Os aumentos salariais para o próximo ano nas empresas em Portugal deverão manter-se estáveis em relação aos aumentos verificados em 2025. A média dos aumentos salariais deverá situar-se nos 3,4%, de acordo com o Salary Budget Planning Report da consultora WTW.
Pouco mais de metade (56%) das organizações não registou qualquer alteração entre os orçamentos salariais atuais e os anteriores. Entre aquelas que viram os seus orçamentos salariais alterados em relação às projeções anteriores, são mencionados como fatores a recessão prevista ou resultados financeiros reais ou previstos mais fracos (35%), preocupações relacionadas com a gestão de custos (32%), a pressão da inflação (23%) e a escassez de recursos (19%).
“Embora os orçamentos globais estejam, em geral, a manter-se estáveis, a verdadeira mudança ocorre de forma menos visível. As empresas estão a ser mais criteriosas na forma como alocam os aumentos salariais, onde concentram os investimentos e que resultados pretendem alcançar. Os empregadores deixaram de reagir apenas aos sinais económicos; estão a reinventar como podem apoiar melhor os objetivos estratégicos do negócio, apesar da incerteza”, afirma Sandra Bento, Associate Director de Work & Rewards da WTW, em comunicado.
Com um turnover médio voluntário de 5,3% e involuntário de 4,9%, as empresas apresentam respostas variadas para atrair e reter colaboradores. A percentagem de colaboradores que respondeu “de forma alguma” aumentou de 18% em 2024 para 25% em 2025, o que pode indicar um aumento na satisfação ou na perceção de que a empresa está atendendo a certas expectativas. As empresas que tiveram problemas, embora pouco significativos, reduziram de 44% para 40%. Apesar da mudança não ter sido drástica, sugere uma leve queda na perceção negativa dos colaboradores.
As empresas também tomaram medidas para apoiar as suas equipas, nomeadamente: melhoria da experiência do colaborador (49%), foco na diversidade, equidade e inclusão (46%), alterações nos benefícios de saúde e bem-estar (45%) e maior flexibilidade no local de trabalho.
Além disso, assiste-se a um ajuste nos programas de remuneração como estratégia de combate à competitividade do mercado de trabalho. Estas ações incluem a realização de uma revisão da remuneração de todos os trabalhadores (26%), a revisão da remuneração de grupos específicos de colaboradores (24%), a contratação de pessoas com níveis salariais mais elevados (21%) e o aumento dos níveis salariais em início de carreira (20%). Enquanto as organizações se concentram nestes esforços e apesar da atual legislação da igualdade salarial em vigor, a preocupação com a equidade salarial tem menos destaque, sendo mencionada apenas por 6,5% das empresas.
“As empresas, à medida que enfrentam os desafios económicos, os aumentos contínuos dos custos com os recursos e a evolução das necessidades e expetativas dos colaboradores, preparam-se para o futuro e optam por fazer investimentos que vão para além dos aumentos salariais. Estes incluem o desenvolvimento de carreiras, o bem-estar, a flexibilidade e a equidade, pois estes fatores são fundamentais para o desempenho, a retenção e a resiliência dos colaboradores num mercado em constante mudança”, acrescentou Sandra Bento.
O Salary Budget Planning Report é compilado pela área de Rewards Data Intelligence da WTW. O estudo foi realizado de abril a junho de 2025. Contou com cerca de 29 mil respostas de empresas de 155 países em todo o mundo. Em Portugal, participaram 360 organizações.
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