Por Joana Peixoto, Diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da Edenred Portugal
Num mundo em constante transformação, cuidar das pessoas é cuidar do negócio. Garantir que todos têm acesso a uma alimentação equilibrada, cuidados de saúde e educação de qualidade é mais do que uma boa prática. É uma decisão estratégica.
Em Portugal, cada pessoa gastou em média mais de 3300 euros em alimentação só em 2024, segundo o Eurostat, o que coloca os portugueses com a despesa mais elevada da União Europeia. Além disso, de acordo com alertas recentes da DECO, regista-se também um aumento no número de famílias que recorrem a crédito para fazer face a despesas básicas, como habitação e alimentação. No 1.o semestre de 2025, cerca de 15 mil famílias pediram apoio por não conseguirem equilibrar o orçamento mensal.
Para quem tem filhos, o declínio da saúde financeira agudiza-se no período escolar. Uma auscultação da DECO revela que 73% dos pais investem em atividades extracurriculares, assumindo despesas mensais entre os 100 e os 200 euros.
A alimentação, a saúde e a educação são pilares fundamentais para o bem-estar das famílias e quando se tornam difíceis de sustentar, surgem desafios pessoais que acabam por refletir-se na performance profissional. Mas as empresas têm à sua disposição ferramentas eficazes para ajudar. Os benefícios extrassalariais são muito mais do que um complemento ao salário. São uma forma concreta de apoiar os colaboradores e de reforçar o vínculo com a organização.
“Os benefícios sociais são uma das formas mais eficazes de concretizar esta aposta.”
Quando cuidamos das pessoas e das suas famílias, estamos a cuidar do futuro da empresa. Esta é uma verdade que se reflete em cada decisão estratégica dos recursos humanos (RH). Um cartão de refeição que alivia o orçamento familiar, um apoio direto a despesas de saúde que garante que os cuidados médicos não são adiados ou apoios à educação, que permitem aos filhos dos colaboradores e aos próprios desenvolverem o seu potencial, são medidas que geram um enorme impacto humano e organizacional.
Tudo isto garante dignidade e isso traduz-se em motivação. Quando os colaboradores se sentem apoiados, seguros e percebem que a empresa para a qual trabalham cuida de si, sentem-se mais motivados, comprometidos e produtivos, contribuindo para equipas mais fortes, culturas coesas e empresas resilientes. Este investimento não é apenas financeiro. É emocional, relacional e estratégico. E os benefícios sociais são uma das formas mais eficazes de concretizar esta aposta estratégica.
Por alocarem verbas a áreas críticas ao bem-estar dos colaboradores, os benefícios sociais estão associados a vantagens fiscais (tanto para o colaborador como para a empresa), aumentando o seu poder de compra em áreas específicas. Ajudam as empresas a desenvolver o talento, que floresce onde há segurança e apoio, e
são uma ponte entre o bem-estar individual e o sucesso coletivo, cabendo aos RH fazer esta conexão com visão, empatia e estratégia.
Artigo publicado na edição 160 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2025
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