Depois do quiet quitting, surge agora o quiet cracking, um fenómeno mais silencioso, mas com efeitos ainda mais profundos. Não aparece nos relatórios de produtividade nem nas métricas de desempenho, mas infiltra-se nas equipas: profissionais emocionalmente esgotados, desconectados do propósito da organização e incapazes de encontrar sentido no trabalho que fazem, ainda que continuem, dia após dia, presos ao mesmo emprego.
A expressão foi cunhada pela plataforma TalentLMS, que a define como “um sentimento persistente de infelicidade no local de trabalho que leva à desmotivação, fraco desempenho e a uma maior vontade de sair”. Segundo um novo relatório da empresa, citado pela CNBC, o quiet cracking é “tão perigoso quanto o quiet quitting“, ainda que mais difícil de detetar. “Ao contrário do quiet quitting, não se reflete de imediato nas métricas de desempenho. Mas é igualmente perigoso.”
Para Frank Giampietro, EY Americas Chief Wellbeing Officer, o quiet cracking e o quiet quitting “são duas faces da mesma moeda”. “Ambos são respostas ao burnout no local de trabalho, e ambos podem ser um problema sério para as organizações, se não forem tratados”, afirmou à CNBC.
Já Jim Harter, especialista em ambiente laboral da Gallup, descreve o fenómeno como “outra forma de descrever o distanciamento dos trabalhadores”. O problema, sublinha, é que “sentem-se desligadas, mas também presas, e isso não é bom para os empregadores”.
Entre as causas mais comuns estão “a falta de objetivos claros, a carga de trabalho e relações precárias no trabalho”, destaca o especialista da Gallup. Mas há formas de reagir. “Os trabalhadores que se sentem desmotivados e frustrados devem procurar o seu gestor, expressar o que estão a viver e pedir orientação”, recomenda.
Jim Harter sublinha que a responsabilidade “deve ser uma via de dois sentidos”. “As organizações também passam por desafios, mas os líderes têm poder para influenciar a estrutura organizacional. Os empregadores podem fazer muito se tiverem uma liderança forte e uma gestão que esteja em sintonia com as pessoas.”