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crescente pressão para que as empresas cuidem do bem-estar dos colaboradores não pode estar circunscrita aos departamentos de recursos humanos (RH). O alerta é de Filipa Figueira, HR Director da MSD Portugal, que, no mais recente episódio do podcast Pessoas & Talento, da RHmagazine e do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos, reivindica um novo olhar sobre a liderança, a cultura organizacional e o impacto da IA.
Numa conversa conduzida por Cristina Martins de Barros, Fundadora do IIRH e Diretora Editorial da RHmagazine, Filipa Figueira descreveu um desfasamento entre discursos e práticas. “Muitas vezes as empresas falam muito de saúde mental e bem-estar (…), mas depois parece que fica ali no departamento da RH, porque os líderes dizem que têm objetivos para cumprir e KPIs para atingir”, afirmou. Para contrariar esta lógica, insiste que o tema tem de ser assumido pelo topo: “É importante que seja um tema de todos”.
Filipa Figueira reconhece que a sensibilidade das chefias para estas matérias evoluiu, mas não o suficiente para responder às exigências atuais. “Não acho que o nível de maturidade e de evolução esteja onde está o nível de necessidade, nomeadamente com o contexto que as pessoas vivem atualmente”, adverte.
IA: da promessa à rutura
Entre os temas que hoje moldam o futuro da gestão de pessoas, a IA ocupa uma posição incontornável. “O futuro da IA é risonho, mas muito desafiante”, sintetizou.
Conforme lembra Filipa Figueira, a transformação tecnológica avança a uma velocidade sem precedentes, num contexto global instável, e isso torna a gestão de talento significativamente mais exigente. A MSD tem procurado acompanhar este movimento, sendo “das primeiras empresas do setor a criar um modelo interno de IA generativa para uso dos colaboradores”.
Contudo, a HR Director alerta para as consequências imprevistas da adoção acelerada destas ferramenta e antecipa desafios no futuro do talento: “Pode haver uma tendência de recrutar menos naquilo que são as bases”, o que poderá comprometer “o pipeline de liderança futura”.
RH como função estratégica
Perante novas competências, novos modelos de trabalho e uma revisão profunda das estruturas organizacionais, Filipa Figueira defende que os RH têm um papel decisivo. “Temos de ter as competências certas, manter a exigência em termos de evolução, trabalhar com dados, tecnologia, cultura e experiência de colaborador”, enumerou.
A responsável partilhou ainda quatro linhas orientadoras para quem inicia carreira em RH. A primeira é a aprendizagem contínua. Seguem-se a comunicação, a valorização de uma visão abrangente da área e uma orientação estratégica clara. Ou seja, “ter uma visão de futuro, saber para onde é que queremos ir, que competências é que precisamos desenvolver”.
Mas o princípio estruturante, sublinha, é “colocarmos sempre a pessoa no centro”. “Trabalhamos numa função com impacto transformacional na vida das pessoas, na evolução das organizações e da sociedade, e não há muitas áreas que tenham este nível de propósito e de impacto”, rematou.
Entre os destaques deste episódio:
- Como as lideranças devem assumir um papel ativo na saúde mental e no bem-estar das equipas;
- A importância da segurança psicológica e de práticas de liderança sustentáveis para equipas mais equilibradas;
- O efeito transformador da IA na função de RH, no recrutamento e no desenvolvimento de futuras lideranças;
- Os novos desafios na gestão de talento, competências e modelos de trabalho;
- As recomendações de Filipa Figueira para quem inicia carreira e a importância de colocar as pessoas no centro das decisões.
Ouça a conversa completa ou assista ao episódio!
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