O mundo do trabalho tem estado a evoluir rapidamente, impulsionado por tecnologia, novas formas de trabalho e mudanças nas expectativas dos trabalhadores. As dinâmicas entre gerações, géneros e setores refletem um cenário cada vez mais complexo, no qual fatores como bem-estar, confiança, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e oportunidades de desenvolvimento são fundamentais para a satisfação e a retenção do talento.
As empresas enfrentam o desafio de acompanhar essas transformações, garantindo que as suas práticas e os seus ambientes de trabalho são inclusivos e adaptados às novas exigências do mercado laboral. Neste contexto, o ManpowerGroup divulgou o seu mais recente estudo Global Talent Barometer 2024, uma ferramenta que avaliou 12 indicadores-chave, recorrendo a entrevistas a 12.000 trabalhadores em 16 países, distribuídos por três índices:
- Bem-Estar – 80% dos inquiridos acreditam que o seu trabalho tem significado e um propósito e 49% afirmam que sofrem de stress diário no trabalho, sendo que quanto menor for este fator, maior a probabilidade dos profissionais se manterem na empresa onde estão.
- Satisfação no Trabalho – 35% dos trabalhadores afirmam que é muito provável que mudem de emprego nos próximos seis meses, sendo que, no que aos jovens com idades entre os 18 e os 27 anos diz respeito, são 47% os que se encontram nesta situação. Quanto aos profissionais em teletrabalho, 41% poderão mudar de emprego, apesar de valorizarem o maior bem-estar e equilíbrio entre vidas pessoal e profissional.
- Confiança – 87% dos inquiridos estão confiantes no desempenho das suas funções, enquanto 18% sentem que têm poucas oportunidades para desenvolverem as suas competências. 34% dos profissionais acreditam que não têm oportunidades suficientes para atingir os seus objetivos profissionais, na atual empresa em que se encontram.
A nível global, o México é o país no qual os trabalhadores estão mais alinhados com os valores da empresa e encontram mais significado no trabalho. A Noruega e a Suíça lideram o ranking dos países com mais trabalhadores confiantes sobre a possibilidade de não serem despedidos. Contudo, estes profissionais confessaram sentir que têm menos oportunidades de desenvolvimento e menos confiança nos managers. Já os trabalhadores do Japão têm menos probabilidade de abandonar o atual local de trabalho.
O índice Global de Bem-Estar obteve uma pontuação de 64% e os Baby Boomers destacam-se como os mais satisfeitos, com uma pontuação de 77%. Esta é a geração onde uma maior percentagem de trabalhadores (85%) considera o seu trabalho significativo e com propósito. Em contraste, a Geração Z, particularmente as mulheres (77%), apresentam o menor grau de identificação com o propósito do trabalho. Este grupo, em geral, tem expectativas mais elevadas neste âmbito.
O índice Global de Bem-Estar obteve uma pontuação de 64% e os Baby Boomers destacam-se como os mais satisfeitos
Em termos de alinhamento com os valores e visão da empresa, destacam-se as Gerações Z e Baby Boomers, com 72% e 73%, respetivamente, enquanto a Geração X revela um sentimento menos acentuado, com 68%. As mulheres, em todas as gerações, apresentam índices ligeiramente inferiores aos dos homens (69% contra 72%). Quanto ao stress diário, são as mulheres quem relata níveis superiores, com mais de metade das trabalhadoras a admitirem sentir-se frequentemente stressadas, exceto no caso das Baby Boomers.
Os profissionais que praticam um modelo de trabalho remoto ou híbrido conciliam melhor as vidas pessoal e profissional. Em termos hierárquicos, os quadros intermédios são os que sofrem mais de stress. De um modo geral, os trabalhadores de nível senior são os que estão mais satisfeitos, quer no que toca ao alinhamento com os valores da empresa, quer no que toca ao equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional.
No equilíbrio entre vida pessoal e profissional, as mulheres mostram-se, também, menos otimistas, com 62% a sentirem que conseguem conciliar bem essas áreas, comparado com 67% dos homens. A Geração Z é a que revela uma maior satisfação com este equilíbrio, com 73% dos homens e 67% das mulheres a expressarem uma boa gestão entre trabalho e vida pessoal.
A satisfação no trabalho
O índice De Satisfação no Trabalho obteve uma pontuação global de 63%, com homens e mulheres a apresentar índices semelhantes de satisfação com o seu trabalho atual. Apesar destes resultados, 30% dos trabalhadores consideram mudar de emprego nos próximos seis meses. Este desejo é mais pronunciado entre os homens da Geração Z, com quase metade dos trabalhadores a planearem essa mudança.
Embora os níveis de segurança no emprego sejam consistentes entre géneros, as mulheres demonstram menor confiança em encontrar um novo trabalho nos próximos seis meses (56% face a 61%) e em contar com os seus managers para promoverem o seu desenvolvimento (61% contra 69%).
