A APESPE-RH (Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos) e o ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) acabam de divulgar o Barómetro do Trabalho Temporário relativos aos meses de julho, agosto e setembro de 2020.
Na distribuição por mês, e sempre na comparação com o mesmo mês de 2019, as quebras foram de 16 000 colocações em julho, 12 000 em agosto e 9 300 em setembro.
O Índice de Trabalho Temporário (Índice TT) teve um decréscimo acentuado ao longos dos meses que compõem o 3º trimestre de 2020 quando comparados com o período homólogo.
É importante salientar que o Índice TT registou o valor mais baixo da série em maio deste ano (0,50) e desde então tem sido registada uma recuperação consistente. A quebra no conjunto de contratos foi seguida pela faturação das empresas do setor. Este valor é medido através de um índice que recorre ao total de vencimentos brutos pagos no âmbito das colocações, e que em julho foi de 0,5; em agosto de 0,69; e em setembro de 0,79, registando-se assim um aumento gradual ao longo dos três meses.
Em termos de caraterização dos trabalhadores temporários, verificou-se em julho um ligeiro aumento da percentagem de contratos realizados com indivíduos do género masculino. A percentagem de contratos celebrados com trabalhadores pertencentes a este género cifrou-se em 56,1% (55,8% no mês de maio), uma tendência que se manteve no mês de agosto (56,4%). No entanto, em setembro verificou-se um aumento da proporção de contratos celebrados com trabalhadores do género feminino, passando de 43,6% no anterior (agosto 2020) para 45,4% em setembro de 2020. A percentagem registada nesse mês está em linha com o observado em setembro de 2019 (45,3% dos contratos envolvendo o género feminino).
No que à distribuição etária diz respeito, o mês de julho registou um aumento de aproximadamente 2 p.p. na importância relativa dos trabalhadores mais jovens relativamente ao mês anterior, com cerca de 48,3% dos trabalhadores com idade inferior a 30 anos, valor que se manteve nos dois meses seguintes (48,6% em agosto e 48,1% em setembro).
Neste trimestre, as empresas que recorreram ao trabalho temporário operavam sobretudo no setor da “Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis”, que embora tendo-se assinalado um importância muito menor do que a registada antes da pandemia, denotou-se um ligeiro aumento ao longo destes três meses: julho 10,6%; agosto 11,9% e setembro 15,4% do total de contratos celebrados.
No que diz respeito à distribuição do trabalho temporário por principais profissões, foi na categoria “Empregados de aprovisionamento, armazém, de serviços de apoio à produção e transportes” que se registou o maior número de contratos celebrados, uma tendência já decorrente do trimestre anterior, com valores globais sempre acima dos 20%.
“Desde o início da pandemia que os números registados estão fortemente relacionados com o impacto desta nova realidade que vivemos. A redução no número de colocações reflete muito fortemente esta situação que afetou a economia portuguesa desde março de 2020. A quebra no Índice TT teve início em abril e continuou nos dois meses seguintes. No mês de julho consolidou-se uma tendência de melhoria gradual deste indicador, que se manteve em agosto e setembro”, explica Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e Recursos Humanos (APESPE-RH).
O presidente da APESPE-RH reforça que, “no entanto, estamos ainda longe daqueles que eram os valores registados em 2019. Os sectores de atividade que representamos, nomeadamente Formação, Recrutamento e Seleção, Consultoria, Trabalho Temporário e Outsourcing, foram fortemente impactados pela pandemia, sendo que alguns dificilmente recuperarão a médio/longo prazo. Ainda assim, os indicadores do Trabalho Temporário e do Outsourcing já são de recuperação, o que indicia claramente a tentativa das empresas voltarem a uma certa normalidade”.
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