conhecimento. Em sentido inverso, regiões com maior peso da indústria, logística e tarefas operacionais registam níveis mais elevados de vulnerabilidade, refletindo uma estrutura económica mais exposta à automação.
A FFMS alerta ainda para o risco de reforço das desigualdades sociais e profissionais. Os empregos mais expostos à automação são também aqueles ocupados por trabalhadores com menor qualificação e salários mais baixos, enquanto as profissões menos afetadas beneficiam, em regra, de maior investimento em aprendizagem contínua.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI