Num ambiente repleto de incertezas e mudanças, a capacidade de liderar com resiliência torna-se uma vantagem estratégica de valor incalculável. No entanto, o papel de um líder exige muito mais do que a ocupação de uma posição destacada; refere-se a uma competência ímpar de inspirar, influenciar e motivar as equipas de trabalho.
No livro “Introdução à Teoria Geral da Administração”, Chiavenato define liderança como uma influência interpessoal exercida numa dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana.
“O nosso conceito de liderança assenta nesta ideia de que todos temos um papel importante a desempenhar. E de que todos somos líderes, independentemente da nossa identidade, função ou experiências anteriores”, esclarece Rita Távora, Country Talent Development Manager da IKEA Portugal.
“Depois de se tornarem líderes de equipas, os colaboradores são integrados numa série de processos formativos, com o total suporte das nossas equipas de People & Culture, para que adquiram ferramentas de liderança que os preparem para contextos de maior exigência e responsabilidade”, explica Rita Tavora, Country Talent Development Manager da IKEA Portugal.
Mas, afinal, como podemos reforçar este compromisso coletivo de partilha de valores e propósito? De acordo com um estudo da Community, três em cada quatro colaboradores escolhem a empatia como uma das principais competências de um líder. A seguir à empatia, as qualidades mencionadas são a assertividade, a orientação para os objetivos, seguidas da autenticidade e da energia positiva.

Tendo em conta o contexto atual de grandes transformações, Rita Távora indica que a gestão da mudança e a resiliência devem estar na ordem do dia de qualquer líder. “A aceitação e integração da diferença, a tolerância, a capacidade para entender os anseios e as necessidades das pessoas, sempre fizeram e continuarão a fazer parte do nosso trabalho enquanto líderes, pois só assim estaremos capacitados para assegurar um melhor dia a dia para a maioria das pessoas, dentro e fora das portas da nossa empresa”, refere Rita Távora.
Um estudo da GoodHabitz enfatiza a necessidade de os gestores dedicarem tempo à identificação dos desafios e objetivos pessoais dos colaboradores. Esta abordagem não só fomenta um ambiente de trabalho mais colaborativo, como também estabelece as bases para uma liderança eficaz. Ao compreender as metas individuais dos colaboradores, os gestores podem personalizar estratégias de desenvolvimento profissional, alinhando-as aos objetivos organizacionais.
No caso da IKEA Portugal, mais de 80% dos líderes são recrutados internamente e têm à disposição diversos programas de desenvolvimento
Contudo, o mesmo estudo esclarece que os gestores também devem estar devidamente capacitados com competências digitais — não só têm a obrigação de conhecer as ferramentas digitais disponíveis, como saber integrá-las de forma estratégica nas operações diárias da organização.
No caso da IKEA Portugal, mais de 80% dos líderes são recrutados internamente e têm à disposição diversos programas de desenvolvimento. “Entre estas iniciativas, estão o desenvolvimento de projetos de uma forma autónoma, sessões de mentoria e formação nas mais diversas áreas, tanto em formato digital como presencial, entre outras”, afirma Rita Távora.
Um bom líder, de acordo com esta perspetiva, deve ter um compromisso com a formação contínua não só para melhorar as suas capacidades, como exercer uma influência positiva no ambiente de trabalho, fomentando uma cultura organizacional que prioriza a inovação, adaptabilidade e resiliência.
“Depois de se tornarem líderes de equipas, os colaboradores são integrados numa série de processos formativos, com o total suporte das nossas equipas de People & Culture, para que adquiram ferramentas de liderança que os preparem para contextos de maior exigência e responsabilidade”, sublinha Rita Távora.
Este processo de capacitação — assente em conhecimento, formação, empatia e competências digitais — deve ser visto como uma trajetória em constante evolução. É a consciência de que nos corredores da liderança a resiliência é mais do que uma competência: ela constitui a essência de uma liderança eficaz.
Artigo publicado na edição 150 da RHmagazine, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2024