No passado dia 24 de setembro, realizou-se a sétima edição do debate “Momentos Singulares – Gerir no século XXI”, que este ano abordou a temática “O Futuro das Organizações pós-Covid-19 – O Sistema Educativo prepara as Pessoas com os Skills necessários?”.
O evento aconteceu pela primeira vez em formato digital, com Ana Castro (RHmais), Gonçalo Barral (Essilor Portugal) e José António Porfírio (Universidade Aberta) como oradores convidados. O debate foi moderado por Paulo Loja (RHmais).
Os três convidados, quando questionados sobre o “novo normal”, deram uma opinião semelhante: que a pandemia trouxe consigo uma aceleração de mudanças forçadamente e em pouco tempo, o que causou danos devido à falta de preparação. No entanto, acreditam que a sociedade já necessitava dessas mudanças. Durante o debate, os oradores destacaram ainda que a desglobalização, transformação digital e foco nas pessoas já existiam pré-pandemia, e que devemos repensar estas tendências de modo a alcançar o sucesso. Foi ainda abordado o sistema de Ensino, e o facto de este ainda não estar alinhado com a realidade do mercado empresarial, nem preparado para lidar com as características, competências e necessidades das novas gerações.
Estas foram algumas das citações proferidas pelos oradores durante o debate:
Gonçalo Barral:
Este vírus desprogramou o plano que tínhamos traçado e fez-nos fazer um back to basics, relembrar a origem dos negócios e o que queremos das Empresas e Pessoas, para além de ajudar a colocar as Pessoas no centro das Organizações. Se queremos ser melhores profissionais, temos de ser melhores Pessoas e esse processo de passagem de valores começa em casa, com as famílias. Depois, nas escolas é preciso criar dinâmicas que permitam às crianças desenvolverem as suas skills de liderança e relação interpessoal, e que lhes seja incutido o desafio de saberem para onde querem ir.
José António Porfírio:
O que estamos a experienciar é uma evolução natural da sociedade, que passa por momentos de rutura e transformação, e essas mudanças obrigam-nos a repensar. É importante pensarmos todos – sociedade, Empresas, instituições e famílias – que no centro de tudo, e na nossa capacidade para ter sucesso no futuro, estão as Pessoas, são elas que são os agentes e os destinatários desta mudança. Isto deveria representar uma alteração de paradigma. É preciso mudar a forma como a liderança é exercida nas Organizações. De uma forma geral, noto que os líderes ainda estão muito centrados nas tarefas, no controlo do que as equipas fazem e não tanto na motivação e união das mesmas, apesar de existirem bons exemplos nesta parte.
Ana Castro:
Temos de investir nas Empresas como centros de aprendizagem, com possibilidades de upskilling e reskilling, e desenvolver os skills certos para trazer ganhos a todos.
Para além disso, é importante acompanhar a saúde física e mental de cada Colaborador, analisar a sua personalidade, os seus interesses. As novas gerações sentem-se um pouco perdidas entre o que é vivido no Ensino e a chegada a um emprego cada vez mais tecnológico.