A responsável pela condução da estratégia de talent marketing do unicórnio português pretende construir um processo de recrutamento rápido, que responda ao volume de vagas e mantenha a qualidade do talento.
Francisca Matos chegou à Talkdesk em janeiro, no momento em que o seu desejo de abraçar um novo desafio coincidiu com a necessidade de expansão da equipa do unicórnio português. Conhecedora do projeto, ou não fizesse a Talkdesk parte do ecossistema tecnológico de startups de Lisboa, onde marca presença, também, a Uniplaces, que integrou até ao final do ano pasado, assume, agora, a gestão da equipa de talento e a condução de uma estratégia de talent marketing, capaz de posicionar a empresa de serviços de call center alojados na cloud como “marca empregadora em Portugal”. É na área do recrutamento que tem construído o seu percurso profissional, que começou na Global Career Company e que integra empresas como a Morgan McKinley, Deutsche Bank, Investec, em Londres, Groupon, no Brasil, e a Foreign and Commonwealth Office.
Recém-chegada à Talkdesk, que objetivo assume como talent director?
A minha chegada à Talkdesk acontece num momento em que a empresa está a entrar num período de crescimento particularmente acentuado e acelerado. O meu principal objetivo, enquanto talent director, é liderar a equipa de talento, que já apresentava um excelente desempenho, com o intuito de encontrar no mercado, tanto português como estrangeiro, os talentos necessários nas áreas de engenharia, gestão de produto e design, para conseguirmos melhorar as nossas soluções e criar novas. A Talkdesk tem sede nos EUA, mas é em Portugal que é desenvolvido todo o software, pelo que cerca de 95% das nossas vagas serão, de alguma forma, técnicas. Nesse sentido, a minha missão passará por coordenar estes esforços de integração de talento, bem como por traçar uma estratégia de talent marketing, posicionando a Talkdesk como empregadora em Portugal. Até agora, a marca foi sempre muito trabalhada na ótica do cliente e, portanto, encontrava-se muito direcionada para o mercado internacional. No entanto, e uma vez que planeamos fazer a grande maioria das contratações em Portugal, esta é uma vertente na qual teremos de investir. Ao assumir a função de talent director, será da minha competência gerir a equipa de talento na atração e aquisição de novos talentos e, simultaneamente, conduzir a estratégia de marketing de modo a alcançar as metas delineadas.
Como é que surgiu a oportunidade de integrar a empresa?
Anteriormente, fazia parte da Uniplaces que, tal como a Talkdesk, se insere no ecossistema tecnológico de startups de Lisboa, pelo que já conhecia a empresa e fui acompanhando o trabalho desenvolvido. Vivi muito intensamente os dois anos que estive na Uniplaces, onde desempenhei um papel estratégico na constituição de uma equipa de recursos humanos e talento bastante consistente, mas senti que a minha missão estava cumprida, que era esse o meu legado e que estava na altura de abraçar um novo desafio. Esta minha vontade coincidiu com uma necessidade de expansão da equipa por parte da Talkdesk, que tem registado um crescimento exponencial do seu negócio. Como se trata da mesma área, considero que a minha experiência era, de certo modo, conducente a esta transição, que tem sido muito revigorante para mim.
Considera que a experiência que adquiriu em Londres e no Brasil, na Investec e no Groupon, respetivamente, serão uma vantagem numa empresa que emprega mais de 400 profissionais, dispersos por seis escritórios, localizados em quatro cidades?
Sem dúvida. Um dos aspetos que a Talkdesk tem de muito particular é a diversidade do tipo de pessoas que contrata, tanto em Portugal, como nos EUA, sendo que se está a tornar uma empresa cada vez mais global. Nesta medida, o facto de já ter, em experiências profissionais anteriores, passado por ambientes culturais variados, com estilos de trabalho bastante distintos, irá, certamente, ajudar-me a fazer uma ponte entre os diferentes escritórios. De momento, reporto à equipa dos EUA, que conta comigo para, colaborativamente, pensar uma estratégia unificada e, ao mesmo tempo, adaptada às realidades locais, que era algo que fazíamos também no Groupon. O Brasil é um país enorme, o que tornava imperativo adotar esta metodologia. Esta era igualmente uma prática na Uniplaces, visto que também tínhamos escritórios em vários países. A combinação entre deter um processo de base global que unifica uma empresa em termos de cultura e, simultaneamente, conseguir adaptá-lo às especificidades das realidades locais é algo com que estou familiarizada e que pretendo ajudar a implementar. De ressalvar que a equipa que já existia na Talkdesk é fantástica, sendo que contratámos mais duas pessoas a nível sénior, uma que está encarregue do recrutamento em mercados internacionais, a Sophie Giorgobiani, e uma dedicada exclusivamente ao TDX, o novo laboratório de inovação e sexto escritório da Talkdesk, em Coimbra, o João Coelho. Estes meus pares estão também empenhados em tornar a equipa o mais sólida possível, com o propósito de enfrentar todos os desafios que aí vêm.
