A Academia Semear desenvolveu um programa de formação certificada e pioneira em Portugal e já celebra o seu 10º aniversário. A crença na plena inclusão na sociedade de pessoas com deficiência é o que move a sua atividade e o que levou o Semear a criar a própria Academia. A ONGD (Organização Não Governamental para o Desenvolvimento) foi a responsável pela criação do programa. Desta forma, a inclusão socioprofissional de jovens e adultos com DID é promovida desde 2014, a partir da sua capacitação e formação.
Estão em causa programas de capacitação psicossocial, formação profissional e inclusão socioprofissional, em colaboração com empresas, famílias e sociedade, para diminuir a taxa de desemprego desta população. Os números são superiores à taxa de desemprego nacional em seis vezes, o que leva ao isolamento social. Associado, está também o ciclo de pobreza de pessoas com DID, que deve ser combatido.
Os percursos formativos da Academia Semear:
- Modelo Academia Semear – Destinado a pessoas com DID;
- Catálogo Nacional de Qualificações – Programa financiado pelo IEFP que acrescenta recursos próprios que garantem a fase de inclusão socioprofissional e a capacitação de entidades empregadoras.
A Academia já contribuiu para a integração de 65 pessoas no mercado de trabalho, numa rede de 48 empresas parceiras, com uma taxa de retenção a rondar os 90%. No último ano, o aumento do número de formandos da Academia foi de 10%, o que leva a um total de 106 pessoas a participar nos cursos disponíveis.
A Academia já contribuiu para a integração de 65 pessoas no mercado de trabalho, numa rede de 48 empresas parceiras, com uma taxa de retenção a rondar os 90%.
Joana Santiago, Presidente do Semear, afirmou: “Para quem não conhece o sistema, estes números podem parecer redutores, mas o que é facto é que esta metodologia regista uma taxa de retenção na ordem dos 90% com os devidos esforços, típicos de uma ONGD.”
“Ou seja, é um modelo que, para ser bem-sucedido, requer tempo – por vezes até dois e três anos -, equipas técnicas especializadas que apoiam a inclusão e têm associado um investimento ao nível do ensino superior e profissional, com um valor médio de 8.500€ por ano/por formando.”, acrescentou.
A inclusão socioprofissional de pessoas com DID não é uma atividade de volume, de números ou de iniciativas, mas sim de, precisamente, pessoas, cujas particularidades têm os seus desafios. Contudo, também as empresas e as estruturas que se preparam para as receber são uma preocupação.
A mensagem veiculada
A mensagem central das iniciativas da ONGD para promover a cultura de inclusão de pessoas com DID em Portugal é a ideia criada pelo Semear “O Melhor Presente é Poder estar Presente”. O propósito é o de aproximar a sociedade civil e incentivar a construção de comunidades mais sustentáveis.
O propósito é o de aproximar a sociedade civil e incentivar a construção de comunidades mais sustentáveis.
A Presidente do Semear referiu, ainda: “Para os jovens e adultos com DID, o ‘Melhor Presente é Poder estar Presente’. Presente na sociedade, Presente num trabalho, fazer parte de uma equipa, ter uma rotina e, no final do dia, poder ter uma vida como todos nós. Por outro lado, presente não é só uma oferta: é algo atual, que está a acontecer ou algo que temos – ou devemos – ter Presente.”
“E, num momento em que a inclusão desperta nos mais diversos fóruns e comunidades, bem como se fará, brevemente, o primeiro balanço da Lei de 2019, que conduz a quotas de emprego desta população em empresas com mais de 75 pessoas, importa, mais do que nunca, acelerar esta mensagem de uma forma clara, para despertar mais consciências”, rematou.
Esta ideia será transmitida pela primeira vez já na campanha de novembro, aproveitando a fase de decisão de compras de Natal e ponderação orçamental. Estender-se-á até dezembro, assinalando o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência no terceiro dia do mês. A data foi estabelecida pelas Nações Unidas, com o objetivo de promover a consciencialização e mobilizar o apoio para a inclusão destas pessoas na sociedade. Construir uma mentalidade igualitária também faz parte da meta.
As atividades da Academia
Os catálogos de Mercearia e Cerâmica do Semear reúnem as atividades centrais da Academia e os produtos destes dois negócios sociais. Podem ser adquiridos por unidades ou por coleções, como é o caso dos Cabazes Gourmet, que podem ser personalizados. As empresas podem escolher “O Melhor Presente” para os seus colaboradores, transmitindo uma mensagem e um propósito.
As empresas podem escolher “O Melhor Presente” para os seus colaboradores, transmitindo uma mensagem e um propósito.
Joana Santiago também salientou: “Talvez por culpa nossa, das ONGD que trabalham neste âmbito, o discurso da inclusão socioprofissional ainda está muito preso à palavra ‘solidariedade’, quando deveria ser muito mais sobre uma cultura e visão da sociedade civil que acredita nesta população e faz as suas escolhas com foco na sustentabilidade e inclusão.”
“Acresce, ainda, que tudo o que fazemos, fazemo-lo orgulhosamente e com alta qualidade para que o ‘Melhor Presente’ seja efetivamente um presente que orgulha e não ao sabor da ‘piedade’ ou ‘compaixão’. Na nossa Mercearia e Cerâmica, fazemos cada oferta ou produto com rigor e, sim, ‘Com Paixão’.”, concluiu.
A Academia Semear integra os seus três negócios sociais em cinco Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, contando, igualmente, com áreas de formação e integração socioprofissional como: agroalimentar, isto é, armazenagem, indústria, logística e agricultura; HoReCa, isto é, hotéis, restaurantes e cafés; artes e ofícios, isto é, cerâmica e olaria; e serviços e apoio administrativo.