Há “fantasmas” a vaguear pelos corredores das empresas. Fenómenos como o ghostworking ou o quiet cracking estão a revelar o preço emocional da era digital, segundo o especialista em produtividade Ryan Zhang, Fundador da plataforma Notta.
Segundo o especialista, citado pelo Digital Journal, o impacto do pós-pandemia e da ascensão da inteligência artificial (IA) deixou marcas visíveis nas equipas: profissionais permanentemente conectados, mas cada vez mais afastados do propósito do seu trabalho. “As empresas precisam de substituir o medo pela clareza e o controlo pela escuta ativa. A produtividade começa quando há espaço para falar sobre o que realmente importa”, diz.
Eis os cinco novos “sustos” que assombram o mundo do trabalho:
1- Ghostworking
Invisível aos olhos dos gestores, alastra-se sobretudo em equipas remotas e híbridas, onde o envolvimento se mede por indicadores digitais e não por contributos reais. Os colaboradores parecem presentes, mas, na realidade, estão mentalmente ausentes.
Dados do relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostram que apenas 21% dos trabalhadores a nível mundial se consideram verdadeiramente envolvidos.
2- Quiet cracking
É o burnout silencioso da era pós-pandemia. Ao contrário do quiet quitting – em que o profissional faz apenas o mínimo -, no quiet cracking o colaborador continua a entregar resultados, mas à custa da sua saúde emocional. “É mais perigoso do que o despedimento”, avisa Ryan Zhang, sublinhando que “quando as pessoas permanecem, mas deixam de se importar, a cultura da empresa começa a ruir por dentro”.
E não é tudo. De acordo com o Workplace Burnout Report 2025, 82% dos trabalhadores estão em risco de esgotamento.
3- Digital presenteeism
Os trabalhadores sentem-se obrigados a estar sempre disponíveis, a responder fora de horas e a provar o seu valor através da exaustão. O Microsoft Work Trend Index 2025 revela que as reuniões fora de horas aumentaram 16% e que um em cada cinco profissionais trabalha ao fim de semana.
Todavia, “a verdadeira produtividade não nasce da exaustão, mas do equilíbrio e da recuperação”, lembra o Fundador da plataforma Notta
4- Job hugging
É o oposto do job hopping e diz respeito aos colaboradores que ficam nos emprego por receio da instabilidade, de reestruturações ou da necessidade de reaprender competências. “Parece estabilidade, mas é estagnação disfarçada”, alerta o especialista.
A Gallup confirma a tendência: 62% dos profissionais admitem estar “desligados” ou apenas “a cumprir horário”.
5- FOBO (Fear of Becoming Obsolete)
À medida que a IA ganha espaço, cresce a ansiedade de ser substituído. Metade dos profissionais norte-americanos admite usar ferramentas de IA em segredo, segundo o Digital Journal, receando ser julgado ou dispensado. “É a nova ansiedade”, resume Ryan Zhang. E “quando o medo de ser substituído supera a vontade de aprender, a inovação deixa de existir”.
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