Atuamos nos dois lados do funil: procuramos atrair as pessoas, mas temos igualmente a preocupação de as acompanhar e exponenciar o seu potencial cá dentro.
Como é que se processou a transmissão e o contacto com a cultura Talkdesk?
Identifico-me com muitos dos aspetos que caracterizam a cultura da Talkdesk e que espelham os seus valores: “Move fast”, “Do everything it takes”, “Enjoy the ride”. Por outras palavras, é ter a noção de que cada pessoa tem um impacto muito profundo na organização e que esta está a evoluir de forma muito rápida e dinâmica. A este tipo de cultura eu penso que já estava bastante habituada, porque é aquela na qual me revejo e pela qual me pauto. Gosto de trabalhar a um ritmo acelerado e de fazer as coisas acontecer rapidamente. Em termos de adaptação, faz parte da minha missão conhecer detalhadamente o produto Talkdesk e as capacidades técnicas das equipas para conseguir construir um processo que garanta não só rapidez e volume, mas também, e sobretudo, a qualidade do talento. Estou focada em desenvolver um entendimento aprofundado de quais são os perfis que vão ter sucesso na Talkdesk, onde os encontrar no mercado e como fazer com que a sua experiência connosco seja o mais enriquecedora possível, tanto enquanto candidatos como caso venham a integrar a equipa. A minha prioridade, neste momento, consiste em adaptar e otimizar os processos existentes. A Talkdesk tem por tradição contratar os melhores engenheiros, aqueles que adotam as melhores práticas de trabalho, sendo capazes de desenvolver o produto de uma forma tecnicamente saudável e tendo uma enorme paixão pelo desafio intelectual.
Com um percurso profissional desenvolvido na área de recrutamento, que estratégia pretende, agora, desenvolver na Talkdesk?
Tenho presentes os resultados que quero atingir e creio que a estratégia passará muito por criar os tais processos que sejam globais, que toda a equipa de talento a nível internacional consiga seguir, mas que, ao mesmo tempo, sejam adaptados a nível local. Para já, só contratamos engenheiros aqui em Portugal. Considero que o processo de recrutamento para engenharia é muito específico, tanto na parte de como avaliamos tecnicamente as capacidades dos candidatos, como na forma como se mobilizam os recursos internos para completá-lo, uma vez que é complexo e contempla muitos passos desde que a pessoa se candidata e é chamada para a primeira entrevista até ao final. Nesta ótica, o meu foco é manter a qualidade, mas transformá-la para que possa ser aplicável a um maior volume de vagas. O nosso sistema de recrutamento é eficaz, recorremos a ferramentas muito úteis, mas precisamos de o complementar em certos pontos, por exemplo com uma plataforma online de desafios técnicos. É também importante treinar mais entrevistadores técnicos para que as entrevistas cumpram um determinado conjunto de diretrizes. Além disso, é imprescindível fortalecer a equipa de talento com profissionais responsáveis por fazer um trabalho de prospeção do mercado. Tudo isto com o objetivo de compor um processo que funcione de modo cada vez mais eficiente, endereçando e dando vazão ao elevado número de candidatos da forma mais orgânica e tecnológica possível.
Que estratégia de atração de talento irão desenvolver?
A estratégia de talent marketing que estamos a desenvolver vai debruçar-se sobre várias vertentes. Uma delas são os eventos: vamos marcar presença nos eventos de tecnologia de maior envergadura e estamos a ponderar organizar um evento com o branding Talkdesk, mais vocacionado para a área da tecnologia. O conteúdo constitui outro dos nossos eixos de atuação. Vamos melhorar o nosso site de carreiras, de modo a que a forte cultura de engenharia da Talkdesk transpareça, sobretudo, para fora. Apostaremos ainda em performance marketing, para angariar candidatos de forma pontual para certas posições em particular. Além disto, temos o Tech Dojo, o programa de academia que consiste em ir buscar talentos diretamente às faculdades, proporcionando-lhes uma experiência de aprendizagem rápida e de exposição a muitas realidades técnicas dentro da Talkdesk, com a expectativa de que desenvolvam depois as suas carreiras connosco. Em 2018, entraram cerca de 18 recém-graduados e, este ano, pretendemos mais do que duplicar este número. As oportunidades de progressão que oferecemos apresentam-se como um fator atrativo, uma vez que, a partir do momento em que entram, os nossos colaboradores crescem imenso num curto espaço de tempo e são confrontados com desafios estimulantes que os fazem idealizar uma carreira a médio e longo-prazo na Talkdesk. Estamos numa fase em que a empresa descolou, abrindo-se muitos caminhos no âmbito do planeamento e gestão de carreiras. Temos, inclusive, uma equipa dedicada a 100% ao desenvolvimento do talento, tendo por base avaliações de desempenho e procurando assegurar a retenção. Atuamos nos dois lados do funil: procuramos atrair as pessoas, mas temos igualmente a preocupação de as acompanhar e exponenciar o seu potencial cá dentro. O primordial continua a ser gerar uma consciencialização mais vincada em torno do que desenvolvemos na Talkdesk e do quão espetacular é trabalhar connosco. Se as pessoas já conhecerem a empresa e a cultur, estarão, necessariamente, mais recetivas a fazer parte da comunidade de talentos que estamos a construir.
