A Inteligência Artificial (IA) já é usada em 46% das empresas em Portugal, segundo concluiu o “Global Insights Whitepaper” da Experis. Este ramo tecnológico tem vindo a crescer no contexto empresarial. Prevê-se que, até 2030, atinja os 738 000 milhões de dólares, tendo já ultrapassado os 241 000 milhões, segundo um estudo da Microsoft.
A IA generativa aumentou 90% em relação aos valores de 2022 e 692% quando a comparação se realiza com 2020. Assim, Portugal tem acompanhado o aumento a nível mundial da envolvência das empresas com ferramentas de IA. A referida tecnologia é utilizada em estratégias de forma responsável.
Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, afirmou: “A introdução da IA no mundo do trabalho é já uma realidade inegável que está a impactar empresas e profissionais, que precisam de se adaptar para aprender a trabalhar com esta ferramenta, aumentando assim a sua produtividade.”
“De facto, num período de três anos prevê-se que cerca de 80% das empresas já estejam a utilizar a IA nas suas operações, o que lhes permitirá superar desafios empresariais de forma mais eficaz. Embora surjam ainda algumas reservas por parte dos profissionais, atualmente a maior parte do talento começa a perceber que esta inovação pode efetivamente influenciar positivamente o seu trabalho.”, continuou.
E concluiu: “Face a este cenário, é fundamental que ambos os lados consigam desenvolver estratégias eficazes, ao nível da capacitação, da gestão da mudança e também de uma implementação ética e responsável, para promover uma transição benéfica para todos, garantindo que estão preparados para este que será, sem dúvida, o futuro do trabalho.”
O “Global Insights Whitepaper”
O “Global Insights Whitepaper – Construir uma Estratégia Centrada nas Pessoas para a Produtividade Impulsionada por IA” surgiu no âmbito da análise deste tópico. O estudo tem como propósito avaliar a implementação e o impacto da IA nas empresas. Também são apresentadas tendências atuais da adoção, obstáculos à mesma e benefícios associados.
Quase metade das empresas (41% no caso de Portugal e 48% a nível global) já faz uso da Inteligência Artificial. As Grandes Empresas até 1 000 trabalhadores são as que mais recorrem a esta ferramenta, no caso português. Globalmente, as empresas que mais utilizam a IA são as Grandes Empresas entre 1 000 e 5 000 colaboradores. As conclusões resultaram das respostas ao estudo de 40 000 empregadores de 42 países.
De um modo geral, as empresas com menos de 50 trabalhadores são as que demonstram menos uso da IA. Em Portugal, o uso desta ferramenta pelas Microempresas é de apenas 33%. Estas tencionam alterar os valores em três anos, tal como sucede no caso de empresas de outras dimensões. As intenções de acelerar a implementação da IA nos próximos anos são, então, transversais.
Ao considerar as intenções de aumento da utilização de IA nas empresas, prevêem-se valores como 81% dos empregadores a nível global a recorrer à ferramenta até 2027. Perante este cenário, será imprescindível qualificar os colaboradores, responsáveis por criar valor centrado no cliente.
O impacto da IA no futuro do trabalho
Mais de metade dos funcionários acredita que a IA impactará positivamente as atividades laborais. 65% foi a parte da força de trabalho proveniente dos vários níveis hierárquicos que demonstrou este otimismo. Em Portugal, o entusiasmo proveio mais das lideranças séniores e intermédias. Seguiram-se os profissionais administrativos. No caso dos profissionais de fábrica ou de atendimento, apenas 53% concordaram.
Em termos regionais, as Américas Central e do Sul lideraram o ranking da convicção no impacto positivo da IA. As zonas com empresas menos entusiasmadas com o panorama são a Europa, Médio Oriente e África. As principais razões que justificam a não adoção da ferramenta pelos empregadores portugueses passam por preocupações com privacidade e regulamentação, custo de investimento e resistência à mudança.
O setor dos Transportes, Logística e Automóvel é o que demonstra mais preocupação com as questões de privacidade e regulamentação. O custo de adoção é um desafio para os setores de Bens e Serviços de Consumo, Tecnologias de Informação, Serviços de Comunicações e Indústria Pesada e de Materiais. A resistência à mudança e a falta de competências também são uma realidade para toda a generalidade dos setores.
Quanto às previsões do impacto da IA e do ML (Machine Learning) nos próximos dois anos, 72% dos inquiridos evidenciaram o otimismo. As empresas afirmaram prever consequências positivas: no seu desempenho; nas funções de RH; na formação dos colaboradores; no upskilling e reskilling; nos processos de recrutamento; e no compromisso e onboarding.
O referido estudo também concluiu que os empregadores acreditam no crescimento do número de colaboradores provocado pela IA. É, então, contrariada a ideia de que esta ferramenta reduz os empregos, defendida por apenas 25% das empresas.