Vanessa Mosca, Co-founder da Promptz, encontra-se em solo lusitano a partilhar a sua expertise sobre o ChatGPT nos Recursos Humanos. A formadora da Vantagem+, fala-nos do seu percurso profissional e explica como podemos integrar ferramentas de Inteligência Artificial na área de Gestão de Pessoas.
Vanessa Mosca foi reconhecida como Personalidade de RH do ano 2023, pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD). Quais foram os projetos que mais contribuíram para esta distinção?
Estou a trabalhar no mundo corporativo há mais de 16 anos e sempre exerci funções de Recursos Humanos. O principal problema que identifico neste setor é o facto de não receber investimentos suficientes, apesar de ser o único departamento que trata do capital humano. O interessante é que, ao longo destes 16 anos, tenho dado conta que a transformação digital pode melhorar a minha entrega, sem exigir qualquer custo. Assim, em 2018, decidi avançar com uma certificação para aprender a aplicar metodologias de melhoria contínua nas organizações.
O ano passado, comecei a desenvolver a minha própria metodologia de utilização do ChatGPT e apercebi-me do poder que esta ferramenta pode ter no desempenho de qualquer profissional de RH. O ChatGPT funciona como um Ferrari: quem souber conduzi-lo, chega longe. É por isso que o meu papel, em conjunto com a Vantagem+, é muito importante porque garanto que o maior número de pessoas sabe aplicar esta ferramenta no seu dia-a-dia, sem depender de investimento ou planeamento estratégico da empresa.
Como surgiu o convite para ser formadora no curso da Vantagem+ e como tem sido esta parceria?
Sinto-me muito honrada por ter recebido este convite. No Brasil, a minha formação foi a primeira dedicada ao tema do ChatGPT na área de Recursos Humanos. A Vantagem+, com o seu olhar assertivo para tendências e futuro, estavam a prospectar este tipo de temáticas e encontraram-me a partir do Linkedin. Sinto-me muito grata por estar aqui, em Portugal, a conversar com as pessoas sobre os desafios do mundo corporativo português.
Em que medida o ChatGPT pode ser aplicado nos processos de recrutamento e seleção de colaboradores?
Conseguimos utilizar o ChatGPT em todos os processos de RH, só precisamos de saber encaixar os diferentes comandos. E como funciona esta automação? Por exemplo, se eu tiver um comando específico para fazer a triagem de currículos, basta subir os CV no ChatGPT, utilizar esse comando e o ChatGPT vai fazer uma análise completa e identificar quais os melhores currículos para a empresa. Além disso, nós podemos utilizar o API do ChatGPT para integrá-lo noutras ferramentas do nosso dia-a-dia.
Conseguimos utilizar o ChatGPT nos vários subsistemas de recursos humanos: recrutamento, seleção, formação, administrativo, performance e atendimento. A gama de possibilidades é infinita.
Um profissional de RH precisa apenas de uma ferramenta de Inteligência Artificial ou de uma multiplicidade de ferramentas?
Nos dias de hoje, utilizarmos o ChatGPT já vai simplificar, e muito, as nossas rotinas de trabalho, mas o ideal seria criar um ecossistema de ferramentas. Estamos a viver a era da Inteligência Artificial estreita, isto significa que ela executa uma atividade de forma muito eficaz, contudo só consegue uma de cada vez. Neste sentido, quando queremos algo mais robusto, a melhor opção é criarmos a nossa própria ferramenta e fazer as integrações. Só que para isso, precisamos de orçamento e da ajuda de um profissional de TI.
Os CEO querem cérebros pensantes e não apenas um braço para executar. E é aqui que entra a Inteligência Artificial de forma a ajudar no trabalho rotineiro. Cada organização tem de identificar as suas necessidades e aprender estas temáticas para, na tomada de decisão, saber o que não quer e o não faz sentido.
Como podemos integrar este tipo de ferramentas em empresas com pouca literacia digital? Quais são os primeiros passos?
De uma forma muito resumida, o primeiro passo, e o mais importante, é a mentalidade. Preocupe-se em formar e estimular as pessoas a utilizarem o ChatGPT. Comece com uma equipa pequena para avaliar e testar.
Não adianta termos a ferramenta se não trabalharmos a mentalidade e a inteligência, primeiro.
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