As mulheres demonstram menor confiança em encontrar um novo trabalho nos próximos seis meses e em contar com os seus managers para promoverem o seu desenvolvimento
As gerações Z e Millennial mostram mais incertezas relativamente à segurança no emprego atual (63% e 67%, respetivamente), mas também são as mais otimistas quanto à capacidade de encontrar uma nova oportunidade (66% e 64%, respetivamente). Por outro lado, a Geração X apresenta os índices mais baixos de confiança nos gestores, com destaque para as mulheres desta geração, que registam apenas 56%.
Os profissionais que trabalham presencialmente são os menos confiantes na procura de emprego. Os que trabalham em modelo híbrido ou remoto são os que têm mais probabilidade de afirmar que confiam nos seus managers.
No equilíbrio entre vida pessoal e profissional, as mulheres mostram-se, também, menos otimistas, com 62% a sentirem que conseguem conciliar bem essas áreas, comparado com 67% dos homens. A Geração Z é a que revela uma maior satisfação com este equilíbrio, com 73% dos homens e 67% das mulheres a expressarem uma boa gestão entre trabalho e vida pessoal.
A confiança
O índice de Confiança obteve uma pontuação global de 74%, com as mulheres a apresentarem índices de confiança mais baixos do que os homens (72% contra 76%), sendo as oportunidades de desenvolvimento de carreira e novas competências as áreas em que esta diferença é mais acentuada. Além disso, as Gerações X e Millennial apresentam, também, um nível inferior de confiança nas oportunidades de desenvolvimento de carreira, com um resultado de 52%.
As mulheres da Geração X apresentam os índices mais baixos neste contexto, com 48% de confiança no desenvolvimento de carreira e 68% nas novas competências. Inversamente, são os homens das gerações Z e Millennial a apresentar os indicadores mais elevados neste âmbito, com 78% de confiança nas oportunidades de desenvolvimento de carreira.
As mulheres da Geração X apresentam os índices mais baixos na […] confiança no desenvolvimento de carreira e nas novas competências.
Na análise setorial, os trabalhadores dos setores de Finanças e Imobiliário e de Tecnologia de Informação são os que apresentam uma pontuação mais elevada no Índice Global do Talent Barometer e os trabalhadores de Bens e Serviços de Consumo, a pontuação mais baixa. O setor de Finanças e Imobiliário destaca-se com os maiores índices de Bem-Estar, enquanto Bens e Serviços de Consumo registam os valores mais baixos.
Em Saúde e Ciências da Vida, 87% dos trabalhadores consideram o seu trabalho significativo, mas este setor, juntamente com o de Tecnologias de Informação, apresenta os níveis mais altos de stress diário. No equilíbrio trabalho-vida, Tecnologias de Informação e Finanças e Imobiliário lideram, com 74% e 73%, respetivamente, enquanto Saúde e Ciências da Vida e Bens e Serviços de Consumo ficam nos 62%.
A análise setorial na satisfação
Na Satisfação, Tecnologias de Informação e Bens e Serviços de Consumo destacam-se pelas maiores intenções de mudança de emprego (44% e 33%). Contudo, os trabalhadores de Tecnologias de Informação mostram maior otimismo em encontrar novas oportunidades (68%), seguidos por Finanças e Imobiliário (64%).
Por outro lado, o setor da Saúde e Ciências da Vida lidera na segurança no emprego atual (74%), enquanto que nas Tecnologias de Informação e Serviços de Comunicação, os trabalhadores revelam a menor segurança, com 64 e 62% respetivamente.
No que toca à Confiança, Tecnologias de Informação apresentam a maior pontuação (80%), enquanto Bens e Serviços de Consumo e Logística, Transportes e Automóvel têm os índices mais baixos. Em todos os setores, os trabalhadores revelam muita confiança nas suas competências para desempenhar a função, sendo que no setor de Finanças e Imobiliário é onde se observa o maior otimismo (91%).
Em todos os setores, os trabalhadores revelam muita confiança nas suas competências para desempenhar a função
Não obstante, quando analisamos a confiança no desenvolvimento de carreira dentro da empresa, os trabalhadores são menos otimistas, em especial nos setores de Bens e Serviços de Consumo e Saúde e Ciências da Vida, onde 36% e 34%, respetivamente afirmam ter falta de oportunidades de promoção na sua empresa.
Relativamente às oportunidades de desenvolvimento de competências, os setores de Finanças e Imobiliário e de Tecnologias de Informação também demonstram uma maior confiança, o que se inverte no caso dos Bens e Serviços de Consumo e dos Transportes, Logística e Automóvel, com um em cada cinco trabalhadores a revelar pouca confiança nas oportunidades. Estas variações refletem as especificidades de cada setor, sublinhando a importância da adaptação às necessidades dos colaboradores para uma maior satisfação.