Estou focada em desenvolver um entendimento aprofundado de quais são os perfis que vão ter sucesso na Talkdesk, onde os encontrar no mercado e como fazer com que a sua experiência connosco seja o mais enriquecedora possível.
Um dos objetivos da Talkdesk é chegar às mil pessoas até ao final do ano de 2020. Quais serão as suas fontes de recrutamento?
O nosso objetivo é chegar ao máximo de potenciais candidatos e, por isso, a base da estratégia vai residir em talent marketing. A Talkdesk, sendo um produto B2B, é reconhecida e valorizada pelo seu employer branding sobretudo dentro de uma comunidade algo restrita. No entanto, existe margem para crescer enquanto marca empregadora. Vamos fazer um investimento bastante forte e apostar neste aspeto, com o intuito de alcançar mais pessoas, isto porque quando abordamos um candidato e ele já reconhece a marca e sabe exatamente o que fazemos, é muito mais fácil do que tendo que contextualizar e explicar. Além disso, estamos a planear o alargamento da nossa estratégia de sourcing através de uma equipa dedicada exclusivamente à prospeção de mercado, não só o português, mas também o internacional, tentando perceber que tipo de funções é que existem em que países e onde há interessados em vir para Portugal. Queremos estabelecer e manter uma relação de qualidade com os candidatos, que não se destinam meramente a preencher uma vaga em específico. Em vez disso, convidamos as pessoas a fazerem parte de uma comunidade de talentos, no seio da qual, por hipótese, mesmo que não estejam prontas para se mudarem já, poderão fazê-lo daqui a um ano. Encaramos o talento deste ponto de vista relacional e não transacional. A Talkdesk já respira uma atmosfera extremamente multicultural, tanto em Lisboa, como no Porto e também em Coimbra e ambicionamos que a diversidade venha a ser uma realidade cada vez mais expressiva. Na Talkdesk trabalhamos em inglês, pelo que, quem dominar o idioma, consegue logo acompanhar tudo. Claro que a maioria dos nossos colaboradores ainda é de origem portuguesa, mas, à medida que se vão contratando pessoas de outras geografias, elas não só partilham um feedback positivo da sua experiência, como fornecem muitas recomendações. Temos uma forte ligação com o mercado brasileiro, onde há muitos candidatos que querem vir para Portugal, tendência que tencionamos expandir.
É também importante treinar mais entrevistadores técnicos para que as entrevistas cumpram um determinado conjunto de diretrizes.
Que características procuram nos perfis que contratam?
Diria que a qualidade técnica é o denominador comum, decisivo em todas as posições para as quais contratamos, incluindo mesmo as financeiras, de recrutamento ou de talento. De facto, a perícia técnica é importante, sendo que a enquadramos numa ótica de potencial. Isto é, na Talkdesk não recrutamos para uma linguagem de programação específica. Ao invés, recrutamos programadores ou pessoas que tenham boas práticas de trabalho, sendo que o nosso processo é concebido para testar isso mesmo. Procuramos pessoas que se identifiquem com os nossos valores, que gostem de um ambiente de trabalho dinâmico e desafiante, em que se aprenda muito e em que se sinta que se tem um impacto direto diariamente e que já tenham, naturalmente, competências técnicas, mas estejam concentradas na progressão em termos de aprendizagem.
Estão previstas contratações nos próximos meses?
Acho que 2019 vai ser um ano incrível de crescimento. Estamos determinados em desenvolver a empresa internamente para acolher da melhor forma todos os novos colaboradores que virão a fazer parte da equipa Talkdesk ao longo dos próximos meses, pelo que colocámos um foco muito especial no nosso processo de iniciação e ambientação. Ou seja, quando chegam, as pessoas entram imediatamente num programa de aprendizagem, em grande parte levado a cabo pelos gestores, para que sejam expostos a todas as áreas da Talkdesk, permitindo que se consigam integrar o mais naturalmente possível e fazendo com que se sintam envolvidas desde o primeiro instante. A nível interno, estamos fundamentalmente concentrados em manter a essência da cultura, ajustando-a a uma realidade emergente mais complexa e vasta. É ótimo entrarem pessoas com ideias novas e com garra, capazes de repensar problemas antigos com outra visão. Queremos rentabilizar essa energia, dotando-as de todas as ferramentas para que possam ter êxito.