Autora: Sandra Martins, Marketing & Communication Manager da Noesis
300 anos e mais 360 mil milhões de dólares por ano são necessários para alcançar a ambicionada igualdade de género. Os dados são da ONU, que defende que “assegurar os direitos das mulheres e das raparigas em todos os aspetos da vida é a melhor forma de garantir uma economia justa e próspera, e um planeta saudável para as gerações futuras”. Caso o argumento seja insuficiente para convencer os líderes mundiais, a ONU lembra que “o produto interno bruto (PIB) per capita poderia aumentar em 20%”, se as disparidades de género fossem reduzidas.
As tecnologias digitais e a Inteligência Artificial (IA) podem ter um papel crucial para impulsionar o progresso. Em 2050, 75% dos empregos vão depender de competências digitais e, por isso, é imperativo incluir as mulheres na chamada “quarta revolução industrial” por Klaus Schwab, fundador do World Economic Forum.
As mulheres continuam a ser uma minoria tanto na educação como nas carreiras STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics), representando apenas 28% dos licenciados em Engenharia, 22% dos trabalhadores de IA e menos de um terço dos trabalhadores do setor tecnológico a nível mundial. Em Portugal, as mulheres especialistas em IT são 20,4%, segundo o relatório da Década Digital da Comissão Europeia.
Ainda assim, acima da média da UE de 18,9%. Qual o papel das organizações na resolução destas desigualdades?
- Promover formação para que as profissionais acompanhem o ritmo acelerado da transformação digital.
- Incluir as mulheres nas equipas técnicas, assegurando sistemas de IA mais éticos e responsáveis, promovendo a diversidade.
- Investir em programas de liderança com o apoio de organizações como a PWN (Professional Women’s Network). A ONU estima que as empresas com três ou mais mulheres em funções de gestão obtêm pontuações mais elevadas em todas as dimensões do desempenho organizacional.
- Fomentar a flexibilidade. Os novos modelos de trabalho são um desafio para as mulheres, podendo contribuir para o desequilíbrio profundo entre o trabalho e a vida familiar e atrasar a sua progressão na carreira.

- Celebrar os marcos importantes na vida das profissionais, como o regresso ao trabalho após licença de maternidade.
- Dar voz às profissionais para que inspirem outras mulheres.
- Lançar employer branding surveys para auscultar a opinião dos colaboradores.
- Apoiar iniciativas como o Technovation Girls, o maior programa mundial de educação tecnológica, e o Programa Engenheiras por um Dia, que incentivam as raparigas a estudar nas áreas STEM. António Guterres, Secretário-geral da ONU, tem sido um dos grandes promotores da causa. “Promover a contribuição das mulheres na ciência, tecnologia e inovação não é um ato de caridade ou um favor que fazemos às mulheres. É um dever e beneficia todos nós”.
Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024