«Your body language shapes who you are!»
Amy Cuddy
As emoções que se refletem no corpo
Em várias situações não precisamos de perguntar como a outra pessoa se sente – basta olhar para ela para perceber se está zangada, nervosa ou contente.
Será que isto é científico? Claro! As nossas emoções revelam-se no corpo tal como na expressão facial. Este conhecimento foi adquirido ainda nos anos 60 do século passado, depois da primeira abordagem às microexpressões.
Quando entramos num determinado estado emocional, o nosso corpo revela-o: trincamos os lábios quando ficamos nervosos, aumentamos a gesticulação quando nos sentimos entusiasmados, fazemos o tal barulho de click com a caneta, que, embora despercebido para nós, irrita todos aqueles que nos rodeiam. Este tipo de sinais e comportamentos despertaram uma maior atenção para a leitura e interpretação da linguagem não-verbal, o que colocou este tema na linha da frente em contextos profissionais, como processos de recrutamento, reuniões, apresentações, entre outros, e até no desenvolvimento pessoal de soft skills.
Os gestos definem quem somos
Um estudo da Harvard Business School apresentado em 2010 revolucionou a nossa perceção sobre a postura e a sua importância: não são apenas as emoções que se refletem no corpo, mas também o nosso corpo − i.e., as expressões faciais e as posturas corporais − pode gerir as nossas emoções. Agora não há mais desculpas do género «desculpe, hoje estou num “dia não”». Podemos e devemos gerir as nossas emoções e as ações consequentes através do nosso comportamento não-verbal.
Mudar o modo como nos posicionamos altera a química do nosso cérebro e influencia o que sentimos: se ganhar mais espaço através das costas direitas, do queixo levantado e dos antebraços apoiados nos braços da cadeira, acabará por sentir-se mais confiante.
Ao colocar-se em posições corporais de poder e vitória, o cérebro faz uma leitura, produz testosterona, reduz o cortisol e consequentemente altera o próprio comportamento, tornando-nos verdadeiramente mais confiantes. Este método, quando aplicado corretamente, permitirá influenciar os seus dias − acabaram-se os «dias não» − e transmitir uma imagem sólida e credível. Se preferir ser recordado como uma pessoa tímida, a escolha é sua! Basta fazer tudo ao contrário − braços e pernas cruzados, ombros encolhidos, cabeça baixa. Seja qual for a sua postura, o cérebro vai reagir em concordância com as suas preferências e os outros vão percecioná-lo e recordá-lo de acordo com essas mesmas escolhas!
A presença que marcamos através da postura é o que nos torna memoráveis (pela positiva ou negativa). O resto vem por acréscimo.
Power poses para novos desafios
Se ainda não está convencido a usar a postura como uma ferramenta útil e diária, eis mais uma razão: o sentimento de poder − ou da falta dele − altera a nossa perceção do peso dos objetos do mundo real, segundo um artigo de Eun Hee Lee e Simone Schnall (Universidade de Cambridge), que saiu recentemente na revista Journal of Experimental Psychology. O estudo revela que as pessoas que ficaram numa postura de poder conseguiram estimar melhor o peso de caixas, enquanto quem ficou numa postura submissa achou que as mesmas caixas pesavam muito mais. Após aprofundarem este estudo, os cientistas concluíram que uma postura de poder influencia não só a perceção do mundo real como as relações nele existentes − por exemplo, sociais e laborais −, atribuindo uma relação direta entre poder e consciência da realidade.
A semana de trabalho é sempre um desafio; entre reuniões, imprevistos e muito trabalho, deixamos as nossas emoções apoderarem-se do nosso corpo. Prepare-se para este desafio constante – adote uma power pose e sinta-se mais leve!
Postura vs. expressões faciais
Quando chega o momento de observar e distinguir as emoções, é o corpo que mais uma vez desempenha o papel principal. É este que revela a intensidade das emoções e não as expressões faciais, como seria comum pensar. Com o objetivo de perceber qual a parte do corpo que influencia mais a avaliação das emoções que observamos nos outros, um grupo de cientistas do departamento de psicologia da Universidade de Princeton dividiu algumas imagens em dois grupos: umas incluíam corpo e cara, enquanto outras apenas a cara. Os cientistas pediram então aos participantes do estudo que avaliassem a intensidade das emoções. A conclusão foi: «Sinais corporais e não faciais diferenciam entre as emoções intensas, positivas ou negativas.»
Interessante ou coincidência, o nosso estudo da perceção da linguagem não-verbal realizado aos portugueses em 2013, em parceria com uma empresa de media training, também revelou a importância do corpo − i.e., da postura −, desta vez na primeira impressão que causamos. Ao responderem à questão «Quando lhe apresentam alguém pela primeira vez, a primeira coisa em que repara é…?», das 208 respostas obtidas 73,08% indicaram a opção «na postura» entre as seis sugeridas, confirmando assim o facto de que a nossa linguagem corporal é realmente importante. A questão que permanece é: o que revela a sua linguagem não-verbal quando os outros olham para si?
Está mais do que comprovado que os outros nos avaliam em microssegundos e há decisões na vida que são tomadas ainda antes de alguém começar a falar, o que faz com que a linguagem não-verbal possa ter mais impacto do que um discurso verbal bem preparado. Por isso relembramos sempre aos nossos clientes: Business is communication. Communication is body language!
Quando e como vou pôr em prática?
Agora mesmo e sempre! Antes de uma reunião, durante uma apresentação, na postura que adota na sua cadeira do escritório ou mesmo no transporte para o trabalho. Se a Harvard Business School afirma que dois minutos são suficientes para dominar o estado emocional, imagine o resultado se aplicar este método ao seu dia a dia profissional e pessoal.
Comece hoje a ganhar consciência e a treinar a sua postura de acordo com aquilo que quer sentir e a imagem que quer transmitir. E se for necessário fingir, finja! Parece um truque, mas não é – é uma ciência. Primeiro estranha-se e depois entranha-se. É assim que se ganha a confiança necessária para liderar a sua equipa, o seu negócio ou a sua vida.
POR: Irina Golovanova – Body language trainer
Artigo publicado na RH Magazine (Edição nº 92/2014)