Antecipa-se que, no decorrer da próxima década, o impacto da Inteligência Artificial (IA) nos diferentes setores de trabalho vai crescer a um ritmo mais célere do que presenciamos hoje. Em certos casos, a utilização generalizada destas ferramentas pode encerrar certas tarefas, contudo propiciará a criação de novas oportunidades de emprego.
Uma análise da Randstad estimou que, em Portugal, a IA possa levar à perda líquida de 80,3 mil empregos, que se traduzem na automatização de 481 mil empregos (9,7%) e na criação de 400 mil novos empregos.

Ao mesmo tempo, a Randstad estima que 795.227 postos de trabalho (16%) vai observar um aumento de produtividade ao utilizar a IA, enquanto os restantes empregos atuais, cerca de 3.696.634 (74%), não vão sofrer impacto da introdução da IA na próxima década.

Que setores vão sentir o maior impacto?
A análise da Randstad indica que a expansão da IA nos processos produtivos trará consigo “mudanças substanciais no emprego da maioria dos setores da economia portuguesa”, com os quatro efeitos identificados (automatização, criação, produtividade e sem impacto) atuando com maior ou menor intensidade.
“Dependendo do setor, o efeito líquido dos quatro impactos resultará num aumento do emprego ou numa diminuição do emprego”, explica a Randstad.
As previsões para a economia portuguesa indicam que os setores de atividades administrativas, informáticas e telecomunicações estão no topo de empregos atuais que poderiam estar em risco — estes setores têm o potencial de automatizar cerca de 18% e 17% dos seus processos, respetivamente. Por outro lado, os setores em que se espera o maior efeito, em termos percentuais, do referido processo de criação de emprego, serão as atividades informáticas e telecomunicações (29% dos novos postos de trabalho) e as atividades de consultoria, científicas e técnicas (14%).
Relativamente ao aumento de produtividade estimado, serão os setores das atividades financeiras e de seguros e das atividades informáticas e telecomunicações (36%), seguido das atividades de consultoria, científicas e técnicas (27%).

De acordo com a Randstad, alguns setores da economia portuguesa irão automatizar mais de 10% dos seus empregos.
A Randstad adianta que, atualmente, 62% das empresas portuguesas já experimentaram IA, sobretudo para análise de dados; otimização de tarefas administrativas; automatização de processos e atendimento ao cliente.
Por outro lado, 37,3% das empresas inquiridas (na sua maioria grandes empresas com mais de 250 trabalhadores) ainda não incorporaram a IA em nenhuma das suas atividades. As principais razões desta situação prendem-se com o facto de a IA estar num estado de adaptação recente e, por conseguinte, apresenta ainda problemas, como a falta de precisão ou qualidade dos outputs, segundo as respostas.
Além disso, os colaboradores não possuem as competências necessárias para a utilizar e as empresas não encontram aplicações que lhes permitam ser mais produtivos. Finalmente, a legislação relacionada com a AI encontra-se em desenvolvimento e há muitas incertezas relacionadas com a responsabilidade ou a proteção de dados.
“Um dos pontos críticos identificado nesta análise foi o facto de as empresas que introduziram a IA em alguns dos seus processos terem enfrentado desafios em termos de competências. Em 75,8% dos casos, a importância de ter competências tecnológicas especializadas entre os seus trabalhadores aumentou. E, em muitos casos, a importância de outras competências não tecnológicas, que podem complementar estas últimas, também aumentou”, comenta ainda Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.
As expetativas das empresas são elevadas, uma vez que 72,2% das inquiridas para o estudo acreditam que esta tecnologia irá impulsionar a atividade no seu sector e 82,9% esperam melhorias na sua própria produtividade.
Por fim, a Randstad destaca que enquanto apenas 13,7% dos inquiridos estão muito preocupados com a possibilidade de perderem o emprego dentro de 12 meses em resultado da adoção progressiva da IA, quando o horizonte temporal é alargado para cinco anos, o nível de preocupação aumenta para 24,8%. Se a análise for feita para um período de 10 anos, 38,2% dos profissionais estão muito preocupados.
O estudo “A IA e o mercado português”, elaborado pela Randstad Research, dividiu a análise em três blocos: uma revisão de literatura, que recorre a resultados publicados por instituições como o World Economic Forum, a OCDE ou a Goldman Sachs; a perspetiva quantitativa, para o mercado de trabalho português, com a identificação dos efeitos da IA na criação e destruição de emprego e a perspetiva qualitativa, conseguida através de dois inquéritos para compreender a percepção e expectativas das empresas e profissionais portugueses, relativamente à influência da IA nos diferentes setores de atividade.
O estudo completo encontra-se disponível no site da Randstad, através deste link.