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conceito de “higiene do sono” tornou-se, nos últimos anos, uma referência incontornável nos domínios da saúde pública e (cada vez mais) da saúde ocupacional. De facto, a privação de sono – silenciosa, mas altamente nociva – constitui hoje um dos fatores de risco mais subestimados no contexto laboral, com implicações significativas na segurança, no desempenho e na saúde mental dos trabalhadores.
Na era da hiperconectividade e do stress laboral, tende a encarar-se o cansaço crónico com resignação ou, até, normalidade. No entanto, é fundamental que as organizações reconheçam este problema como uma ameaça estrutural ao equilíbrio psicofisiológico das suas equipas. Trazer as boas práticas de higiene do sono para o centro das políticas de segurança e saúde no trabalho (SST) é, portanto, um passo decisivo.
Trata-se, acima de tudo, de uma ferramenta estratégica de vigilância e promoção da saúde ocupacional, com impacto direto na produtividade, na prevenção de acidentes e na sustentabilidade humana das equipas. Consulte, então, o nosso guia prático.
Primeiramente, o que é a higiene do sono?
De acordo com um artigo da Harvard Health Publishing, o conceito de “higiene do sono” pode definir-se do seguinte modo: “Um conjunto de práticas e rotinas que ajuda a melhorar a qualidade do sono. Dormir dez forma adequada e com boa qualidade permite ao organismo realizar processos essenciais de manutenção e reparação física. Além disso, garante o reforço do sistema imunitário e a renovação emocional e cognitiva”.
Com efeito, a higiene do sono consiste numa soma de características comportamentais, ambientais e fisiológicas que favorecem a qualidade das horas passadas a dormir. Ou seja, que promovem um repouso contínuo, profundo e restaurador.
Mas qualidade do sono significa, necessariamente, quantidade de sono?
Embora usadas como sinónimos, qualidade e quantidade de sono são conceitos distintos — e essa distinção é fulcral para uma abordagem eficaz a esta problemática. Dormir oito horas por noite, por exemplo, não assegura um sono reparador.
Uma higiene do sono pautada pela qualidade depende, assim, de múltiplos fatores, entre os quais:
- A latência de início do sono (o tempo de que necessita para adormecer);
- A continuidade do sono (ausência de despertares frequentes ou prolongados durante a noite);~~
- A perceção subjetiva do repouso e da recuperação ao acordar (isto é, sentir-se física e mentalmente restaurado);
- A capacidade de atingir as fases profundas do ciclo do sono (nomeadamente, a fase N3 do sono não-REM, também conhecida como sono de ondas lentas ou sono delta).
Pois bem, trabalhadores que mantêm rotinas desreguladas, enfrentam turnos rotativos ou vivem em ambientes propícios a interrupções do sono tendem a apresentar um padrão de repouso de baixa eficiência. A isto acrescem aspetos incontornáveis como o stress e a utilização compulsiva de dispositivos eletrónicos.
Nesse sentido, promover a higiene do sono exige uma abordagem integrada, que atue sobre o ambiente físico, os hábitos individuais e as condições organizacionais. Só assim será possível garantir um repouso de qualidade e verdadeiramente regenerador.