No setor da hotelaria, os ordenados variam em função das regiões do país e do género dos trabalhadores. Em Lisboa, os trabalhadores de ganham mais e os homens também, avança a Mercer.
Os trabalhadores do setor hoteleiro do Porto e do Algarve ganham menos 11% e 8%, respetivamente, do que os de Lisboa. A conclusão é do estudo “Total Compensation” para o setor hoteleiro, em Portugal, desenvolvido pela Mercer e divulgado esta quinta-feira.
Às diferenças salariais resultantes das zonas geográficas do país, juntam-se as diferenças de género. À semelhança de outros setores de atividade, no setor da hotelaria, os homens ganham mais do que as mulheres e estão em maior número em funções de direção. “É possível identificar um desequilíbrio salarial entre géneros, observando-se, de forma consistente, salários superiores na população masculina. Este desequilíbrio é particularmente significativo ao nível das funções de direção onde se observa não só um desnível mais acentuado, como também uma predominância de titulares do sexo masculino”, refere a consultora.
O reconhecimento, que 97% dos colaboradores do setor pretendem receber pelos seus contributos, materializa-se com uma compensação justa, uma oportunidade de serem promovidos e uma liderança com um propósito claro.
O “Total Compensation” revela que a execução de revisões salariais, que decorre na maioria das empresas do setor da hotelaria (55%) em março, advém dos resultados da organização (77%) e do desempenho individual (69%). De acordo com a Mercer, “as expectativas de incrementos salariais no setor são semelhantes ao mercado geral, mas um pouco mais conservadoras”. Para a generalidade dos grupos funcionais analisados, o setor situa-se nos 1,5% – 0,5% abaixo do mercado. O peso das componentes variáveis de compensação é tendencialmente mais baixo, ainda que se aproxime do mercado nas funções com maior grau de responsabilidade.
Segundo os resultados do estudo, o setor do turismo cresceu, em 2018, 8,1% para uma contribuição de 38,4 mil milhões de euros na economia portuguesa, um total de 19,1% da atividade económica do país e empregou mais de um milhão de pessoas.
Os trabalhadores do setor
As unidades hoteleiras que participaram no “Total Compensation”, 77% são empresas nacionais e 23% empresas multinacionais, têm mais de 500 colaboradores (28%), entre 100 e 500 colaboradores (36%) e menos de 100 colaboradores (36%). Relativamente ao volume de negócios, 50% das empresas apresentam um volume entre os cinco e os 20 milhões de euros, 30% apresentam um volume de menos de cinco milhões de euros e 20% apresentam um valor acima dos 20 milhões de euros.
A população ativa no setor de hotelaria é mais jovem (60% da população tem até 40 anos de idade e 20% até 25 anos) que a população do mercado (41% dos colaboradores têm até 40 anos e apenas 3% até 25 anos). Quanto à antiguidade dos profissionais, sendo que 54% são homens e 46% mulheres, a Mercer identificou “uma diferenciação significativa face ao mercado geral, onde apenas 31% da população ativa tem antiguidade na organização inferior a sete anos”. No setor da hotelaria, 75% dos colaboradores estão nas empresas há menos de sete anos e 65% há menos de três anos.
No que diz respeito às habilitações literárias dos colaboradores, apenas 18% frequentaram o ensino superior. O ensino secundário é a formação mais prevalente (40%).
A Mercer analisou o perfil de uma amostra de hotéis a nível nacional, um total de 80 funções, desde as áreas de restauração a operações, em 90 unidades hoteleiras, distribuídas de norte a sul do país.