Há cada vez mais pessoas que começam o dia de trabalho já exaustas. O shift sulking é o nome dado a esse fenómeno no trabalho por turnos, sobretudo entre quem é pago à hora.
Segundo Silvija Martincevic, CEO da Deputy, citada pela Forbes, este estado de fadiga emocional antecipado é resultado de equipas reduzidas, horários imprevisíveis, clientes exigentes e pressão constante. Ao contrário do burnout, associado a stress prolongado, o shift sulking manifesta-se logo à entrada no local de trabalho. A responsável faz questão de frisar que “não é quiet quitting. (…) É começar o dia já desligado porque as condições à volta do trabalho parecem imprevisíveis ou insustentáveis”.
Já Michael Baynes, CEO da Clarify Capital, também citado pela Forbes, descreve o fenómeno como uma evolução do quiet quitting. “Afeta as receitas, a retenção e a reputação. Tem impacto direto na experiência do cliente e no desempenho das equipas”, afirma. O responsável vai ainda mais longe ao dizer que o shift sulking “é sinal de uma cultura negligenciada”.
Quatro caminhos para travar este fenómeno
Questionados pela Forbes sobre como mitigar o shift sulking, Silvija Martincevic e Michael Baynes apontam quatro linhas de intervenção. A primeira passa por mudanças estruturais. “Resolver o shift sulking exige mais do que festas ou discursos motivacionais. São necessárias mudanças estruturais.”
A segunda implica uma defesa ativa do bem-estar dos colaboradores, sobretudo num contexto de mudança geracional. “A geração Z representa mais de 51% dos microshifters na plataforma da Deputy”, explica Silvija Martincevic. “A adoção de blocos de trabalho mais curtos e flexíveis é uma forma de recuperar controlo sobre o tempo. É um sinal claro: os trabalhadores querem escolha, estabilidade e locais de trabalho desenhados para pessoas reais”, aponta.
A terceira passa pela comunicação aberta e pela criação de ambientes de trabalho de suporte. A quarta, sublinha Michael Baynes, devolve poder aos trabalhadores da linha da frente. “Precisam de flexibilidade, feedback em tempo real e gestores que saibam ouvir.”
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI