Os jovens não querem trabalhar? Sofia Mendoça, DRH da McDonald’s Portugal, contesta a ideia e aponta para uma mudança diferente: as novas gerações querem trabalhar, mas procuram maior flexibilidade e não estão dispostas a fazer do trabalho o centro da sua vida. As novas expectativas da Geração Z, os desafios de recrutamento, as competências mais procuradas e as oportunidades de progressão estiveram no centro da conversa no podcast “Pessoas & Talento”, do iiRH, com Cristina Martins de Barros, Fundadora do iiRH e Diretora Editorial da RHmagazine.
A empresa conta atualmente com cerca de 12.500 colaboradores e, ao longo dos últimos anos, tem acompanhado uma mudança nas expectativas de quem chega ao mercado de trabalho. “Quando se diz que os jovens não querem trabalhar, eu creio que eles procuram é mais flexibilidade. Querem trabalhar, mas também querem ter vida”, afirmou Sofia Mendoça.
A DRH da McDonald’s Portugal refere que, além da flexibilidade, as novas gerações estão também mais atentas à forma como as empresas atuam, à ética, ao respeito pelas pessoas e ao propósito das organizações. Do lado das empresas, isso exige capacidade de adaptação. “Temos que ser capazes de responder a essas necessidades”, defende.
Como atrair talento “em quantidade, mas também em qualidade”
A mudança nas expectativas dos candidatos cruza-se com outro desafio: encontrar pessoas disponíveis para trabalhar. A McDonald’s Portugal continua a recrutar para os restaurantes existentes e para as novas unidades que vão abrindo. Num mercado caracterizado por níveis reduzidos de desemprego, Sofia Mendoça admite que a tarefa se tornou mais exigente. O desafio passa, como resume, por conseguir “atrair pessoas em quantidade, mas também em qualidade”.
Para chegar aos candidatos, a empresa utiliza diferentes canais, das redes sociais e do LinkedIn às universidades e feiras. As recomendações dos próprios colaboradores fazem parte da estratégia. Os estudantes são um dos públicos procurados pela empresa, que aponta a flexibilidade de horários e a possibilidade de conciliar o trabalho com a vida académica como fatores de atração.
Experiência profissional? Nem sempre é o mais importante
Para muitas das funções de entrada, ter experiência não é uma condição determinante. “Não é necessário grande experiência profissional, porque damos formação. Somos uma porta de entrada para o mercado de trabalho.”
Atitude, empatia, comunicação, disciplina, responsabilidade e capacidade de relacionamento estão entre as características procuradas. Há ainda uma condição que a responsável salienta: “Têm que gostar de terreno, porque, de facto, trabalhar na McDonald’s é intenso”.
Nas funções de gestão, as exigências são diferentes. Capacidade de liderança, vontade de aprender e crescer e alguma experiência profissional ganham importância, embora essa experiência não tenha de ter sido adquirida na restauração. Retalho e indústria são alguns dos setores onde podem ser encontrados perfis com competências transferíveis para a gestão de um restaurante.
E a dimensão dessa responsabilidade está longe de ser residual. Um restaurante da McDonald’s tem, em média, cerca de 50 trabalhadores, embora algumas unidades cheguem aos 100, e conta habitualmente com sete a 10 pessoas em funções de gestão. “Um gerente de um restaurante de McDonald’s é um gerente de uma pequena média empresa em Portugal”, compara Sofia Mendoça. Faturação, stocks e gestão de pessoas estão entre as diferentes responsabilidades associadas à função.
A formação assume particular relevância numa organização que recebe muitas pessoas no primeiro emprego. Segundo Sofia Mendoça, cada função desempenhada nos restaurantes tem um curso associado, com componentes teóricas e práticas. Mas a aprendizagem que a responsável associa à passagem pela empresa não se limita às competências técnicas necessárias à função. É também neste contexto que descreve a McDonald’s como uma “escola para a vida”, incluindo para os profissionais cuja passagem pela empresa é mais curta.
Para os colaboradores que pretendem prosseguir os estudos, existe ainda um programa de bolsas. “Neste momento, já entregámos cerca de 300 bolsas de estudo por ano, no valor de mil euros”, revela.
Mais: entrar num restaurante não significa necessariamente permanecer na mesma função. A mobilidade interna ocupa uma parte relevante da conversa e Sofia Mendoça aponta um número: 40% das pessoas que trabalham atualmente na sede da McDonald’s Portugal começaram o percurso nos restaurantes. Esses profissionais estão hoje distribuídos por diferentes áreas, das finanças aos RH, passando pelo marketing, expansão, construção e gestão imobiliária.
A responsável aponta também exemplos de progressão até posições de liderança. Tanto o atual como o anterior Diretor de Operações começaram como operadores nos restaurantes.
A própria conhece bem a progressão dentro da organização. Entrou na McDonald’s em 1997, depois de ter trabalhado em advocacia, para integrar a área jurídico-laboral. Em 2002 tornou-se gestora do Departamento de RH e, desde 2012, é DRH da McDonald’s Portugal.
A entrada na empresa acabou também por significar uma mudança de carreira. “Apaixonei-me imediatamente pela área de recursos humanos e pensei, é aqui que eu vou ser feliz construindo uma carreira nesta área.”
Entre os momentos que mais a marcaram ao longo destas quase três décadas está março de 2020. A pandemia levou ao encerramento dos restaurantes e colocou sobre a mesa a incerteza em relação aos milhares de pessoas que trabalhavam na organização. “Estamos a falar de quase 12 mil pessoas e a responsabilidade que nós temos naquelas vidas.”
Se nessa altura o desafio passou pela interrupção abrupta da atividade, hoje o problema é quase inverso: encontrar pessoas num mercado com pouco desemprego e conseguir responder às expectativas de quem entra.
Entre os destaques deste episódio:
- As novas expectativas da Geração Z e a procura por maior flexibilidade;
- Os desafios de recrutamento;
- As competências mais valorizadas na contratação de pessoas em 1.º emprego;
- A formação e o desenvolvimento de competências dentro dos restaurantes;
- A progressão interna e os percursos que começam nos restaurantes e chegam à sede, à liderança e ao franchising.
Ouça a conversa completa ou assista ao episódio.
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