Ter as competências necessárias para singrar no mercado tornou-se uma necessidade para quem procura emprego tal como quem recruta. A procura por especialização, particularmente no que diz respeito às novas tecnologias, tem levado as empresas a investir nas suas academias de formação internas.
A KLx, subsidiária portuguesa do grupo bancário Crédit Agricole, fornece serviços de IT (Tecnologias de Informação) Skills & Software Development às organizações de IT dentro das linhas de negócio do grupo. Criada em 2020, a empresa já conta com cerca de 300 colaboradores e tem como missão ajudar na transformação e nas atividades de IT de um banco mundial, capitalizando todas as competências para o campus internacional, sediado em Lisboa.
Sara Mendes, Head of People & Talent, conversou com a RHmagazine sobre a missão da empresa e quais as dificuldades que o novo paradigma digital impõe às empresas.
Com um mundo digital em constante e rápida evolução, qual é a importância que a KLx coloca na formação contínua dos seus colaboradores? Como é que isso contribui para a empresa permanecer competitiva no mercado?
A formação contínua dos nossos colaboradores é não só uma forma de valorizar as pessoas que já integram a nossa equipa, mas também uma estratégia para reter e atrair novo talento. Enquanto campus tecnológico, sabemos que o contexto em que estamos inseridos evolui e altera-se muito rapidamente, sendo imprescindível acompanhar este ritmo.
Quando falamos em contexto, falamos em linguagens de programação, ferramentas e métodos de trabalho, etc. Para continuarmos o trabalho de excelência com os nossos parceiros do Grupo Crédit Agricole, temos de estar a par do que está a acontecer na indústria.
Apesar de muitas empresas apostarem em formação contínua, acreditamos que uma das nossas maiores vantagens competitivas é o facto de estarmos a investir cinco vezes mais que a média das restantes empresas de TI nacionais.
Este ano, por exemplo, tivemos um aumento de 130% no orçamento adjudicado à área da formação, oferecendo aulas de línguas, percursos de desenvolvimento de competências, sessões de formação e, a iniciar em breve, academias de reconversão para o upskilling dos nossos colaboradores.
Uma vez que estão a planear expandir a sua equipa em Portugal, com o recrutamento de 300 colaboradores durante os próximos dois anos, que competências específicas ou qualidades estão à procura nos vossos candidatos?
Atualmente, a KLx conta com 500 profissionais de TI e tem como objetivo integrar mais 250 pessoas nos próximos dois anos.
A área tecnológica é altamente competitiva e mutável. Há uma grande procura por talento altamente capacitado e, por vezes, pode ser desafiante atrair e reter talento. No nosso caso procuramos, principalmente, profissionais da área das novas tecnologias, como é o caso de Angular e Java, e o nosso foco está em profissionais com alguns anos de experiência e que tenham abertura para estar em constante aprendizagem. O conhecimento de francês e da metodologia Agile é também valorizado nas várias vagas que disponibilizamos.
Como funciona o campus da KLx? Quais as formações mais valorizadas, no âmbito da Gestão de Pessoas/Recursos Humanos?
Na KLx promovemos vários tipos de iniciativas que exemplificam a nossa constante aposta no desenvolvimento das pessoas que trabalham connosco. Os planos de formação são definidos anualmente com os colaboradores e respetivas chefias e pretendem ir ao encontro das necessidades dos próprios trabalhadores, mas também da KLx e dos nossos clientes. Tentamos acrescentar valor aos nossos colaboradores, capacitando-os tanto a nível técnico, como funcional e linguístico.
Deste modo, temos vindo a adotar, desde o início, uma política de investimento em formação contínua, para que haja facilidade no acompanhamento das melhores práticas da indústria. É neste seguimento que em 2024 vamos dar início aos nossos treinos de reconversão de competências. O objetivo é “re-treinar” os nossos colaboradores e os seus conhecimentos, permitindo o upskilling essencial para nos continuarmos a posicionar como um campus tecnológico de excelência. Um destes treinos será a reconversão de programadores COBOL em Java, uma linguagem de programação que é, atualmente, mais valorizada.
Outra iniciativa que merece destaque na KLx são as nossas Comunidades. Atualmente, contamos com cinco ativas – Agile, DevOps, ELK Stack, Java e Testing – e o principal objetivo é a partilha de conhecimento acerca destes temas entre todas as equipas.
Qual o principal desafio na área da formação de colaboradores?
A formação dos colaboradores exige um grande envolvimento das pessoas responsáveis por estas atividades. É necessário perceber quais são as necessidades dos colaboradores e quais são as tendências da indústria que devemos acompanhar. Depois, além disso, também precisamos de avançar com projetos de formação que sejam realmente relevantes e que despertem o interesse dos colaboradores.
Ao longo dos anos temos verificado que estes têm aderido bem às nossas iniciativas de formação, pelo que não consideramos existir uma grande dificuldade em avançar com estas ações na nossa organização.
Quais têm sido os resultados dos programas/formações?
Todos os programas que temos desenvolvido têm ajudado os nossos colaboradores a darem mais um passo na sua própria carreira. A formação contínua é não só uma mais-valia para a KLx – que passa a ter profissionais mais qualificados e que se sentem mais valorizados -, como também para as próprias pessoas que melhoram os seus níveis linguísticos, técnicos e funcionais, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal.
Com os treinos de reconversão em 2024, a ideia é também promover a mobilidade interna, permitindo alocar projetos diferentes aos colaboradores, valorizando a sua predisposição para evoluir.
Qual está a ser o impacto da tecnologia na formação profissional?
Na KLx a tecnologia é tudo. Enquanto campus tecnológico do Grupo Crédit Agricole, a tecnologia está na base de tudo o que fazemos e também nas formações profissionais que proporcionamos.
Os treinos de reconversão e as nossas Comunidades, por exemplo, têm o seu cerne na tecnologia e, além disso, nas restantes atividades que desenvolvemos, procuramos sempre essa vertente, não só por ser onde está o interesse dos nossos colaboradores, como a essência da KLx.