As empresas entraram em 2026 com menos margem para errar na formação. Depois de anos de investimento em upskilling e plataformas digitais, a aprendizagem passa a ser avaliada pelo impacto real no negócio. É esta a principal conclusão do relatório Trends 2026: Reinforcing the Strategic Value of Learning, da Training Industry.
A análise mostra que apenas 37% das organizações avaliam atualmente a aprendizagem com base no impacto no negócio, apesar de a maioria dos líderes reconhecer a necessidade de ligar formação a desempenho e resultados. Ao mesmo tempo, 50% dos responsáveis de recursos humanos (RH) apontam a elevada carga de trabalho como o principal obstáculo à aprendizagem, enquanto apenas 21% dos colaboradores se consideram altamente envolvidos, um dado que condiciona a eficácia dos programas de Learning & Development (L&D).
Neste contexto, o relatório aponta oito tendências que ajudam a perceber como a aprendizagem está a ser reposicionada nas organizações:
- Mudança de competências abranda, mas aprofunda-se: a percentagem de core skills que se prevê virem a mudar até 2030 desce de 44% em 2023 para 39% em 2025, sinalizando uma fase de consolidação e maior foco em competências críticas;
- Aprendizagem avaliada pelo impacto no negócio: indicadores tradicionais, como horas de formação ou níveis de satisfação, deixam de ser suficientes, reforçando a pressão para medir a aprendizagem através de métricas de desempenho, produtividade, eficiência e retenção de talento;
- Inteligência artificial (IA) acelera a aprendizagem com supervisão humana reforçada: a IA ganha peso na criação de conteúdos, personalização e apoio ao desempenho, mas 22% dos líderes de L&D identificam a fiabilidade dos conteúdos gerados como uma preocupação relevante;
- Envolvimento dos gestores torna-se ponto crítico: a pressão por resultados imediatos continua a limitar o tempo disponível para formação, com 50% dos responsáveis de RH a admitirem que a carga de trabalho elevada deixa pouco ou nenhum espaço para aprendizagem;
- Formação integrada no fluxo de trabalho: a aprendizagem deixa de acontecer em momentos isolados e passa a ser contínua, contextual e orientada para a resolução de problemas reais;
- Envolvimento dos colaboradores dita o ritmo da mudança: apenas 21% dos colaboradores se consideram altamente envolvidos, levando muitas organizações a concentrar esforços nos segmentos mais motivados;
- Equipas de L&D assumem um papel mais estratégico: as áreas de aprendizagem afastam-se da produção de conteúdos e passam a desenhar ecossistemas alinhados com tecnologia, cultura organizacional e objetivos de negócio;
- Mercado de formação torna-se mais seletivo: o relatório antecipa um possível abrandamento da procura por serviços tradicionais de formação em 2026, enquanto soluções tecnológicas avançadas, como coaching assistido por IA, continuam a crescer.
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